Filhos da Pátria é uma excelente comédia de costumes sobre o Brasil

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Em meio a uma das maiores crises políticas de sua história, falar de corrupção no Brasil é quase cair no lugar-comum. Afinal, todos concordamos que o “jeitinho brasileiro” confunde-se com a própria História do país, e que corrupção existe por aqui desde a descoberta. E a série Filhos da Pátria, que estreou na noite de ontem (19), na Globo, faz comédia justamente tendo esta premissa como mote.

Na trama, o funcionário público Geraldo Bulhosa (Alexandre Nero) tem medo de perder o emprego quando é declarada a Independência do Brasil, pois é responsável pelas correspondências entre Brasil e Portugal. Muito correto, o pai de família é ridicularizado por todos, começando pela sua própria esposa, Maria Tereza (Fernanda Torres), que não se conforma que o marido não faça parte de nenhum esquema para lhe dar uma vida melhor. Pressionado por todos os lados, Geraldo acaba cedendo à ideia de Pacheco (Matheus Nachtergaele) para participar de um esquema de desvio de verba.

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Esta inversão de valores tão evidente no país, no qual o “espertalhão” é o herói, enquanto o honesto é o bobo, ganha uma moldura histórica em Filhos da Pátria. E este é o grande charme do texto de Bruno Mazzeo, que brinca com os costumes nacionais e evidencia de que o país de hoje, no fundo, é o mesmo desde 1822. Ou antes.

Além do pano de fundo inteligente e do humor refinado, Filhos da Pátria traz personagens bem desenhados e facilmente reconhecíveis. O clã Bulhosa protagoniza e, além dos tipos evidentes do pai meio bobalhão e a mãe que sonha em uma vida melhor, há ainda os filhos, o folgado Geraldinho (Johnny Massaro) e a “feminista” Catarina (Lara Tremouroux). Outros personagens que divertem são os escravos, a resignada Lucélia (Jéssica Ellen) e o incrédulo Domingos (Serjão Loroza).

Filhos da Pátria, assim, se mostra mais atual do que nunca. E, num momento de crise como o atual, trata-se de uma comédia bastante oportuna, pois proporciona, por meio do humor, uma importante e necessária reflexão. Veio em boa hora, e é mais uma grande investida da Globo.

O que esperar de Filhos da Pátria, nova série da Globo

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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