Cidade Proibida resgata clássica trama de detetive, mas tom machista soa antiquado

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Ao que tudo indica, a Globo está desenvolvendo uma apreço a séries “de época”. Depois de Nada Será Como Antes, um romance passado nos anos 1950 sobre o início da TV no Brasil, a emissora aposta agora em Cidade Proibida, desta vez uma série de detetive. A nova produção chama a atenção pelo tom noir, misturando mistério, humor e certo glamour.

No Rio de Janeiro dos anos 1950, Zózimo Barbosa (Vladimir Brichta) é um detetive particular especializado em casos de traição. Charmoso, está sempre usando a sua lábia sobre as belas mulheres que o procuram. Vive uma relação sem compromisso com a prostituta Marly (Regiane Alves), que é apaixonada por ele. Também está sempre em um bar frequentado pelo policial Paranhos (Ailton Graça) e o gigolô Bonitão (José Loreto). No primeiro episódio, Zózimo é envolvido numa arapuca por Lídia (Claudia Abreu), um amor do passado.

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O tom é dos filmes clássicos de detetive, com narração em off do detetive passando as impressões ao público, e a indefectível reviravolta no roteiro, que desmascara o verdadeiro vilão do episódio perto do fim. No entanto, ao assistir Cidade Proibida, não há como não fazer uma comparação com Mad Men, premiada série estadunidense sobre o mundo publicitário dos anos 1960. Claro, por ser uma produção americana da TV a cabo, Mad Men tinha uma ousadia estética e de roteiro que a coloca anos-luz à frente de Cidade Proibida, que é bem mais convencional. No entanto, mesmo com esta diferença, as duas séries têm como uma de suas molas propulsoras a abordagem da época retratada, sobretudo no que se refere aos ambientes ditos essencialmente masculinos.

Em Mad Men, os homens davam as cartas em importantes cargos e negócios, enquanto as mulheres eram donas de casa. As poucas que trabalhavam eram secretárias, submissas aos chefes homens e vistas quase com maus olhos. Cidade Proibida também tem este traço, tanto que a única mulher de seu elenco fixo é Regiane Alves, vivendo uma prostituta, o que a credencia a frequentar ambientes masculinos e conviver com os homens de igual para igual. Mesmo assim, Mad Men colocava suas mulheres como personagens fortes e, mesmo em ambientes masculinos, eram mostradas como agentes da situação. Não eram passivas, embora submetidas às condições da época.

Falta este contraponto à Cidade Proibida. Não chega a ser um problema, já que está de acordo com a época mostrada, mas nestes tempos em que se discute tanto o machismo e o papel da mulher na sociedade, uma série nestes moldes soa antiquada. Mesmo assim, Cidade Proibida tem suas qualidades. A série criada por Mauro Wilson e Maurício Farias, baseada em O Corno Que Sabia Demais, HQ de Wander Antunes, é charmosa e traz algo diferente ao horário de exibição. A direção de Maurício Farias é certeira e o elenco, afinadíssimo. Não reinventa a roda e nem surpreende, mas pode divertir.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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