Sem salário, funcionários de afiliada da Band passam fome e estudam paralisação; sindicato aciona MP

TV Tribuna é denunciada por atraso nos pagamentos e péssimas condições de trabalho

Publicadohá pouco tempo
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Afiliada da Band em Pernambuco, a TV Tribuna passa por sua pior crise em 30 anos. Funcionários do departamento de jornalismo não recebem salários desde fevereiro e enfrentam dificuldades para sustentar suas famílias. Desesperados, eles pediram socorro ao sindicato da categoria, que denunciou o canal ao MPT (Ministério Público do Trabalho) e à cabeça de rede, em São Paulo. Se nenhuma quantia for paga até a próxima semana, os profissionais cogitam paralisar os trabalhos.

“O fato é que os funcionários estão passando fome. Essa é a realidade. Não é um problema só para quem está trabalhando. Alguns companheiros de outras emissoras estão tentando montar uma campanha para arrecadar alimentos aos amigos da Tribuna”, revela à coluna Severino Pereira Leite Júnior, presidente do Sinjope (Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco).

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Aproximadamente 30 funcionários não recebem salários integrais desde fevereiro. Outros encargos trabalhistas, como recolhimento de FGTS e pagamento de INSS, também estão sendo descumpridos. Quem saiu de férias só recebeu a quantia referente ao período um mês depois de retornar ao trabalho.

A coluna apurou que, em fevereiro, último mês em que houve algum pagamento, a Tribuna depositou aos colaboradores R$ 1.500, divididos em três parcelas de R$ 500, o que corresponde a menos da metade do salário líquido dos jornalistas. Incomodados, eles pediram explicações à direção, porém sequer foram ouvidos, como afirma à coluna uma das funcionárias atingidas pela crise financeira da afiliada da Band.

“Nossos chefes estão sem falar com a gente, deixando de seguir em rede social, levando a coisa para o lado pessoal e para a mágoa. São três meses sem salário, com R$ 500 pingando a cada 15 dias. É bem frustrante. Trabalhamos normalmente. Ninguém parou. As contas atrasam e o nosso psicológico está muito afetado”, desabafa.

Duas assembleias virtuais foram realizadas entre representantes do sindicato e profissionais descontentes com o atraso salarial. A terceira ocorrerá na primeira semana de maio. “Há uma tendência e um pedido de grande parte dessas pessoas insatisfeitas para que organizemos uma paralisação. Se no quinto dia útil não houver nenhuma resposta, marcaremos para o dia seguinte”, antecipa a empregada do canal.

A TV Tribuna, braço midiático do Grupo João Santos, foi fundada em novembro de 1991, inicialmente como afiliada da Band. Entre 1998 e 2012, passou a retransmitir a Record. Na sequência, voltou ao Grupo Bandeirantes. O Sinjope comunicou a matriz paulista sobre a grave crise financeira de seu braço pernambucano e encaminhou a denúncia à Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). As duas entidades assinaram uma nota conjunta contra a emissora e em defesa dos funcionários atingidos pelos atrasos salariais (leia a publicação no Instagram ao final desta reportagem).

“Historicamente, a Tribuna era uma empresa que pagava bem e em dia seus funcionários, não tem histórico de ‘passaralhos’ [demissões em massa]. De fato, o ajuste financeiro das outras empresas do grupo acabou provocando essa situação ruim. Nos últimos cinco anos, degringolou para uma situação incontrolável. Quem paga por isso são os funcionários, que continuam produzindo como qualquer empregado que recebe seu salário em dia”, analisa o líder sindical.

A coluna entrou em contato com a TV Tribuna, mas não obteve retorno até a conclusão desta reportagem. O texto será atualizado assim que a emissora se posicionar. Procurada, a Band não comenta assuntos administrativos de suas afiliadas.

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