Mocinho autoritário e mal humorado é um dos erros de O Sétimo Guardião

Publicado há um ano
Por André Santana
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Na reta final, O Sétimo Guardião, definitivamente, não caiu nas graças do público. A trama das nove da Globo ensaiou um bem-vindo retorno ao realismo fantástico, mas o resultado não foi muito feliz. Dentre os muitos problemas da história de Aguinaldo Silva, um deles salta aos olhos: o personagem-título. Gabriel (Bruno Gagliasso), justamente o “Sétimo Guardião”, foi um mocinho que despertou mais raiva do que a torcida da audiência.

Inicialmente, Gabriel já despertava a dúvida do público, ao não ficar muito claro o que, afinal, o movia. O mocinho abandonou uma noiva no altar atendendo a um chamado difícil de compreender. Tudo bem, tratava-se de um elemento mágico do enredo. Mas o público ainda não tinha qualquer informação sobre Gabriel quando tudo aconteceu. Não se sabia o que ele pensava, e se ele realmente era capaz de desistir de um casamento sem motivo aparente. Em suma, não houve uma apresentação adequada do protagonista.

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Assim, Gabriel já começou O Sétimo Guardião errado. E a coisa foi piorando no decorrer da trama. Quando ele finalmente assumiu seu posto de guardião-mor da fonte mágica, o que se viu foi o nascimento de um líder autoritário e equivocado. O jovem só fez meter os pés pelas mãos a cada novo plano para defender a água sagrada. Além disso, cansou de bater de frente com os demais “guardiães”, sem nenhum tato para lidar com os membros da irmandade. Ele nunca os ouve, enquanto toma decisões erradas aos baldes.

Para piorar a situação, Gabriel é um mocinho sem vida. Mal humorado por não conseguir cumprir a missão ao qual estava destinado, ele prefere distribuir patadas. O jovem não sorri, não se emociona e parece sempre estático. Ora, como torcer por um mocinho como este? Neste contexto, nem mesmo o seu amor por Luz (Marina Ruy Barbosa) parece verdadeiro.

Bruno Gagliasso no piloto automático

A interpretação de Bruno Gagliasso também não colabora para que Gabriel seja minimamente simpático. O ator optou por uma construção sem nuances, reforçando a falta de carisma do mocinho. No piloto automático, Bruno tem aqui um dos trabalhos mais fracos de sua já longa carreira.

Que Bruno Gagliasso é um bom ator, não se pode negar. A recém-encerrada reprise de Cordel Encantado, na qual ele viveu o odioso Timóteo, é uma prova de que o ator tem recursos de sobra. Além disso, sua carreira foi marcada por tipos distintos, do qual ele tirou de letra. Ou seja, é sabido que o ator tem condições de oferecer um trabalho melhor.

Mas a trajetória equivocada do personagem fez com que Bruno Gagliasso murchasse em cena. Afinal, o texto não traz recursos para que o ator aperfeiçoe seu trabalho. Em suma, Gabriel foi um mocinho muito mal concebido. Uma falha grave, ainda mais se levarmos em consideração que é ele quem dá título à história.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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