Silvio de Abreu substitui Guel Arraes no comando das séries da Globo: o que muda?

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Nos últimos dias, foi notícia de que Guel Arraes, Diretor de Teledramaturgia Semanal da Globo, pediu para deixar o cargo. Arraes era responsável pelas séries e humorísticos da emissora, mas saiu desta função para poder voltar à criação, um desejo seu. Com isso, Silvio de Abreu, Diretor de Teledramaturgia Diária (responsável pelas novelas, “superséries” e Malhação), passa a responder também pela pasta deixada por Arraes.

Desde que a Globo criou quatro “superdiretorias” que dividiram o entretenimento da emissora (que antes era comandado por um único diretor, Manoel Martins), em 2015, Guel Arraes passou a definir as séries do canal, analisando projetos e atuando no sentido de formar novos autores, cuidando da Casa dos Roteiristas. Apesar de a Globo ter diminuído o espaço para séries em sua linha de shows, apostando em “superséries” mais longas, e até enlatados, o canal aumentou a aposta em novos formatos e o diálogo com as demais plataformas. O lançamento da GloboPlay permitiu com que os lançamentos das séries fossem repensados, ampliando as opções de escoamento da produção. Além disso, aumentou a aposta em coproduções, injetando sangue novo na produção seriada da Globo.

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A política de Arraes, portanto, fez aumentar a cartela de opções das séries da Globo, que passou a buscar novos formatos além das comédias. Nestes três anos, o canal fez experimentações, como Supermax, e apostou em dramas, como Nada Será Como Antes, e outros formatos, como Cidade Proibida. Além disso, emplacou sucessos, como Mister Brau, que caminha para a quarta temporada, e Sob Pressão, que terá um segundo ano.

Por outro lado, Arraes acabou priorizando projetos de autores já tarimbados, como Jorge Furtado e Claudio Paiva (este último chegou a ter duas séries no ar ao mesmo tempo, Tapas & Beijos e Chapa Quente). O site Notícias da TV chegou a noticiar, em 2016, que os roteiristas de humor da Globo estavam desmotivados, pois Arraes e Paiva só abraçavam projetos deles mesmos. A emissora negou o desconforto, citando autores como Fernando Bonassi e Marçal Aquino (de Supermax) como apostas.

Sendo assim, com a saída de Arraes e a chegada de Silvio de Abreu, é bem provável que o novelista implante a mesma política de renovação adotada na área das novelas, apostando em novos formatos e autores. De 2015 para cá, Abreu lançou vários novos autores de novelas, como Maria Helena Nascimento (Rock Story), Rosane Svartman e Paulo Halm (Totalmente Demais) e Thereza Falcão e Alessandro Marson (Novo Mundo), além de Cao Hamburger (de Malhação: Viva a Diferença), entre muitos outros. Provavelmente, ele deve se abrir a novas possibilidades também no campo dos seriados. A escolha de Gloria Perez para cuidar da Casa dos Roteiristas pode ser uma boa, pois Gloria provou entender do gênero quando escreveu Dupla Identidade.

O desafio, além da renovação de autores, é apostar em séries com possibilidades de desdobramentos, já que grande parte dos seriados da Globo não chega a ter uma segunda temporada, o que compromete o seu desempenho no mercado internacional. Sendo assim, vale ficar atento a estas mudanças e o que elas significarão, de fato, na produção seriada da Globo.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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