Jornalismo, dramaturgia, revista, infantil: o que fazer nas tardes da Globo?

Publicado há 2 anos
Por Fábio Costa
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Com o final da Copa do Mundo, a programação da TV voltou ao normal. As tardes da Globo voltaram à sua estrutura habitual. Jornal local, Globo Esporte, Jornal Hoje, Vídeo Show, filme, novela em reprise. Nenhum programa novo. Apenas o Vídeo Show apresentou novidades, em sua apresentação e reportagem.

A grande vitrine da emissora reestreou com Sophia Abrahão dividindo a apresentação com as antes apenas repórteres Vivian Amorim e Fernanda Keulla e a novata Ana Clara. As três são ex-participantes do Big Brother Brasil, em diferentes edições. Na reportagem Marcella Monteiro ganhou a companhia do ator Felipe Titto. Nessa estreia houve um estranhamento, e o programa chegou a ficar em terceiro lugar na audiência, perdendo para a Record e o SBT.

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Vídeo Show (Divulgação)

Antes de se falar apenas da adequação ou não das escolhidas para apresentar o Vídeo Show, é preciso que se veja o que se deseja atingir e o que vem sendo obtido. Mesmo que um público que se identifica com elas não esteja necessariamente ligado na telinha às 14h, aquele que está pode muito bem apreciar o programa – caso este apresente elementos que o agradem no conteúdo.

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Eventuais caminhos para as tardes da Globo

Tanto o programa que apresenta bastidores de hoje e trechos de atrações do passado quanto a Sessão da Tarde têm mostrado sinais de cansaço nos últimos anos. Isso prejudica a grade vespertina inteira das 14h em diante, e mesmo as novelas do Vale a Pena Ver de Novo se ressentem da diluição do público.

Mas o que a Globo poderia fazer para resolver o problema que tem nas tardes de uns tempos para cá?

Excluir o Vídeo Show e/ou a Sessão da Tarde? Preencher o horário com um programa ao estilo do Encontro com Fátima Bernardes? Ou do É de Casa, hoje alocado nas manhãs de sábado? Seria melhor tornar fixa a sessão dupla do Vale a Pena Ver de Novo? Ela ocorre quando uma novela está prestes a terminar e divide a faixa com a que está chegando. A exemplo do promovido há anos no SBT e na Record.

Atrações infantis e infantojuvenis, numa tentativa de resgatar esse público para a emissora, também poderiam ser desenvolvidas. No entanto, vale lembrar que a política da Globo tem sido a de veicular produção nacional em todo o tempo possível. E iniciativas como a antiga Sessão Aventura, por exemplo, que exibia séries e desenhos, parecem fora de cogitação.

Jornalismo e variedades para as tardes da Globo

Um jornalístico que conte com a presença de comentaristas e convidados especiais, como na TV paga, também seria uma saída. Seja ampliando e diversificando o Jornal Hoje, seja criando uma revista eletrônica. Só há o perigo de desvirtuar um formato que tem dado certo no noticiário vespertino. E toda mudança, por mínima que seja (ou pareça), demanda estudos dedicados.

Um programa com musicais, debates, entrevistas, utilidade pública… Por que não? Talvez esse tipo de atração à tarde seja fortemente identificado com outras emissoras. Sem dúvida a chave está no público que pode ver TV nesse horário. De acordo com o visto na concorrência, é possível que algo assim não só mantivesse os índices como os ampliasse.

Quanto ao Vídeo Show, por que não rever os objetivos e rumos da atração uma vez mais e torná-lo semanal, por exemplo? Foi assim em seus primeiros 11 anos de existência, de 1983 a 1994. Caso se prefira mantê-lo diariamente no ar, por que não reduzi-lo e concentrar as atenções no que importa? Quem vê esse tipo de programa quer o que sempre viu. Entrevistas, bastidores e erros de gravações, resgate de atrações antigas e históricas. Eventualmente, um quiz show sobre televisão, com famosos ou anônimos. Ademais, ir na contramão da concorrência pode ser uma saída, mas fazer com qualidade o que a concorrência faz, idem.

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As novelas nas tardes da Globo

A respeito da exibição de mais uma novela no Vale a Pena Ver de Novo de maneira fixa, há pontos a serem analisados. Não adianta haver duas ou dez novelas, se suas escolhas não forem adequadas e elas não se ajudarem mutuamente. Para exemplificar, caso isso ocorresse atualmente não adiantaria que a outra atração fosse semelhante a Belíssima. Seja em elenco, ambientação, temática ou “clima”.

Decerto uma iniciativa de dramaturgia inédita teria espaço numa eventual reformulação da grade. Quando em 1995 a Escolinha do Professor Raimundo saiu do ar e deu espaço à Malhação, demonstrou-se esse potencial. Se hoje em dia até a madrugada tem recebido atenção especial das emissoras, a tarde merece igual cuidado. Ainda mais que hoje em dia Malhação já tem status de novela e entra basicamente às 18h, já à noite.

Lima Duarte e Fernanda Montenegro como Bia e Murat em Belíssima (Divulgação/TV Globo)

Outro ponto a ser pensado é o horário da novela vespertina, seja inédita ou uma reprise. Posto que exibir o Vale a Pena Ver de Novo por volta das 17h faz com que três histórias ficcionais vão ao ar na sequência. A saber, hoje, Belíssima, Malhação e Orgulho e Paixão. Desse modo, há uma avalanche de novelas – e uma quarta, a das 19h, é separada do trio apenas pelo jornal local. Além disso, já são quatro anos da inversão de horários entre a novela e o filme, logo não haveria o choque da mudança muito próxima da alteração anterior.

Em resumo, se a Globo deseja ter boa audiência em suas tardes, é preciso analisar e planejar de outra maneira os programas que planeja para elas e seus horários.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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