BBB 21: Saída de Gil é a nossa nova “tragédia do Sarriá”

O Brasil chorou como o garoto José Carlos Rabello Júnior, de 10 anos, na Copa de 1982

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Poucas vezes o Brasil inteiro chorou por uma derrota. Não significa que o Brasil perdeu pouco; pelo contrário, pode-se dizer até que o país acumula mais fracassos do que triunfos. Contudo, nunca o povo brasileiro sofreu tanto com a derrota de quem lhe fez sorrir, gritar e “vigorar”, ainda que por um período curto, porém necessário pelo tamanho de suas dores.

Este regozijo uniu um país anestesiado da dor provocada por um governo opressor e propagador da morte. Em meio à tristeza geral, surgiu uma espécie de divindade, ao mesmo tempo chocante e encantadora, que hipnotizou a nação em frente à TV com doses cavalares de entretenimento. O Brasil reaprendeu a ser feliz.

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A cada etapa da competição, o público vibrava com o jogo bonito, intenso, perfeito até nos defeitos. Nada abalava a satisfação de assistir pela televisão a um verdadeiro espetáculo. Adversários poderosos sucumbiram ao show brasileiro. Sim, aquilo era o Brasil: talentoso, dedicado, vigoroso. O povo voltou a sentir orgulho de si próprio.

Nenhum adversário poderia abalar a confiança do torcedor… até o fatídico dia. O jogo que encantou milhões de pessoas enfrentou um adversário aparentemente fraco, sem ter oferecido um minuto sequer de entretenimento ao público. Foi praticamente uma “planta” a competição inteira!

Com o peso da camisa (afinal, já entrou com fama) e o apoio de outra torcida gigante, o adversário derrotou o Brasil e tirou da decisão o show que encantou milhões de pessoas. Até hoje o telespectador se lembra com carinho daqueles dias de regozijo pleno, e alguns ainda se revoltam: “Foi injusto!”.

A análise acima é uma homenagem a dois representantes do legítimo entretenimento brasileiro: a seleção brasileira de 1982, liderada por Zico, Sócrates, Júnior, Falcão e Eder; e Gilberto Nogueira, o “rei das cachorradas” do BBB 21.

Na noite de 2 de maio de 2021, o Brasil chorou como o garoto José Carlos Vilella Rabello Júnior em 5 de julho de 1982, no estádio do Sarriá, após a eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo da Espanha. As lágrimas da criança, que estamparam a capa do Jornal da Tarde do dia seguinte, representaram a dor de um sentimento tão puro quanto o coração encantador de Gil. O vigoroso e o esquadrão verde e amarelo não foram campeões, mas entraram para a história.

O jornalista e chargista Renato Peters compartilha a mesma sensação. Em seu Twitter, ilustrou a “tragédia de Sarriá” da geração atual:

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