2016: O ano em que a guinada televisiva de Xuxa ficou só na promessa

Publicado há 4 anos
Por Redação
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  • por Piero Vergílio

Em março de 2015, quando Xuxa Meneghel chegou a Record, tanto a apresentadora quanto a emissora fizeram dezenas de promessas. Uma Xuxa que, após 29 anos e vários formatos na Rede Globo, seria apresentada de um jeito completamente novo, amparada principalmente por uma liberdade quase que irrestrita, que a loira alega ter sido cerceada em seus últimos anos enquanto contratada da rede dos Marinho.

O “Xuxa Meneghel” saiu do papel em 17 de agosto de 2015. No final do ano, porém, já era possível constatar que alguns dos planos já haviam ficado pelo caminho. Por conta da transferência do complexo de estúdios localizado em Vargem Grande para a produtora Casablanca, a exibição dos programas ao vivo – uma antiga reivindicação da apresentadora – foi suspensa.

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Desta maneira, 2016 já começou com algumas incertezas para a veterana. A opção pelo modelo de gravações antecipadas – que, a princípio, seria temporária – acabou prevalecendo, embora Xuxa tenha feito diversas tentativas para retomar a transmissão em tempo real. Para a Record, por sua vez, a prioridade da eterna Rainha dos Baixinhos deveria ser com o conteúdo do programa, e não com o esquema de exibição.

Ainda no primeiro mês do ano, o descontentamento com os resultados culminou na saída de Mariozinho Vaz. Tempos depois, o programa também perderia Patrícia Guimarães, a segunda na linha hierárquica da direção. Ambos tinham uma longa lista de serviços prestados ao Grupo Globo e atenderam ao convite de Xuxa. Mais cautelosa, a ex-paquita Andrezza Cruz – um dos nomes fortes do “TV Xuxa” – preferiu não se arriscar.

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Com a missão de alavancar a audiência, Ignácio Coqueiro – que até então respondia pelo “Hora do Faro” – assumiu o semanal de Xuxa. A promessa era investir na aquisição de formatos internacionais diversos, afastando-se da ideia de transformá-la numa cópia fidedigna de Ellen Degeneres. No primeiro programa sob nova direção, ela gravou com as pernas de fora. Mas acalmem-se: a ousadia não se tornou regra. Era carnaval!

Oficializada a troca de comando, a audiência de Xuxa oscilou, via de regra, entre cinco e seis pontos, algumas vezes mais, outras menos. Em março, a apresentadora desabafou sobre a pressão, ao responder o comentário de uma seguidora no Facebook. “Acho que realmente as pessoas não gostam do que tenho para oferecer. Aliás, nem sabem, não viram, mas não gostam”, concluiu.

Nem mesmo a tão aguardada exibição do XuChá – espetáculo em que a loira revive seus tempos de Rainha, resgatando a nave especial que marcou toda uma geração – fez muita diferença nos índices, apesar do deleite daqueles que a acompanham há três décadas. Ao longo de 2016, o saldo final é completamente desfavorável: Xuxa não conseguiu vencer nenhum dos confrontos contra o “Programa do Ratinho”. A falta de competitividade da rival chegou a ser ironizada por Lucimara Parisi, atualmente na equipe de Carlos Massa, durante participação no “Fofocando”.

Na balança dos números, o melhor desempenho foi registrado em 30 de maio, quando “Xuxa Meneghel” alcançou 7,9 pontos de média. Naquele dia, Xuxa recebeu Simone e Simaria e o youtuber Whindersson Nunes, fenômeno de repercussão na plataforma de compartilhamento de vídeos do Google. No outro extremo, o programa de 26 de setembro – do qual participou a banda “Melanina Carioca” – foi o que menos arrebatou a plateia, marcando pífios 4,2.

Neste cenário, a necessidade de mudanças torna-se urgente. Em meio as drásticas alterações que a Record planejava para a sua grade, a migração de Xuxa para os sábados era considerada irreversível. Cogitou-se uma dobradinha entre a ex-global e Sabrina Sato, cujo programa seria antecipado para os fins de tarde. Na rádio-corredor da Record, houve quem garantisse que o desejo da apresentadora eram as noites de domingo, na faixa que sucede ao “Domingo Espetacular”.

Há algumas semanas, a divulgação de um desfecho que parecia surpreendente para este roteiro tão intrincado: Xuxa voltaria, sim, aos sábados – dia que ocupava em seus últimos anos de Globo – mas também manteria as segundas sobre o seu domínio. Acumularia, portanto, duas atrações, assim como o que ocorreu de forma regular entre 1997 e 2001, quando esteve à frente de “Xuxa Park” e “Planeta Xuxa”, na Globo. O “redondinho”, aliás, seria uma das fontes de inspiração da loira para este 2017.

Em 25 de dezembro, porém, foi divulgada a notícia que colocou um ponto final em todas as especulações. No fim das contas, mesmo depois de tanto alarde, tudo fica como está e ela continua apenas às segundas. Mantê-la em um dia em que não rendeu os resultados esperados, é uma decisão que só se justifica se a equipe – e, principalmente a própria Xuxa, cuja teimosia é um dos traços mais marcantes da personalidade – levarem a sério a promessa de se reinventar, reafirmada há alguns dias em entrevista ao “Programa do Porchat”.

Aliás, a franqueza da apresentadora durante este bate-papo é louvável. Num arroubo de sinceridade, a mãe de Sasha admitiu não estar contente com o atual formato de sua atração. E prometeu uma reformulação completa, sem, no entanto, antecipar muitos detalhes. “São várias cabeças pensando e temos possibilidade de fazer muitas coisas legais”, instigou. Apesar disso, sabe-se que a Record cogita comprar um dos formatos que inspirou a “Dança dos Famosos”, um dos quadros de maior repercussão do programa de Fausto Silva.

Antes de encerrar esse texto, faz-se necessário uma ressalva para mencionar o paradoxo que cerca o nome de Xuxa Meneghel: se, na televisão, o atual momento passa longe de ser propício, o mesmo não se aplica a todas as outras atividades nas quais ela se envolve. A primeira esquete para o “Porta dos Fundos” e o institucional de “Stranger Things”, para a Netflix, tiveram uma repercussão altamente positiva. O próprio XuChá é outro bom exemplo: sim, a plateia é composta essencialmente por fãs, mas, de toda forma, para alguém que monta um espetáculo unicamente baseado em canções antigas, lotar grandes casas de shows não deixa de ser um feito notável.

E talvez esteja aí o principal desafio da eterna Rainha dos Baixinhos: encontrar um ponto de equilíbrio entre a Xuxa que “reina” fora das telas e é idolatrada por multidões e a comunicadora, que empresta seu nome a um programa e tem por obrigação dialogar – e conquistar – uma faixa de público bem mais ampla do que os “eternos baixinhos” que cresceram com ela.

Como se nota, ao longo deste texto, a palavra que sintetiza a passagem de Xuxa pela Record é “promessa”. Ao final deste ano, ela “promete”, mais uma vez, se reinventar. Todavia, a gente torce para que a loira, desta vez, torne uma realidade tudo aquilo que anuncia e consiga realmente dar essa guinada, pois, a cada “promessa” renovada – que ela própria não conseguiu cumprir ou porque não lhe deram as condições necessárias para isso – as palavras vão ficando mais vazias.

*As informações e opiniões expressas nessa coluna são de total responsabilidade de seu autor.

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