Sem Gugu, Silvio Santos e Faustão, TV que aprendemos a amar chega ao fim

Fim abrupto do Domingão é a pá de cal para a televisão brasileira se reinventar

Publicado em 21/6/2021
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O fim abrupto do Domingão do Faustão, substituído desde ontem pela Super Dança dos Famosos, sela o fim da TV brasileira que o público aprendeu a amar. Fora do ar até sua reestreia na Band, Fausto Silva foi um dos “donos” da televisão aos domingos e divide a coroa com Gugu Liberato e seu mentor, Silvio Santos. O trio forma a realeza que nos anos 90 levou aos lares brasileiros muita bagunça, diversão e entretenimento.

Faustão conseguiu a proeza de desbancar Silvio Santos, considerado o maior comunicador da TV brasileira líder de audiência aos domingos durante quase 30 anos. Na Globo, o Domingão forçou o dono do SBT a ocupar o fim de noite e entregar a Gugu o dia mais tradicional da emissora. Nascia, assim, a disputa mais ferrenha por audiência da história da televisão.

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No auge da “guerra” dominical por audiência, Fausto Silva convidou famosos para deliciarem um “sushi erótico”, servido nas partes íntimas de uma mulher nua, enquanto Gugu Liberato fingia ser mendigo no centro de São Paulo na estreia do quadro Sentindo na Pele. Naquela tarde de 26 de outubro de 1997, o SBT atingiu 33 pontos e bateu a Globo, que só chegou a 29 na Grande São Paulo.

Na década de 1990, auge da televisão brasileira, o brasileiro ainda não tinha computador, celular, internet ou segunda tela. O entretenimento mais acessível estava ao alcance do controle remoto do televisor. Aos domingos, o público trocava de canal para ver a Banheira do Gugu no SBT e os concursos da Morena e da Loira do Tchan na Globo. Chorava no Domingo Legal com a cobertura da morte do Mamonas Assassinas e se chocava com a apresentação do “Latininho” no Domingão. Eram horas de baixaria e sensacionalismo por uns pontinhos no Ibope.

E Silvio Santos? Eternizou sua melhor versão. Nos anos 90, apresentou Em Nome do Amor, Qual É a Música?, Show do Milhão e Topa Tudo Por Dinheiro, um dos melhores programas de sua carreira de sete décadas Neste palco, em 16 de agosto de 1992, o dono do SBT caiu em um tanque de água em uma cena lembrada até hoje pelos telespectadores.

Duas décadas depois, a televisão brasileira se rendeu aos formatos. O SBT lançou a Casa dos Artistas. A Globo contra-atacou com o BBB. A Record estreou A Fazenda. A Band emenda edições do MasterChef. Gradativamente, os programas de auditório “envelheceram”, restando poucos “guardiões” como Gugu, Faustão e Silvio.

Em 20 de novembro de 2019, o acidente fatal de Gugu nos Estados Unidos acelerou o fim da TV brasileira como conhecemos na década de 1990. No período, Silvio Santos gravou a última edição inédita de seu programa antes de viajar de férias até os Estados Unidos. Quando retornou ao Brasil, a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou pandemia de coronavírus, obrigando o apresentador de 90 anos a ficar em casa. Reprises tapam o buraco na programação até o dono do SBT, já vacinado, decidir voltar a trabalhar.

A pá de cal na programação mais absurda da história da TV ocorreu no último fim de semana na Globo. Fechado com a Band, Faustão estreou atrações especiais para seu último ano à frente do Domingão, como a Super Dança dos Famosos (com campeões de temporadas anteriores). Há duas semanas, o apresentador passou mal e ficou internado para tratar uma infecção urinária. Recuperado, não voltou para se despedir.

A televisão brasileira sem a figura do apresentador, imortalizada por Gugu, Silvio Santos e Faustão, terá que se reinventar para atrair o público novo, do streaming e das redes sociais, se quiser sobreviver, porque aquela TV que aprendemos a amar nos anos 90 já desapareceu.

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