Da Cor do Pecado: Giovanna Antonelli transformou catadora em modelo após cena em lixão

Cris Andrade, por quem atriz se encantou durante gravação em 2004, atualmente é dona de buffet

Publicado em 14/7/2021
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Vilã da novela Da Cor do Pecado, Giovanna Antonelli se tornou “heroína” da empresária Cris Andrade, dona de um buffet no Rio de Janeiro. Em 2004, ela catava lixo em um terreno baldio que serviu de cenário para a cena em que Tony (Guilherme Weber) larga Barbara vestida de noiva, exibida esta semana pelo canal pago Viva. A atriz abandonou o papel de megera ao ver uma linda jovem tentando sobreviver no meio dos restos.

Para a catadora, aquele foi um presente de aniversário antecipado, já que completaria 23 anos no dia seguinte ao da gravação da novela das sete. Em entrevista exclusiva à coluna, Cris Andrade conta como foi sua reação ao descobrir que Giovanna Antonelli havia se encantado por ela e como sua vida mudou após o encontro inesperado no lixão.

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“Assisto ao Viva todos os dias, tanto que anteontem estava vendo um filme na Netflix e do nada mudei para o canal. Achei legal rever a cena em que a conheci, não canso de ver. Óbvio, não vou tirar o mérito de mim por ter andado com as minhas próprias pernas depois que a Giovanna me conheceu, mas se ela não tivesse me enxergado eu não teria dado o passo que eu precisava dar. Até caminhei com as minhas próprias pernas, mas precisava que ela me empurrasse”, analisa.

Cris lembra com detalhes o dia em que foi notada por Giovanna Antonelli. Na época, tinha um filho de dois anos e morava em um cômodo menor do que o banheiro de sua casa atual. Ao ver uma catadora alta, jovem e bonita, a atriz se emocionou e, com o vestido de noiva de Barbara, entrou no lixão para conhecê-la. O encontro virou reportagem no Fantástico, em revistas e na internet. “Apadrinhada” pela celebridade, conseguiu iniciar a carreira de modelo.

Giovanna Antonelli grava cena de Da Cor do Pecado em lixão (Gianne Carvalho/TV Globo)

“A gravação foi em uma parte do terreno baldio onde a produção rasgou alguns sacos, mas ela amarrou o vestido nas pernas e entrou no lixão para falar comigo. Desceu do lixo, um morro muito alto, e ligou chorando para a mãe. Depois, a camareira pediu meu telefone e a mãe da Giovanna me ligou desesperadamente querendo conhecer quem tinha mexido com a filha dela daquela forma. Eu não entendia aquela fixação, porque até então eu me achava o patinho feio, nem tinha o dente canino, e era puro osso, magra de sofrimento, de tanto trabalhar. Naquele dia, tinha catado a noite inteira e me desesperei quando falaram que precisava parar por causa da gravação”, recorda.

Na entrevista ao Fantástico, Cris Andrade parecia prever que não iria longe como modelo. Ao lado de Antonelli, afirmou que não tinha pretensões como top model e sonhava com um emprego. Ela chegou a desfilar no Fashion Rio e se mudou para São Paulo, mas o mercado não absorveu uma iniciante de 23 anos (idade tardia para modelos), negra e da periferia. Após dois anos de muitas dificuldades na capital paulista, desistiu da carreira, mas hoje não se frustra e se sente realizada.

“Ninguém entende a riqueza que construí. Conquistei muita coisa, realizei sonhos, tive frustrações, mas todo ser humano tem isso no dia a dia. Fiquei jogada em apartamentos de agências, não conseguia trabalhos, falavam que eu tinha que ser conhecida primeiro para depois receber, passei muito tempo sem conhecer a cor do dinheiro. Mas eu tinha convicção das portas que Deus abriu para mim. Fiz amizades com pessoas conhecidas e fui agarrando as oportunidades com unhas e dentes”, conta.

Um dos amigos foi o navegador, fotógrafo e escritor franco-marroquino Titouan Lamazou, que retratou a história de Cris Andrade no ensaio Mulheres do Planeta (2009). Mais uma porta havia sido aberta para a ex-catadora, agora no ramo da gastronomia. Durante um jantar com ele, perguntou o salário das garçonetes que também eram negras e altas. Ao ouvir “R$ 5 mil”, trocou imediatamente de profissão. Em seguida, partiu para o ramo de eventos. De volta ao Rio, há quatro anos comanda um buffet com 18 funcionários e alguns clientes famosos, como o promoter David Brazil.

Cris Andrade também tem uma neta de seis meses. O nome: Giovanna. “Minha nora não sabia muito da história porque só tem 18 anos. Sempre falei que queria ser avó de uma menina. Conversando na sala, perguntei se poderia colocar o nome [de Giovanna Antonelli] para agradecer tudo que aconteceu na minha vida. Ela respondeu que com certeza, até porque é um nome lindo. Todo mundo gostou e concordou. Acredito que é tudo com a vontade de Deus”, comemora.

Em setembro de 2020, Cris Andrade foi entrevistada pelo jornal Extra, que relembrou a descoberta de Giovanna Antonelli. Fãs da atriz, então, prepararam um reencontro surpresa entre a empresária e sua “madrinha”: “O fã-clube me procurou, fui ao centro da cidade e fiquei lá conversando o dia todo. Não fazia ideia de que ela apareceria lá, porque fazia 13 anos que não a via. Quando estava terminando a entrevista, olhei para trás e ela apareceu sentando atrás de mim”.

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