“Conservadores não querem evitar abuso infantil”, diz Vitor diCastro, vítima de fake news sobre pedofilia

Ator e youtuber desmente vídeo falso sobre "ideologia de gênero"

Publicado em 10/8/2021
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O ator, apresentador e youtuber Vitor diCastro tornou-se vítima de uma fake news envolvendo um de seus trabalhos. Um vídeo de 2019 em que defende educação sexual nas escolas e explica por que “ideologia de gênero” não existe foi editado para que ele parecesse ser favorável à pedofilia, o que é mentira. Procurado pela coluna, o influenciador digital, que é ativista da causa LGBTQIA+, diz saber a origem do conteúdo manipulado.

O material falso foi compartilhado nas redes sociais e em aplicativos de mensagem e obrigou o influenciador a se manifestar no Instagram. Segundo ele, grupos conservadores ligados à igreja evangélica espalharam o vídeo distorcido de forma que saísse de sua boca que defender educação sexual é defender abuso de menores. Associar homossexualidade à pedofilia é uma prática constante de grupos de extrema-direita para demonizar gays.

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Em entrevista à coluna, Vitor admite ter se preocupado por ser alvo de uma mentira, embora já tivesse sido vítima de ataques piores quando publicou um vídeo sobre a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março de 2018.

“Sofri ameaças de morte horrorosas, uma galera ligada a milícia veio falar comigo. Eu fiquei com medo. Acho que aquela vez foi a pior, mas aquela vez tinha sido direcionado a mim por algo que eu estava dizendo de fato. Dessa vez, foi algo criado em cima de um vídeo que eu já tinha feito. Por isso que, para mim, foi um absurdo, porque uma coisa é não concordar com o que falei. Outra coisa é criar uma narrativa como se eu tivesse dito algo. Quando eu assisti ao vídeo fake, fiquei embasbacado”, afirma o ator.

O influenciador, famoso nas redes sociais por criar análises debochadas dos signos do zodíaco, pensou em processar os autores do vídeo falso, porém foi orientado juridicamente a se preservar e não partir para o embate. Ao invés disso, aproveitou o episódio para ensinar a seus mais de 1,3 milhão de seguidores no Instagram como são construídas as fake news.

“Na minha opinião, quem fez o vídeo representa exatamente o que esses conservadores, a direita religiosa, a direita evangélica pensam sobre a tal da ‘ideologia de gênero’, que nem existe. Quem criou essa fake news está querendo validar a própria tese: ‘Olha, eles querem destruir as nossas crianças, querem acabar com tudo! Os comunistas são pedófilos!’, e na falta de um material real, na falta de um esquerdista que dê para eles esse material, criaram usando um discurso meu”, analisa Vitor.

“Não há como ter educação sexual sem falar o que é o sexo mesmo, porque você tem uma zona que tem que tomar cuidado se alguém tocar nela. A galera conservadora simplesmente não está interessada em falar sobre isso porque quer manter um pensamento de que sexo é uma coisa proibida, é algo divino ou é ‘pecado’. E, lógico, essa ala conservadora não quer que a gente fale sobre vivências que não sejam as vivências heterossexuais cisgênero, porque existe essa ideia de que só é normal quem é hétero, só é normal quem é cis. Quando falamos sobre a vivência trans, a vivência LGBTQIA+, isso é um ‘pecado’ que não deve ser falado, como se eu estivesse ensinando para as crianças algo errado. Por falta de argumentos, eles preferem que a gente não toque nesse assunto, e a maneira de evitar que isso aconteça é evitando qualquer discussão sobre educação sexual, qualquer uma, porque eles sabem que em dado momento vai encostar nisso. Acho que falar sobre educação sexual evita assédio, evita abuso, evita sofrimento, evita traumas, mas essa galera não está interessada em evitar isso não. Essas pessoas só querem evitar que gays tenham espaço e que as crianças cresçam naturalizando discussões que eles demonizam”.

Vitor diCastro

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