Antonio Fagundes brilha em Bom Sucesso e apaga má impressão de Velho Chico

Publicado há um ano
Por André Santana
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Em Bom Sucesso, a nova novela das sete da Globo, o veterano Antonio Fagundes vive o empresário Alberto Prado Monteiro. Dono de uma editora de livros, Alberto é um idoso rabugento e adoentado, que descobre ter pouco tempo de vida. Ou seja, é um personagem delicado e rico de possibilidades. E Fagundes o encarnou de maneira minimalista, que desperta a compaixão do público. Deste modo, apaga da lembrança o Coronel Saruê, o tipo caricato (e criticado) que viveu em Velho Chico.

Nesta segunda semana no ar, Bom Sucesso começa a explorar a relação entre Alberto e Paloma (Grazi Massafera). A mocinha passará a atuar como cuidadora do idoso, e daí surgirá um encantamento e uma improvável amizade. Com esta relação, Alberto se permitirá conhecer novos olhares sobre a vida, buscando fazer seus últimos dias de vida mais felizes. É um personagem muito bonito, que traz uma mensagem positiva.

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Com um personagem tão humano em mãos, Antonio Fagundes foi justamente por este caminho, imprimindo ainda mais humanidade a ele. Assim, ele se livra de alguns vícios de atuação que caracterizaram vários de seus personagens e o fazia repetitivo. O modo autoritário e a maneira de falar meio “mole” fez com que Leal Cordeiro, de Tempos Modernos, Juvenal Antena, de Duas Caras, e Félix Guerrero, de Porto dos Milagres, parecessem a mesma pessoa. Todos parecidos com o Coronel Saruê, de Velho Chico, criticado justamente pelo tom caricato, que destoava da figura romântica encarnada por Rodrigo Santoro na primeira fase da novela.

Pausa necessária

Antonio Fagundes é um dos melhores atores do país. É um veterano, dono de trabalhos memoráveis. Fez rir como o professor gago de Rainha da Sucata, e também fez chorar como o Zé Inocêncio, de Renascer. Encarou tipos urbanos bastante críveis, como o Atílio, de Por Amor, e Raul, de Insensato Coração. Mas também convence com personagens rurais, como Bruno, de O Rei do Gado, e Gumercindo, de Terra Nostra.

No entanto, o ator vinha sendo escalado para papéis bastante semelhantes, o de figura poderosa e meio antagônica. Assim, acionou uma espécie de piloto automático, que culminou com a famigerada performance controversa de Velho Chico. Mas vale lembrar que Saruê foi encontrando o seu caminho na novela de Benedito Ruy Barbosa e teve uma bela trajetória, apesar dos pesares.

Mesmo assim, esta pausa nas novelas após Velho Chico fez bem ao ator. Ele retorna agora num papel diferente de seus personagens anteriores, o que o permitiu fazer uma nova construção. Deste modo, o Alberto de Bom Sucesso ainda deve protagonizar mais momentos emocionantes na simpática novela das sete. Que bom.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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