Belaventura traz o bom e velho folhetim numa nova embalagem

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Um primeiro capítulo bastante movimentado e com jeitão de folhetim tradicionalíssimo. Esta é a impressão inicial de Belaventura, nova novela da Record que estreou hoje (25), substituindo a reprise de A Escrava Isaura. O autor Gustavo Reiz, que assinou também Escrava Mãe, tem se mostrado um exímio carpinteiro do romance açucarado nas novelas, fazendo um bom uso de todos os clichês do gênero. Com esta fórmula, fez da história da mãe da Escrava Isaura uma das melhores novelas da Record.

Em Belaventura, na estreia, já jogou as cartas na mesa. Já apresentou uma vilã-mor malvadíssima e muito interessante, a Marión. Casada com o Conde Severo (Floriano Peixoto), aspirante ao trono do reino de Belaventura, ela não mede esforços para conseguir se tornar rainha. O perfil de bruxa má casa direitinho com a excelente atuação de Helena Fernandes, bruxa adorável desde os tempos em que vivia Silvana, a arquirrival da fada Bela (Angélica), em Caça Talentos, na Globo.

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Também não faltou uma paixão arrebatadora. Pietra e Enrico se apaixonaram ainda crianças e já se reencontraram, agora adultos. Ela vive a agonia de ter visto sua mãe desaparecer. Já ele é o herdeiro do trono de Belaventura, filho do Rei Otoniel (Kadu Moliterno), e que viu a mãe assassinada logo após a vitória de seu pai na batalha pelo trono. Lucy (Larissa Maciel), a mãe de Pietra, guarda um segredo sobre a origem da filha, segredo este ligado aos nobres de Belaventura. Enquanto não reencontra a mãe, Pietra viverá a clássica história do amor proibido com o príncipe Enrico.

A Record acertou na escalação dos jovens protagonistas. Rayanne Moraes, a Pietra, e Bernardo Velasco, o Enrico, são rostos ainda não muito conhecidos. É importante lançar novos nomes, ainda mais numa trama que, apesar de ser um novelão clássico, traz uma nova embalagem às novelas da Record, ao situar a trama na Idade Média. Um rosto desconhecido ajuda o espectador a embarcar na fantasia.

Falando na “embalagem” de Belaventura, está aí a única novidade da nova aposta da Record. Não que novelas medievais sejam novidade, afinal, em sua origem, as novelas brasileiras se passavam em reinos distantes, com nobres vivendo grandes histórias de amor. Já na dramaturgia moderna, Que Rei Sou Eu? é a grande referência em novelas “capa-e-espada”. Porém, a trama de Cassiano Gabus Mendes era uma grande comédia, funcionando como uma farsa, uma alegoria ao Brasil. Já em Belaventura, o cenário serve como combustível ao romance, quase como num filme de “sessão da tarde”.

Em tempos de Game of Thrones bombando, Belaventura tenta beber da fonte. E sem esconder a inspiração, vide a batalha pelo trono no primeiro capítulo, ou até mesmo a abertura (aliás, belíssima) que traz vários elementos do reino se movimentando como engrenagens, tal qual a similar estadunidense. Ou seja, Belaventura é uma aposta que, apesar de oferecer uma trama tradicional, não deixa de ser uma ousadia, já que terá a missão de conquistar o público fazendo-o acreditar naquele universo situado na Idade Média, em algum canto da Europa, onde todos falam português (alguns com forte sotaque carioca, diga-se). A trama é boa e pode ser bem-sucedida na missão. Com a palavra (e o controle remoto), o espectador!

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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