Cassio Scapin relembra último trabalho de Tarcísio Meira: “Morria nas minhas mãos em cena”

Vítima da Covid-19 aos 85 anos, ator despediu-se dos palcos na peça O Camareiro

Publicado em 12/8/2021
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Tarcísio Meira, vítima da Covid-19 nesta quinta-feira (12), “morreu” no palco em seu último trabalho artístico, a remontagem da peça O Camareiro, pela qual recebeu o Prêmio Shell de Teatro em 2016. No retorno da peça, há dois anos, contracenou com o ator Cassio Scapin, que relembra à coluna sua experiência ao lado do ídolo.

“Tive a honra de fazer O Camareiro, que conta a história de um velho ator que se despede em cena. Ele morria em cena a cada dia. Tragicamente, este espetáculo foi o último do Tarcísio. Ele já tinha um enfisema [pulmonar], estava lutando bravamente, se mantendo como Sir, em pé e firme”, recorda Scapin.

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Os atores já tinham contracenado juntos na TV em Um Só Coração (2004), minissérie da Globo, com Cassio no papel de Santos Dumont e Tarcísio como Coronel Totonho. No teatro, contudo, a relação dos dois artistas tornou-se mais íntima. Na pele do camareiro Norman, Scapin cuidava de Sir e o ajudava a encenar pela última vez Rei Lear, obra clássica de William Shakespeare (1564-1616).

“Era muito sensível trabalhar com um ator da idade do Tarcísio, mas ao mesmo tempo ele tinha um vigor, uma energia para estar em cena. Era muito competente, muito enérgico no que fazia. Ele morria nas mãos do camareiro. Era muito delicado falar da morte de um ator com um ator mais velho, eu também sendo um ator e cuidando do Tarcísio dentro das possibilidades, porque com a idade havia algumas dificuldades. Havia uma função dupla ali, do personagem e de carinho, afeto, de amigo, pessoa e ser humano. A viabilidade da despedida é muito possível para nós nessa idade, e acho que uma grande honra para o ator é se despedir exercendo a sua função. Só não continuou porque houve a pandemia e o espetáculo parou”, conta Scapin.

A remontagem ficou em cartaz no teatro Faap, em São Paulo, de outubro de 2019 a fevereiro de 2020, quando foi encerrada para que o elenco se preparasse para viajar pelo Brasil. A turnê foi interrompida em função da pandemia de coronavírus. Tarcísio isolou-se com a mulher, Glória Menezes, e ambos tomaram as duas doses da vacina para a Covid-19, porém se infectaram e precisaram ser internados.

“Há uma frase muito simbólica desse espetáculo e que o Tarcísio dizia pela boca do Sir: ‘Nós estamos vivendo tempos difíceis’. Ontem nós perdemos o Paulo José e hoje o Tarcísio. O que representam esses dois dois homens para o teatro e para a televisão é gigantesco, monumental. Tarcísio é um ícone da televisão brasileira. Tarcísio fez o que a gente entende de teledramaturgia, de novela. Hoje, com muita dor, a gente se despede de um grande artista como o Tarcísio, e com o legado enorme que ele deixou”, lamenta Cassio.

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