Agora É com Datena é mais um novo programa da Band com cara de coisa antiga

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Neste ano de 2018, a Band tem investido pesado em programação. Após anos refém de MasterChef e enlatados, a emissora saiu da apatia e segue fazendo uma série de estreias. No entanto, chama a atenção a estratégia do canal, que parece querer lançar novos programas fazendo uso de formatos que fazem parte da história da TV brasileira, mas que hoje parecem antigos. É esta a impressão causada pelo Melhor da Tarde, um feminino apegado em culinária e dicas domésticas, e reforçada com a estreia de Agora É com Datena, cuja primeira edição foi ao ar ontem (22).

Agora É com Datena usa de um expediente cada vez mais raro na TV nacional: é um programa longuíssimo, com seis horas de atrações no palco. No passado, os grandes programas de auditório eram assim, enormes e com atrações que eram exploradas até a última gota, como as antigas atrações de Silvio Santos, Chacrinha, Raul Gil, e até o Bolinha, que ocupava todo o sábado da Band com seu Clube do Bolinha. Hoje, isso não existe mais. Silvio Santos e Raul Gil reduziram seus programas, enquanto os novos animadores buscam ser mais ágeis. Eliana e Rodrigo Faro, dois apresentadores de domingo que ocupam um bom tempo de suas emissoras, mesclam externas e atrações no palco para não perderem fôlego, mesma fórmula usada por Luciano Huck, na Globo. Em seus programas, o auditório é quase uma alegoria dispensável.

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Estreia do Agora é com Datena mantém audiência da Band

Já Agora É com Datena é um programa de auditório “raiz”. Quase tudo o que acontece no programa está concentrado no palco circular comandado por José Luiz Datena. Um palco bonito e de muito bom gosto, diga-se. No entanto, haja atrações para ocupar o palco por tanto tempo. O resultado na tela foi essencialmente musical, com as presenças de Amado Batista e de Zezé di Camargo, em momentos diferentes, mas ambos ocupando uma grande parcela do tempo da atração. Agora É com Datena recebeu ainda a dupla Bruno e Marrone num segmento pré-gravado (e que foi colocado no ar sem cuidados, já que Datena chegou a anunciar um intervalo durante a entrevista, que não aconteceu. Ficou claro que deveria ter tido uma pausa ali, mas mudaram de ideia).

Fugindo da música, o programa exibiu ainda uma entrevista com Jair Bolsonaro e uma reportagem. Na última hora de Agora É com Datena entrou o game show A Fuga, uma divertida competição que fez o espectador despertar. Com bom ritmo e bem apresentado por Datena, o quadro foi o único destaque positivo da estreia.

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Uma pena que o restante do Agora É com Datena não apresentou o mesmo fôlego que A Fuga. Para um programa de seis horas, faltou atração. Mais do que isso: faltou a compreensão da emissora de que este tipo de programa enorme já não mais dialoga com o público de hoje, que pede mais agilidade e menos enrolação. Assistir ao Agora É com Datena do começo ao fim é um convite à sonolência e ao tédio.

A mudança de ritmo percebida na passagem entre as primeiras cinco (!) horas da atração até A Fuga já demonstra bem o rumo que Agora É com Datena deve tomar. Para sobreviver por todo este tempo sem cansar o público, a direção do programa deve trazer mais variedades à colcha de retalhos apresentada por Datena. Para um programa tão longo, a receita é fazer como “miniprogramas” costurados, com quadros mais elaborados e que vão além do “blá-blá-blá” no palco. Do jeito que está, Agora É com Datena parece programa de auditório dos anos 1970.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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