Juventude perdida: adolescentes não têm mais vez na televisão

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Muito se fala que os jovens já não assistem mais televisão. Crianças e adolescentes, dizem, andam preferindo a internet, trocando a TV convencional pelo YouTube e pela Netflix, passando horas diante do celular. Não é uma mentira. O avanço tecnológico vem provocando mudanças comportamentais que alteram significativamente a maneira de assistir televisão, e é no público juvenil que esta mudança é observada com mais intensidade.

Concomitantemente, fato é que nunca se produziu tão pouco para a juventude na televisão convencional quanto agora. A justificativa é justamente esta perda de público para outras mídias. Mas será que este público não acaba, também, buscando outras mídias pelo fato de não ser mais contemplado pela TV convencional? Se um adolescente optar por deixar o celular de lado e ligar a TV, provavelmente não encontrará nada que o interesse.

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Na TV aberta, o único produto genuinamente voltado para jovens é Malhação, cuja temporada Viva a Diferença tem registrado excelentes índices de audiência. E só. Muito pouco para uma parcela tão expressiva da população.

Num passado remoto, adolescentes tinham vez na TV. Basta lembrar do lendário Programa Livre, de Serginho Groisman, que dava voz à plateia adolescente. O apresentador ainda faz isso no Altas Horas, mas o programa da Globo já busca um público mais amplo, e não apenas jovem. O mesmo aconteceu com Luciano Huck, que falava à molecada no H, da Band, mas conversa com a família no Caldeirão do Huck, da Globo. A plateia pode ter muitos jovens, mas as atrações do programa pouco conversam com o público adolescente.

A Band também já teve Otaviano Costa, Sabrina Parlatore e Marcos Mion falando ao público jovem. Hoje, não produz nada para este público. A Record já teve o mesmo Mion até pouco tempo atrás, mas o seu Legendários também já buscava uma plateia mais ampla. E, mesmo assim, saiu do ar este ano. O SBT, “casa” do Programa Livre, tinha entre os adolescentes uma plateia cativa das séries enlatadas que exibia anos atrás. Hoje, não produz mais nada para jovens, e quase não tem espaço para séries. A TV Cultura já brindou este público com pérolas como Confissões de Adolescente, além de programas como Matéria Prima, Fanzine, RG, Pé na Rua e Login. Hoje, não tem nada. Até a RedeTV! já falou com este público nos tempos do Interligado e, mais recentemente, com o game show Estação Teen. Mas hoje tem uma grade “envelhecida”.

A TV aberta já quase não dedica tempo às crianças faz tempo. Mas, como se vê, adolescentes também não são devidamente contemplados. Ou seja, a TV não está formando futuros espectadores. Complicado.

O Outro Lado do Paraíso é fraca, mas sua estrutura narrativa permite bons momentos

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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