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Nathalia Arcuri salva endividados em reality no YouTube e diz que volta à TV foi “aprendizado”

Influenciadora lança terceira temporada de Me Poupe! e avalia passagens por Band e RedeTV!

Publicado em 10/01/2022
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De repórter de TV a uma das maiores influenciadoras digitais do Brasil, Nathalia Arcuri se define como “missionária”: quer ensinar educação financeira e tirar o maior número de pessoas do “buraco”. O tema, sempre recorrente, está ainda mais atual e urgente. Três em cada quatro famílias estão endividadas no país, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada em novembro. Para “libertar” inadimplentes, a jornalista e empresária estreia nesta segunda-feira (10) a terceira temporada do reality show Me Poupe!, que volta a ser exclusivo na internet após passagem pela Band, em 2019.

Embora esteja no YouTube (em um canal com mais de 6,6 milhões de inscritos), o reality tem jeitão de TV. O diretor, Jorge Pestana, passou por BBB e The Circle antes de trabalhar com Nathalia Arcuri, que concebeu a ideia quando era repórter do Hoje em Dia (Record), há dez anos. A chefia não apenas esnobou o quadro, que pretendia “resgatar a autoestima e a saúde financeira de pessoas a beira do abismo da economia doméstica”, como tirou a criadora para colocar outro apresentador. A emissora nunca tirou o projeto do papel.

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Uma década depois, consolidada como youtuber e empreendedora, ela expõe o “não” recebido com o orgulho de quem deu a volta por cima. Na internet, Nathalia encontrou o espaço que havia sonhado na televisão para compartilhar o que faz desde os oito anos de idade: poupar. Milionária aos 32 anos, criou um método de organização financeira que já beneficiou 82 mil pessoas desde 2015. Durante live na última semana, vendeu seus cursos por R$ 1 e conquistou 400 mil novos alunos.

Em entrevista exclusiva à coluna, Nathalia Arcuri analisa sua trajetória do jornalismo para o empreendedorismo e conta as novidades da terceira temporada do reality show, mais concorrido do que qualquer vestibular. Quase 900 pessoas se inscreveram para a influenciadora escolher somente os três mais “ferrados”, na definição dela. O processo seletivo exclui dívidas fáceis de serem pagas e até encrencas criminais.

“Eles respondem um questionário imenso, com mais de 30 perguntas. A pessoa tem que estar muito ferrada mesmo. Não pode ser um caso simples, senão não tem conteúdo, é só ver o meu vídeo que resolve. Também não pode ser um caso com implicações jurídicas. Em triagens, já pegamos ‘laranjas’ de bandido, gente em dívida com agiota. Temos que tomar certos cuidados. É uma triagem que leva em consideração aspectos jurídicos, financeiros e emocionais. Chegam para mim cerca de 40 personagens, e participo do processo de seleção até chegar nesses três, porque sou eu que crio o passo a passo deles”, explica.

A terceira temporada de Me Poupe!, com um episódio por semana, começa com uma colecionadora de cartões de crédito. Em fevereiro, Nathalia tentará salvar uma dona de cafeteria e não sabe separar o CPF do CNPJ. O personagem de abril é um motorista especialista em gastar mais do que ganha.

A influenciadora também avalia sua desafiadora e tensa volta à TV. Na Band, multiplicou a carga de trabalho ao mudar o formato do reality, mas beirou o traço de audiência (menos de 1 ponto, desempenho muito pior do que no YouTube, onde só a segunda temporada já ultrapassou 26 milhões de acessos). Em 2021, pediu demissão da RedeTV!, três meses depois da estreia de seu talk show, em repúdio a Sikêra Jr., propagador de homofobia no programa Alerta Nacional. Sem rotular como boa ou ruim, Nathalia diz que as experiências nas duas emissoras trouxeram “aprendizados”.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com Nathalia Arcuri:

PAULO PACHECO: Você sempre fala do seu passado como jornalista, e quem trabalha nesta profissão sonha em mudar alguma realidade ou a vida das pessoas. Você se sente realizada mudando a vida das pessoas, mas não como jornalista?

NATHALIA ARCURI: Eu me transformei em especialista em planejamento pessoal e busquei o conhecimento ‘tradicional’, porque conhecimento não é só aquele que se aprende na faculdade. Até fui estudar sobre isso. Comecei a poupar com oito anos e a investir com 18, ensinei pessoas próximas a mim com 20 e poucos, mas o mercado ‘descredibilizava’ isso, porque esse conhecimento tácito não tem tanto valor hoje, as pessoas precisam de um ‘carimbo’. Comecei a entender, com o passar do tempo, que os resultados que eu trazia valiam mais do que qualquer tipo de carimbo de uma universidade, sem ‘descredibilizar’ a universidade, claro, mas é importante entender, ainda mais no mundo em que a gente vive hoje, as pessoas autodidatas, que é o meu caso. Eu nunca estudei na escola. Eu ia para a escola, só que estudava sozinha em casa porque nunca prestava atenção na aula. Sempre fui autodidata.

O ofício do jornalismo tradicional exige que você seja imparcial diante daquilo que está comunicando. Quando você vira a chave e passa a ser um vetor de transmissão de informações, eu tive de me adaptar. O começo foi difícil. Antes eu tinha que perguntar para o especialista, eu só transmitia a informação, mas não ficava satisfeita. Eu sabia que tinha mais coisas para falar, e aquilo me incomodava. Assumi o papel de especialista porque não estava contente. A informação que estava chegando, a forma, não só o conteúdo, não era o que as pessoas precisavam para aprender. Aí veio a mudança de chave. Minha bagagem jornalística me ajuda muito, principalmente na curadoria do conteúdo, e o formato que eu levo para as pessoas. Eu ainda me sinto jornalista, mas é como se eu tivesse adicionado novas camadas, inclusive a de empresária, sobre isso. Tive que também aprender a empreender para liderar um time que hoje tem mais de 100 pessoas.

PP: Mais de 100 pessoas e milhões de seguidores, não é? Sua empresa cresceu muito. Nasceu de um roteiro para TV, passou para um blog, um site e um canal, e há três anos ganhou o reality show.

NA: Pois é, e o reality agora ficou pequeno perto do todo.

PP: Sim, mas inicialmente era o seu objetivo. Você gosta de televisão e queria levar educação financeira de uma forma divertida e até moderna, em um reality show, para aproximar o público deste assunto. E foi um sucesso absoluto.

NA: A primeira temporada teve 6,5 milhões de visualizações. A segunda temporada, que colocamos também na Band, teve 26 milhões de views só no canal. Para esta temporada, contratamos uma produtora, o diretor já fez todos os realities que você possa imaginar.

PP: Quais são as diferenças desta temporada para as anteriores? Serão 12 episódios semanais, sendo quatro para cada participante.

NA: No roteiro, está mais parecida com a primeira. Quando começamos no YouTube, as pessoas tinham que esperar para saber o que ia acontecer. Funcionou muito bem, a galera queria saber se a pessoa ia conseguir ou não. Voltamos para esse formato inicial. Cada participante terá quatro episódios porque serão quatro semanas, é como se colocássemos cada uma dessas semanas compiladas em episódios, que terão no máximo 20 minutos de arte, e só no YouTube. Semana a semana, as pessoas vão descobrindo. Às vezes a pessoa melhora, às vezes piora. É legal que as pessoas sofrem a minha mesma angústia (risos).

PP: Como foram escolhidos os participantes desta temporada? Aproveitaram algum rescaldo de inscrições das temporadas anteriores? Foi muito difícil selecioná-las?

NA: Recebemos quase 900 inscrições só para esta temporada. Não fizemos rescaldo porque foram dois anos entre uma e outra e tivemos uma pandemia no meio do caminho. Gravamos no mês passado, já tínhamos certa flexibilização, mas fomos testados toda a semana, o que é obrigatório nas produções. Precisávamos abrir as inscrições de novo porque a ideia era justamente ajudar pessoas que foram impactadas financeiramente pela pandemia a se reerguer. O caso mais explícito é o da Raquel. Empreendedora, tinha um bom emprego, mas largou tudo para abrir um café no comecinho da pandemia. Ela basicamente acabou com todo o dinheiro que tinha para sustentar o café durante dois anos. Ela tem uma dívida de mais de R$ 200 mil. Outro caso é o do Lucas, que era entregador e roubaram o carro dele uma semana antes de o reality começar. Tainá, do episódio de estreia, sofreu indiretamente pela pandemia. Veio de baixa renda, foi a primeira da família a se formar, ganha salário médio de R$ 5 mil. Toda a família se apoia nela, mas não de uma maneira muito saudável. Tudo se transforma em um grande gatilho para tirar dinheiro da pessoa. Ela tem nove cartões de crédito e ainda tem uma maquininha em que empresta dinheiro para ela mesma! Nunca tinha visto isso. As inscrições passam por um filtro, eles respondem um questionário imenso, são mais de 30 perguntas. O que a gente avalia: a pessoa tem que estar muito ferrada mesmo. Não pode ser um caso simples, senão não tem conteúdo, é só ver o meu vídeo que resolve. Também não pode ser um caso com implicações jurídicas. Em triagens, já pegamos ‘laranjas’ de bandido, gente em dívida com agiota. Temos que tomar certos cuidados. É uma triagem que leva em consideração aspectos jurídicos, financeiros e emocionais. Chegam para mim cerca de 40 personagens, e participo do processo de seleção até chegar nesses três, porque sou eu que crio o passo a passo deles. Sou eu que desenvolvo com base na metodologia e com o auxílio de especialistas que treinei para me ajudar, porque são três ao mesmo tempo, e eu ainda tenho que coordenar a empresa e fazer outras coisas. Tenho um time de especialistas em finanças que me ajudam no dia a dia com esses personagens. Temos uma grande inovação: um aplicativo para eles falarem com uma inteligência artificial, com envelopes para eles colocarem quanto gastaram, quanto fizeram de renda extra e de negociação, se podem ou não podem gastar. Os dilemas do dia a dia agora têm um sistema tecnológico para ajudar nas pequenas tomadas de decisão.

PP: O app inclusive tem a sua voz. O Me Poupe sempre teve muito a sua cara, e você já disse que pensa em diminuir o ritmo. O aplicativo é uma forma de você começar esse processo?

NA: Acho que é um dilema de todo influenciador. Somos ferramentas de marketing extremamente poderosas. Antes, as empresas me procuravam porque os resultados que eu trazia para elas valiam muito mais do que um investimento em mídia paga, por exemplo. Quando entendi isso, também entendi que precisava criar a minha própria plataforma, os meus próprios produtos e negócios, mais em linha com o propósito da minha empresa, que é levar educação financeira de qualidade e ensinar as pessoas a se libertar. Começamos com o cursos, trouxemos especialistas. Nesse sentido, já temos uma descentralização. O Me Poupe tem uma gama de cursos já sem a minha imagem, mas com a metodologia e o jeito ‘Nath’ de fazer conteúdo. É uma empresa de impacto, até ganhou um prêmio no ano passado, Meaningful Business, que avalia negócios de impacto. Só 100 empresas no mundo inteiro foram premiadas. São empresas que geram lucro, mas a premissa principal é o quanto você conseguiu mexer em indicadores sociais. É neste segmento onde estamos. Os conteúdos estão a favor do impacto social. Por isso, mais importante do que descentralizar é escalar. Se eu ficasse só presa no conteúdo, eu não seria escalável. Agora, com uma tecnologia proprietária, eu sou. É menos por uma questão pessoal, porque minha missão está absolutamente conectada com minha vida pessoal. Eu me vejo como uma missionária, só que com uma plataforma de tecnologia consigo ampliar o alcance para fora do Brasil. Isso que estou pensando para o futuro.

PP: Quando seu canal começou a bombar, saíram as primeiras matérias sobre o seu primeiro milhão, como você ficou rica, se pensava em se aposentar. Na sua vida pessoal, como está o seu pensamento agora? Você também inspira as pessoas não só pelo que conquistou, mas pelo que você é. Há alguma outra ambição ou pensa em aposentadoria?

NA: Estou muito focada em ampliar o meu alcance como influenciadora, porque a gente vive um momento de influência. Acho que ainda tenho muito a crescer e alcançar com essa voz. Junto com isso, quero fazer a empresa crescer cada vez mais, dentro e fora do Brasil, através da tecnologia que estamos criando dentro de casa. É nisso que vou estar focada pelos próximos três anos, pelo menos. Sempre falo que eu queria ter a possibilidade de parar de trabalhar. Não quer dizer que eu vou, é trabalhar apenas porque quer, e não porque precisa. Hoje, eu tenho essa condição. Inclusive a minha empresa tem essa condição de trabalhar só com quem quiser. Influência não é um negócio. Até 2018, era o modelo porque vinha da TV, transferia conteúdo de graça e ganhava das marcas. No momento em que essa chave virou, entendi que eu era um ativo e poderia transformar isso em negócio para minha própria empresa e comecei a criar meus próprios produtos, já consegui me desplugar desse modelo de negócio a partir de 2019. É tudo pela liberdade de podermos fazer as nossas próprias escolhas. Hoje, eu sou uma pessoa capitalizada. Minha empresa é capitalizada. Conseguimos desenvolver a plataforma sem precisar de captação externa, o que é um privilégio. todas as startups precisam fazer rodadas de investimentos, e a Me Poupe não.

A influenciadora e educadora financeira Nathalia Arcuri (Divulgação)

PP: Você realizou um sonho ao levar o reality para a TV. A segunda temporada, que passou na Band, será reprisada no Sony Channel ainda este mês. Depois do reality, você apresentou um programa na RedeTV!, mas teve uma saída conturbada. Como você avalia estas passagens?

NA: Existe algo da cultura de startups que cada vez mais estou implementando dentro da Me Poupe. A gente precisa fazer testes. Uma empresa que não testa morre. Alguns testes vão dar muito certo. Outros vão trazer aprendizado. No fim, tudo dá certo quando você entende que o objetivo é testar. Alguns testes começam pequenos, as pessoas nem veem, e vão crescendo até se transformar em negócios gigantes, como é o caso dos negócios educacionais. Outros testes começam pequenininhos, a gente percebe que não funcionou, e eles morrem logo no começo porque não adianta continuar insistindo neles. Acredito que a TV foi isso, um grande teste em que aprendemos muito, trouxe visibilidade ao conteúdo, só que a gente percebeu que a grande dificuldade de estar na TV é fazer conseguir mensurar o tamanho do impacto para o resultado final, que é o número de pessoas assistindo àquele conteúdo. As formas de medida são difíceis de acompanhar. Se você não pode medir, é muito difícil saber se deu ou não deu resultado. Como tudo aqui na Me Poupe, a gente precisa testar. Com certeza trouxe muito aprendizado. Foi muito importante para a história da empresa, para a minha história também, e funcionou como um teste.

PP: A terceira temporada foi cogitada para a TV? Você procurou ou foi procurada para isso?

NA: Eu coloquei só no canal por causa dos dados. Medi como foi a primeira temporada, quanto custou, quanto alcançou, quantas pessoas assistiram e quanto do meu tempo foi dedicado a isso, que foi bem menor. O programa da TV tinha algumas obrigações de entrega. Agora, fizemos três personagens e vou ter no ar em três meses. Na TV, eu tinha 12 personagens e ficou no ar durante dois meses e meio. Foram quatro meses de trabalho para o mesmo resultado. É tudo uma questão de mensuração. É uma escolha pragmática, não emocional. Aliás, é o que eu ensino para as pessoas: ser mais racional e menos emocional nas suas escolhas com recursos escassos. Se eu quero poder me multiplicar, eu preciso fazer o melhor uso do meu recurso mais escasso, que é o meu tempo.Não é uma questão de ser bom ou ruim, é o que é melhor para o negócio, o que vai fazer mudar a vida de mais pessoas Temos que tomar muito cuidado com as chamadas métricas de vaidade. É muito fácil falar ‘estou na TV’. E daí? Para quantas pessoas você está falando? Quantas pessoas têm acesso a esse conteúdo? Se não posso medir, não tenho como comprovar resultado.

PP: No Instagram, você brincou que gostaria de entrar no BBB. Como fazer com que o campeão do reality show da Globo não se torne um endividado, gaste o prêmio de R$ 1,5 milhão e faça a inscrição para a quarta temporada do Me Poupe, se houver?

NA: Eu pedi para o Boninho me colocar lá dentro, porque aí já vou educando qualquer um que ganhar, já vai sair sabendo, não colocando um bancão para patrocinar o Big Brother e dando sugestão de onde investir dinheiro, porque aí realmente não vai funcionar.

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