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Parem de comparar a audiência das novelas com a de Avenida Brasil!

Por que não devemos generalizar na análise do Ibope

Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella) de Avenida Brasil
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Desde que a televisão passou a existir, ela vive de altos e baixos quanto às suas atrações, e novelas não fogem a essa regra. Em mais de 50 anos de folhetins, muitos deles já foram considerados fracassos injustamente, porque se esperava deles números de audiência que não alcançaram – ainda que não tenham sido baixos em si, numa análise crua. Acontece!

Mas de alguns anos para cá, existe uma verdadeira lavagem cerebral que acomete os fãs da teledramaturgia. Sobretudo no que diz respeito à novela Avenida Brasil (2012), atualmente sendo reprisada no Vale a Pena Ver de Novo.

Não irei aqui discutir os méritos criativos da trama – já que acredito que seu autor, João Emanuel Carneiro não esteve tão inspirado nela, como esteve em sua trama anterior, A Favorita (2008) – e sim seus números entre o histórico de audiência das novelas, expressivos para aquela época.

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A audiência deve sempre ser analisada conforme os parâmetros de apuração dos índices

‘Época’: essa palavra deveria estar na síntese da telenovela, afinal, as tramas são o reflexo do período em que são exibidas. O país que vibrou com Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves) certamente não é o mesmo de hoje, e o mesmo acontece com os números de audiência.

A cada ano que passa, aumenta o número de domicílios que precisam estar conectados naquele determinado canal para que ele tenha um único ponto de audiência. Só para ilustrar, em 2012, quando Avenida Brasil foi exibida originalmente, cada ponto no ibope equivalia a 60 mil domicílios na Grande São Paulo. Em 2020, cada ponto no ibope equivale a quase 75 mil domicílios. O que isso significa? Que está cada vez mais difícil alcançar um único ponto.

Com efeito, a imprensa de forma geral adora jogar gasolina quando acredita que uma trama não vai bem na audiência. Alguns poucos dias de exibição são suficientes para vermos surgir notícias do tipo ‘Globo acende o alerta vermelho’, mas a realidade é que nem sempre a emissora está tão preocupada.

O caso de Amor de Mãe, um dos exemplos atuais de aplicação errada de parâmetros de audiência das novelas

Amor de Mãe, por exemplo, é considerada uma trama difícil, pouco popular e sem núcleo de humor, o que na visão de muita gente já é um demérito. Afinal, as pessoas se acostumaram a engolir as soluções fáceis, e histórias bobas em que elas não precisam pensar (Alô, A Dona do Pedaço!). De modo que qualquer coisa que fuja a isso já causa estranhamento.

A trama de Manuela Dias tem conseguido cerca de 32 pontos de audiência, mesmo num período considerado complicado historicamente. Grosso modo, o que significam 32 pontos nos dias de hoje? Que a novela consegue fisgar 2 milhões e 400 mil telespectadores na Grande São Paulo, a saber. Sabe o que isso significa também? Que em 2012 esses mesmos números representariam 40 pontos de audiência.

Avenida Brasil pode sim ter sido uma novela atraente, com bastante fôlego. No entanto, não inventou a roda, e nem deveria servir de termômetro de audiência. Aliás, nenhuma novela deveria. E mais, deveria acontecer sim uma mudança na forma em que os dados de audiência são divulgados. Kantar, que tal ao invés de divulgar pontos, divulgar os números absolutos? Talvez, com esse conhecimento, nenhum telespectador ousasse debater sobre audiência usando o argumento: “Mas Avenida Brasil deu X pontos”.

Comparação da audiência das novelas para efeitos de ‘tradução’ da teoria

Segue abaixo uma comparação dos números da audiência geral de tramas consideradas sucessos de público, e como elas se sairiam se fossem medidas em 2020, levando em conta cada ponto equivalendo a quase 75 mil domicílios:

Novela Média geral na época Pontos por domicílio na época Como seria em 2020
Senhora do Destino 50,4 51 mil 34,3
Fina Estampa 39,2 58 mil 30,3
Avenida Brasil 39 60 mil 31,2
Amor à Vida 36 61 mil 29,3
Império 33 65 mil 28,6
A Força do Querer 36 70 mil 33,6
O Outro Lado do Paraíso 38 70 mil 35,5
A Dona do Pedaço 36 74 mil 35,6

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