Homofobia é crime: Na TV, jornalistas provam que não “somos todos Maurício Souza”

Apresentadores e repórteres se manifestam contra jogador de vôlei demitido por discriminar causa LGBTQIA+

Publicado em 28/10/2021 19:34
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“Somos todos Maurício Souza”? A tag que figurou entre os assuntos mais comentados do Twitter nesta quinta-feira (28) é mentirosa, como provaram jornalistas em diversos programas de TV. Impulsionada por perfis de extrema-direita, a manifestação de apoio ao jogador de vôlei demitido por homofobia destoa da opinião pública, que rejeita preconceito e ódio contra qualquer pessoa, independentemente da orientação sexual e da identidade de gênero.

A coluna reúne alguns posicionamentos de apresentadores e repórteres contra a LGBTfobia e o pedido de desculpas de Maurício Souza, que não convenceu. O campeão olímpico na Rio-2016, além de sair do Minas Tênis Clube, foi banido por Renan Dal Zotto, técnico da seleção brasileira de vôlei.

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“Maurício, homofobia não é opinião, é crime, cara. Mata! Você fez essa ofensa nas redes sociais que você tem mais de 300 mil seguidores. Depois foi pedir desculpa em uma que tem 50? Atitude covarde, né? Outra coisa, essa questão não é política. Você não foi demitido do Minas porque é conservador, de direita ou religioso, nem por causa da ‘lacração da internet’. Você foi demitido porque foi homofóbico e, pelo jeito, não se arrependeu. Homofobia é crime e não se respeita!”

(Felipe Andreoli, apresentador do Globo Esporte)

“Preocupação com a vida alheia? Que cuide da dele! Preconceito não!”

(Chico Pinheiro, apresentador do Bom Dia Brasil)

“Em hipótese nenhuma, qualquer postura homofóbica, por mais que ela seja considerada uma ‘opinião’, porque não existe opinião homofóbica, não é assim que a coisa funciona, pode ser relevada. Entendo perfeitamente o clube que o afastou, entendo perfeitamente todas as atitudes que a galera está tendo. Não concordo com essa tag. Eu não sou ele, eu não me considero ele, e acho super importante que um país que mata muito por causa da homofobia tenha uma postura que rechaça esse tipo de coisa. Sim, gente, temos que levar a sério, porque todos nós precisamos ser considerados iguais, seres humanos. E aí eu faço a pergunta: onde é que vai dar? Um desenho como esse que nós estamos vendo no telão vai dar onde? Vai dar em afeto, em amor, em alegria, em pessoas felizes, é aí que vai dar. Agora, se alguma pessoa se sente, sei lá, balançada por esse tipo de imagem, o problema não é quem está se beijando, o problema é que talvez o que essa pessoa considera como masculinidade seja uma coisa mais frágil. Gente, de boa, vamos parar com isso”

(Manoel Soares, apresentador do Encontro)

(Renato Peters, repórter esportivo da Globo)

“Homofobia não é questão de opinião. Ninguém pode chegar na rua e falar assim: ‘Eu tô afim de beber e dirigir e vou fazer isso porque eu tô afim, é liberdade de expressão’. Não é, está na lei, se você fizer é crime. E mais do que ser um impedimento por lei, por ser um crime, você tem que pensar por que você não pode beber e dirigir, por exemplo. Porque você coloca a vida dos outros em risco. A homofobia não é apenas ‘não vou ser homofóbico porque não quero cometer nenhum crime’, é porque também mata outras pessoas. As palavras matam. Essas pessoas que são assumidas LGBT às vezes perdem a família, são expulsas de casa, não conseguem ter emprego. Não é só pelo direito de amar e andar de mão dada com o namorado, é talvez de sobreviver, de não apanhar na rua. Essas palavras que têm tom homofóbico e às vezes passam por um discurso de valor são, na verdade, um crime, são violentas, afetam outras pessoas. Existem casais gays que têm valores de família, de respeito, de carinho, e existem casais héteros que não têm valores, que às vezes agridem a mulher, não têm respeito pelo filho e pela sociedade. Valor não tem nada a ver com orientação sexual.”

(Mariana Spinelli, apresentadora do SportsCenter)

“É crime, é covardia, é mau-caratismo. Esse cara foi mau-caráter comigo. O senhor presidente Jair Bolsonaro, que também é covarde e mentiroso, fez um recorte de uma entrevista minha para mostrar às pessoas que eu era um satanista, porque da mesma forma que eu falei de Lúcifer na entrevista eu falei de Jesus Cristo, mas ele cortou a parte de Jesus Cristo e só me deixou falando de Lúcifer. E mostrou esse vídeo, com ele do lado falando: ‘O cara que vocês ouvem falar na televisão de quarta à noite e de domingo à tarde é um satanista’. Esse cara, Maurício Souza, há uns três, quatro meses, recuperou esse vídeo editado e mentiroso, falso, que o Jair Bolsonaro editou em 2018, e colocou agora, em 2021, nas redes sociais dele. Eu não me surpreendo em nada, porque esse cara é homofóbico assumido e clássico. E um cara que foi mau-caráter comigo. Tem aquela história: você entra em uma sala, se há seis nazistas sentados e você senta são sete nazistas. Se você defende alguém que teve uma fala homofóbica, você é homofóbico”

(Walter Casagrande Jr., comentarista do Grupo Globo)

“Quem falou que o Hulk é hétero? Quem falou que Jesus é? Quem falou? Quem falou que hétero só que pode mandar no mundo? Quem falou que Super-Homem não pode ser bissexual? Quem disse isso? Tá escrito onde? Na pedra de Moisés? Quem disse que a Mulher-Maravilha não pode ser? O que eu mais fico bravo com esses caras é que vocês não se garantem. Vocês não têm saco para aguentar o que vocês escrevem e falam na televisão e no Instagram, e aí vêm pedir desculpas! Não, se você pensa assim vá até o final, porque é democracia, meu irmão! Não vai pedir desculpinha não, meu irmão! Você aguenta firme as pancadas que você está tomando agora! Os caras te dando na goela! Aguenta! Não é você que foi lá com a camisa 17? Então aguenta, irmão!

(Neto, apresentador de Os Donos da Bola)

“Eu estava olhando os seguidores do Maurício na internet: 270 mil no Instagram. O Douglas Souza, que se assumiu homossexual, tem 3 milhões. Quando o Maurício pergunta ‘onde a gente vai parar?’, a gente vai parar aí, Maurício, em uma sociedade que não dá audiência para quem é homofóbico e que dá aplauso e muito espaço para quem se assume, para quem se aceita, sem ferir o direito do outro de ir e vir”

(Juliano Dip, repórter e apresentador da Band)

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