Mudanças bruscas agravam crise da teledramaturgia da Record

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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A Record pegou todo mundo de surpresa ao suspender a produção de Topíssima, trama de Christianne Fridman que substituiria Belaventura na faixa das 19h30 da emissora. A surpresa foi maior porque a notícia da mudança aconteceu justamente um dia depois de o canal revelar que a trama se chamaria Topíssima – anteriormente, ela era tratada com o nome provisório Rosa Choque.

Pouco tempo depois, outra notícia importante sobre a teledramaturgia da emissora foi dada. Com o fiasco de Apocalipse, a história assinada por Vivian de Oliveira (e pelo clã de Edir Macedo) será encurtada em 60 capítulos. E sua substituta será A Vida de Jesus, novela sobre o líder do cristianismo assinada por Paula Richard, a mesma autora de O Rico e Lázaro. Foi uma notícia e tanto, já que, até aqui, o previsto era que Apocalipse fosse substituída por Gênesis, trama que mostraria o início da humanidade a partir da história de Adão e Eva.

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Ou seja, em poucas semanas, duas mudanças de rumo importantes na dramaturgia da Record aconteceram. E tais acontecimentos expõem que, mais uma vez, a emissora tem sofrido as consequências de sua falta de planejamento. O canal, que já teve sua dramaturgia fortalecida, mas viu sua audiência cair a partir da crise iniciada por Máscaras (e agravada com as tramas posteriores), só conseguiu voltar a atingir bons índices a partir do êxito de suas novelas bíblicas e o sucesso de Os Dez Mandamentos. Êxito este que, agora, já não mais existe.

O cansaço causado por O Rico e Lázaro, seguido da decepção do controle da igreja diante do texto de Apocalipse, fizeram o principal horário de novelas da Record sucumbir. E agora, fica a desconfiança acerca da mudança de sua substituta, pois A Vida de Jesus não estava nos planos iniciais e, agora, será produzida a toque de caixa, aumentando o risco da nova produção.

Já a faixa das 19h30 sempre pareceu improviso: foi criada para a exibição de Escrava Mãe, num momento em que a trama sobre a mãe da escrava Isaura deixou de ser a substituta de Os Dez Mandamentos (que era o plano inicial), mas, como deu certo, foi mantida a fórceps. Como o canal parece não ter fôlego para manter duas produções contínuas de novelas, a faixa das 19h30 foi mantida com a reprise de A Escrava Isaura, para que houvesse tempo para a produção de Belaventura. E a trama medieval de Gustavo Reiz não correspondeu às expectativas, o que pode ter feito a direção da emissora questionar a real necessidade de um segundo horário de novelas. Ou seja, não estranhem se Topíssima for definitivamente cancelada, ou produzida para o horário das 20h30 caso o projeto de tramas bíblicas não retome o sucesso.

Não tem jeito. Enquanto houver esta forte influência da igreja nos rumos das tramas bíblicas e esta total falta de planejamento na linha de produção de novelas da Record, a teledramaturgia da emissora deve continuar indo ladeira abaixo. E, se consideramos que as reprises da tarde estão indo muito bem, fica o indício de que o público da emissora gostaria de ver tramas com outras temáticas também. É preciso dar um basta no amadorismo.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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