Mais do que você gosta.
Assine o Star+
Publicidade
Não foi possível carregar anúncio
Publicidade
Não foi possível carregar anúncio
Exclusivo

Em abaixo-assinado, elenco de Poliana Moça exige teste semanal de Covid e uso de máscara no SBT; leia

Emissora cancelou exames alegando custos e vacinação e gerou pânico nos bastidores da novela

Publicado em 17/06/2022
Publicidade
Não foi possível carregar anúncio

O elenco de Poliana Moça está empenhado em pressionar o SBT para retomar a testagem de Covid-19 cancelada no fim de maio, como revelou esta coluna na última quarta-feira (15). A decisão gerou pânico nos bastidores da novela, já que os atores contracenam sem saber se contraíram o vírus. Uma atriz, inclusive, estava infectada mas só descobriu depois da gravação, com o resultado positivo do exame. Revoltada, a equipe se reuniu em abaixo-assinado para reivindicar condições seguras de trabalho.

No documento, obtido com exclusividade pela coluna, os atores rebatem todas as justificativas do SBT para a suspensão dos testes, como a vacinação, o alto custo do procedimento e a diminuição de casos. Baseado na ciência, o elenco reforçou que o imunizante não impede o contágio, mas o desenvolvimento de sintomas graves. A petição ainda anexou o Comunicado Coletivo das Entidades do Setor Audiovisual, publicado na última semana, definindo a testagem semanal durante as produções.

Continua depois da publicidade
Não foi possível carregar anúncio

Diferentemente da alegação do SBT, os casos de coronavírus estão em alta. De acordo com o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, quatro em cada dez instituições privadas com leitos de UTI exclusivos para Covid registraram ocupação superior a 80% entre 3 e 14 de junho, período com a suspensão dos testes em Poliana Moça já vigente.

É válido ressaltar que o cancelamento das testagens não afeta outras produções, como o Programa Silvio Santos. Em contrapartida, a livre circulação do vírus entre também coloca em risco a saúde do apresentador de 91 anos (caso a preocupação da alta cúpula seja unicamente a vida do “patrão”, e não as de centenas de profissionais da novela, que figura entre as maiores audiências da emissora).

O elenco de Poliana Moça reivindica a adoção de apenas três procedimentos simples e de fácil execução: uso de máscara, seja em locais abertos ou fechados da empresa, inclusive nos transportes da produção; testagem uma vez por semana, ou seja, no primeiro dia da semana em que o colaborador for gravar, para todos que precisam interagir sem máscaras nas gravações (ou seja, no caso da teledramaturgia, todo o elenco e figuração); e direito à testagem para qualquer funcionário que apresente sintoma compatível com a Síndrome Gripal ou Síndrome Respiratória Grave, com janela de testagem também de uma vez por semana para estes casos.

A petição foi aderida por boa parte da equipe da novela, mas a maioria dos profissionais não assinou por temer represálias da empresa, que faz vista grossa para qualquer protesto, insatisfação ou manifestação negativa da equipe. O documento reuniu assinaturas de 27 atores de todos os núcleos da trama de Íris Abravanel. A coluna irá preservar os nomes dos artistas.

Leia a íntegra da petição do elenco de Poliana Moça para o SBT:

São Paulo, 09 de junho de 2022

Nós, colaboradores do SBT, abaixo-assinados, vimos por meio deste documento reivindicar a volta da testagem de COVID-19 na empresa, entendendo que esta é a única forma eficiente de detecção e pronto isolamento de trabalhadores infectados, medida fundamental à contenção da disseminação do vírus em nosso ambiente de trabalho, e portanto necessária à saúde e segurança de todos seus funcionários, sobretudo pelo fato de que o ofício da produção audiovisual necessita que parte considerável de seus colaboradores trabalhem interagindo sem máscaras de proteção, frente às câmeras. 

Recebido e analisado o Ofício emitido pelo RH da empresa no último dia 06/06/2022 em atendimento ao pedido de esclarecimentos solicitado pelo SATED, em relação aos fatores pelos quais a empresa justifica no referido documento a sua iniciativa de não mais realizar testes, faz-se imperativo pontuarmos que: 

1 – “ciclo de vacinação completo”, ainda que com doses de reforço, é capaz apenas de amenizar os sintomas mais graves da doença, mas já é sabido, público e notório que não exclui em hipótese alguma a possibilidade de infecção ou reinfecção, nem tampouco a possibilidade de sequelas decorrentes da infecção pelo vírus da COVID-19;

2 – “a diminuição de números de casos” infelizmente não é um dado que se verifica em relação à média móvel das últimas semanas – muito pelo contrário: a despeito de um ciclo vacinal cada vez mais abrangente, o fato é que o abrandamento de medidas protetivas, bem como a condição sazonal atual – à qual estaremos ainda submetidos pelos próximos meses – não só inspiram maior cuidado, como já refletiram nas duas últimas semanas um aumento de 100% no número de casos em praticamente todos os Estados do país, cenário que vem sendo amplamente noticiado pela mídia.

3 – “as medidas legislativas que abrandaram os protocolos”, que aliás – prematuras – são notadamente parte responsável pelo atual quadro de aumento exponencial de casos, de fato desobrigam legalmente a empresa de proteger seus funcionários no tocante à testagem, e claramente são a justificativa principal apresentada pela empresa, que no supracitado documento de esclarecimentos  basicamente lança mão das mais diversas Leis e Portarias vigentes para justificar a não-obrigatoriedade de seguir oferecendo testagem a seus funcionários; no entanto, a despeito da não-obrigatoriedade da Lei, queremos apelar ao bom senso: não ter controle de detecção e pronto isolamento de funcionários infectados, não só torna vulnerável a saúde dos demais colaboradores, como pode afetar a saúde financeira da própria empresa na medida em que a disseminação do vírus entre seus colaboradores inevitavelmente irá prejudicar ou até interromper o fluxo desejável de sua cadeia produtiva;

4 – por último, o que certamente é o fator – literalmente – mais caro à empresa, “o custo envolvido na operação de testagem” não é absolutamente um ônus exclusivo do SBT, mas de toda empresa que atualmente realiza com responsabilidade a produção audiovisual em nosso país, na medida em que – insistimos – se trata de um setor da economia em que parte considerável de sua cadeia produtiva precisa interagir sem a proteção da máscara para a realização do produto; e é em nome, portanto, dessa responsabilidade em relação à saúde e segurança de seus colaboradores, em nome da sensatez de não colocar em risco o bom funcionamento da própria cadeia produtiva, em nome inclusive do controle de gastos em relação aos protocolos de segurança, que a APRO (Associação Brasileira de Produção de Obras Audiovisuais), o Sindicine (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual) e o SIAESP (Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo) periodicamente, e em consenso, atualizam e comunicam ao setor Audiovisual as recomendações de seu Comitê de Contingenciamento relativas aos protocolos de segurança.

Pedimos, portanto, que o SBT – uma das maiores empresas do Audiovisual brasileiro – possa ao menos aderir às recomendações do mais recente Comunicado Coletivo das Entidades do Setor Audiovisual, divulgado hoje (09/06/2022) e que, reconhecendo a nova onda de contágio e o aumento no número de casos positivos de covid-19, alerta para o fato de que este cenário exige manter e reforçar cuidados.        

Eis, portanto, com base neste documento, o que encarecidamente vimos reivindicar:

  1. Uso de máscara, seja em locais abertos ou fechados da empresa, inclusive nos transportes da produção.
  2. Testagem 1 vez por semana, ou seja, no primeiro dia da semana em que o colaborador for gravar, para todos que precisam interagir sem máscaras nas gravações (ou seja, no caso da teledramaturgia, todo o elenco e figuração);
  3. Direito à testagem para qualquer funcionário que apresente sintoma compatível com a Síndrome Gripal (SG) ou Síndrome Respiratória Grave (SRAG), com janela de testagem também de 1 vez por semana para estes casos.

Acreditamos que desta forma conseguiremos voltar a trabalhar com a segurança necessária e que juntos passaremos pelo que já está sendo considerado como uma quarta onda de contágio, sem maiores percalços em nossas gravações, sem o risco de disseminação do vírus em nosso ambiente de trabalho e sem um custo exagerado para a empresa. 

Sem mais, confiando nos princípios éticos que sempre nortearam a empresa, pedimos sensibilidade e razoabilidade em relação ao sentimento de insegurança que estamos vivendo desde a interrupção das testagens, e aguardando providências para o mais breve possível, subscrevemo-nos.

Outro lado

Procurado pela coluna, o SBT respondeu que os testes foram interrompidos por causa da imunização e que “sempre existe a possibilidade” de paralisar as gravações de Poliana Moça se os casos positivos aumentarem consideravelmente.

“O SBT manteve a testagem até o final de maio por entender que a vacinação oferece a proteção adequada. As máscaras sempre são recomendadas para todos os colaboradores. Por enquanto, não se pretende voltar a testagem. As pessoas estão com a vacinação em dia, alguns até com quatro doses”, explicou a emissora. A assessoria de imprensa, em seguida, enviou um complemento à primeira resposta. Leia abaixo:

“O SBT entende que a conscientização quanto à importância da vacinação é fundamental como forma de prevenção às formas graves da Covid-19, tendo reforçado constantemente esse ponto junto ao seu público interno. A empresa permanece em constante monitoramento e ajustes necessários de suas ações de prevenção, acompanhando os impactos da Covid e, tendo por princípio manter um ambiente de trabalho seguro e saudável”.

Siga o colunista no Twitter e no Instagram.

Publicidade
Não foi possível carregar anúncio

Deixe o seu comentário

Em Alta

Carregando...

Erro ao carregar conteúdo.

Publicidade
Não foi possível carregar anúncio
Publicidade
Posting....