Viva resgata o melhor de Manoel Carlos em reprise de Por Amor

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Na noite de hoje (15), às 23h30, o canal Viva exibe o último capítulo de Por Amor, uma das mais celebradas novelas de Manoel Carlos. Exibido originalmente entre 1997 e 1998, o folhetim ganhou um bem-vindo repeteco 20 anos depois, servindo para que o público reencontrasse o autor em sua melhor forma. Além disso, serve também como estudo social, no intuito de percebermos como o comportamento do brasileiro mudou de 1997 para cá.

Por Amor conta a história de uma das mais extremas Helenas já criadas por Manoel Carlos. A heroína de Regina Duarte abriu mão do próprio filho para ver feliz a filha, a chata Eduarda (Gabriela Duarte), uma jovem mimada que a destratou várias vezes ao longo da obra. Além disso, Helena passou por cima dos sentimentos do amado Atílio (Antonio Fagundes), sem considerar a dor do pai que, em tese, perdeu um filho. Uma atitude que, embora tenha seu lado nobre, tem também seu lado extremo e egoísta.

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E, claro, é justamente por isso que a novela funciona. Por Amor é um folhetim despudorado, liderado por uma heroína cheia de contradições, mas que respira humanidade. Além disso, tem a seu lado uma série de bons personagens, como a vilã Branca Letícia de Barros Mota (Susana Vieira), que carregavam a novela mesmo quando nada de muito relevante acontecia. E, vamos combinar, a trama teve suas “barrigas”, já que o autor optou por cozinhar boa parte das histórias em banho-maria, deixando as grandes resoluções da obra apenas para o último capítulo.

Mas, como dito antes, o mais interessante neste retorno de Por Amor é notar as mudanças sociais pelas quais passamos. O mais gritante é a questão do machismo, algo também observado na reprise de Laços de Família, no ano passado. É impressionante como muitas das atitudes dos homens da novela têm justificativas machistas e que passavam em brancas nuvens há 20 anos. Basta observar Marcelo (Fábio Assunção), em tese um dos mocinhos da obra, mas um homem mimado, intransigente e que tratava mal todas as mulheres com quem se relacionou. Posava de joia rara enquanto observava, de camarote, duas mulheres se engalfinhando por causa dele. O tempo fez com que o filho de Branca ficasse ainda mais insuportável visto agora, nos dias de hoje.

Mesmo assim, Por Amor é Manoel Carlos em sua melhor forma. Rever a trama, ainda mais um ano depois de ter podido rever Laços de Família, é reencontrar um autor que, infelizmente, foi perdendo força dramatúrgica em seus trabalhos posteriores. As duas tramas eram bem estruturadas, tratavam de temas polêmicos, tinham bons coadjuvantes e, principalmente, duas Helenas cheias de conflitos internos, e que, de fato, protagonizavam a obra. Isso sem falar na poderosa direção de Ricardo Waddington, que “traduzia” em imagens o texto de Maneco como ninguém.

Nas novelas seguintes do autor, a “mítica” Helena foi perdendo importância dentro da arquitetura narrativa de suas tramas. Não eram mais elas quem levavam a história, sendo que algumas delas nem ao menos tinham força dramática para isso. As Helenas de Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida, Viver a Vida e Em Família nem se comparam às de Laços de Família, Por Amor, História de Amor ou Felicidade. E é por estas e outras que rever um clássico como Por Amor sempre vale a pena.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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