2020 na TV: uma perspectiva do ano novo na televisão brasileira

Publicado há um ano
Por André Santana
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2020 na TV brasileira não deve ser um ano muito inventivo. As emissoras abertas sentiram as consequências da crise econômica e terminaram 2019 promovendo cortes e enxugando custos. Sendo assim, 2020 se inicia já sinalizando cuidados. Ao que tudo indica, Globo, SBT, Record TV, RedeTV! e Band deverão ficar em suas respectivas zonas de conforto, apostando apenas em produções de retorno garantido.

Sendo assim, o grande desafio de 2020 na TV brasileira será buscar soluções simples, baratas e de bom retorno de audiência e financeiro para que as operações não sejam muito afetadas. Para isso, os canais devem buscar novas parcerias, otimizar elenco e apostar muito em formatos importados e de alto potencial comercial (leia-se competições de culinária e música). O jornalismo também segue em alta e deve ser ampliado neste ano, aproveitando-se também dos Jogos Olímpicos e das eleições municipais. Serão esforços necessários para garantir não apenas a saúde financeira, mas a boa pontuação no ranking da audiência.

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Globo

A maior emissora do país entra em 2020 com os mesmos problemas do ano que passou. A Globo tem como principal desafio fortalecer os horários mais frágeis de sua programação. E a tarde segue sendo a grande dor de cabeça. A aposta no Se Joga, claramente, não se justificou. Sendo assim, a atração não deve escapar de uma reformulação geral.

Por outro lado, a Globo está disposta a seguir fortalecendo vários de seus produtos vitoriosos. O aumento do espaço do jornalismo ao vivo se mostrou um acerto, e, por isso, ele deve ser ampliado ainda mais em 2020. O fim do Como Será?, com a possibilidade de ser substituído por um telejornal, sinaliza esta intenção. A teledramaturgia também caminha para a importante renovação de autores no horário nobre. Depois da estreia de Manuela Dias, com Amor de Mãe, a novidade será Lícia Manzo. São manobras importantes no sentido de oxigenar o gênero.

Além disso, 2020 pode significar mudanças estruturais profundas na Globo. Com a execução do projeto Uma Só Globo, que unifica emissoras e empresas do Grupo Globo, a tendência é que haja uma comunicação maior entre as produções. Na prática, isso pode significar um maior intercâmbio entre produções da TV Globo, Globosat e GloboPlay. Pode ser interessante.

Record TV

A grande questão da Record TV em 2020 é o futuro de sua dramaturgia bíblica. Os fracos desempenhos de Jesus e Jezabel e a desnecessária reprise de O Rico e Lázaro indicam um desgaste da fórmula. Ao mesmo tempo, a boa recepção de tramas como Topíssima e Amor Sem Igual prova que o público da emissora ainda aprecia tramas contemporâneas. Ou seja, o desempenho de Gênesis, próxima produção do gênero, será primordial para definir o futuro das novelas bíblicas.

Enquanto isso, a direção da emissora precisa reavaliar movimentações de seu jornalismo. Afinal, a Record é a TV aberta que mais exibe telejornais, e grande parte deles atinge bons índices de audiência. Porém, os jornais matinais e os boletins JR 24h aparecem como pontos fora da curva. Isso precisa ser corrigido. Já na linha de shows, a emissora se manterá conservadora, apostando em formatos prontos até mesmo no novo programa de Sabrina Sato aos domingos. A grande dúvida se dá quanto aos programas apresentados por Gugu Liberato. A emissora deve escalar novos apresentadores para o Power Couple e Canta Comigo.

2020 na TV não deve trazer grandes mudanças no SBT

O SBT inicia o ano já com uma novidade interessante. A emissora vai exibir Betty, a Feia em NY, uma novela da Telemundo. Ou seja, pela primeira vez desde que foi criada, a faixa Novelas da Tarde terá uma novela que não é do próprio SBT e nem da Televisa, parceira de anos do canal. O desempenho da nova versão da saga da feia pode sinalizar o início de uma nova parceria. Enquanto isso, na seara das novelas infantis, a emissora apostará numa nova temporada de As Aventuras de Poliana, uma manobra arriscada no momento em que a novela vem perdendo audiência.

No mais, o SBT deve seguir estacionado em 2020. Ainda sem novidades à vista, a emissora tem como única estreia anunciada a volta da Porta da Esperança, um clássico do canal. Ou seja, a TV de Silvio Santos deve continuar vivendo do passado.

Band e RedeTV!: 2020 na TV reserva nova chance para as duas redes melhorarem seus índices

Band e RedeTV! tiveram um 2019 conservador, com poucas movimentações. Isso deve continuar em 2020. A primeira deve manter a aposta no jornalismo, com projetos de novos jornais na madrugada. No entretenimento, o MasterChef seguirá na linha de frente, mesmo já demonstrando cansaço.

Já a RedeTV! tem como promessa de ano novo a reformulação de um de seus “carros-chefe”. A chegada de Leo Dias ao TV Fama indica uma grande transformação no programa de fofocas. A ideia é que o TV Fama deixe de parecer um noticiário e se torne mais dinâmico e divertido. Mudança necessária e que pode funcionar. 2020 na TV traz novas oportunidades para que as emissoras deixem o comodismo de lado e aliem audiência, qualidade e boas propostas.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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