Aos 18, Jean Paulo Campos fala sobre memes, racismo e sonhos: “Quero um Oscar”

Ele cresceu! Aniversariante do dia, ator comenta sucesso no SBT e atual fase na Record; leia entrevista

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Ele cresceu! Jean Paulo Campos, eterno Cirilo de Carrossel, completa 18 anos nesta terça-feira (13). O ex-ator mirim deixou de ser “mirim” quando foi emancipado pelos pais para facilitar seus trabalhos artísticos, em 2019. Já o lado ator está “adormecido” temporariamente desde que assinou com a Record, onde já trabalhou como repórter dos programas Hoje em Dia e Dancing Brasil Junior e jurado do Canta Comigo Teen.

Jean Paulo não se incomoda em ser o “eterno Cirilo”. Pelo contrário, assumiu os memes com o seu rosto na novelinha do SBT e faz sucesso nas redes sociais relembrando o personagem. Ultrapassou 3 milhões de seguidores no Instagram e se aproxima da mesma marca no TikTok.

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O ator sabe, porém, que Cirilo ficou no passado e, por isso, quer voar mais alto. Inspirado em rappers como Travis Scott e ASAP Rocky, mudou o visual: adotou tranças, pintou as unhas e renovou o guarda-roupa. Embora se manifeste pouco sobre a causa racial, Jean Paulo reconhece sua importância para outros meninos negros e pensa neles ao revelar seu maior sonho: concorrer ao Oscar.

Em entrevista exclusiva à coluna, Jean Paulo fala sobre o sucesso no auge de Carrossel e em suas redes sociais, o amadurecimento e seus planos após a pandemia de coronavírus. Confira abaixo:

Jean Paulo Campos no Dancing Junior

PAULO PACHECO: Para você, o que representa a maioridade?

JEAN PAULO CAMPOS: Costumo falar que já virei adulto há um tempinho. Desde Carrossel, as responsabilidades de adulto chegaram bem cedo, como estar no trabalho na hora e conciliar com os estudos. A maioridade não vai mudar nem a parte contratual, porque fui emancipado aos 16 anos, mas vou poder dirigir, vai facilitar meu acesso, meus pais não vão mais precisar me levar aos lugares.

PP: Você chegou a pensar na comemoração dos 18 anos? Como vai ser a festa durante a pandemia?

JPC: Planejei a festa de 18 anos desde a dos 15! Pensei em uma maior do que aquela, chamaria atrações, estava acertando com a minha assessoria para conseguir organizar tudo direitinho, talvez faria uma segunda festa só para os meus amigos, mas eu já estava esquematizando tudo. Tinha esperança de que na metade do ano ficaria mais tranquilo, só que começou a chegar o fim de 2020 e percebi que a festa de 18 ficaria para a de 19 (risos). Ano passado foi um bolinho com a minha família. Moro com meu pai e a minha mãe, e eles nunca deixam passar em branco. Nunca tive muita ansiedade pelo aniversário, mas eles sempre comemoram, nem que seja um bolinho. Creio que amanhã [hoje] vai ser desse jeito aqui. Só tenho a agradecer pela oportunidade de estar com meus pais e poder celebrar com eles dentro de casa, tranquilo, enquanto muita coisa está acontecendo.

PP: Você acabou de concluir os estudos. Pensa em se especializar de alguma forma, sonha com faculdade ou cursos?

JPC: Em 2019, tinha dúvida se faria faculdade de cinema ou artes cênicas, mas entrando em 2020 decidi que faria cursos soltos, como direção de arte, e estender com um intercâmbio. A rotina de uma faculdade, de ter que estar lá sempre, mesmo a distância, é complicada, não tem a flexibilidade da escola de retomar a matéria mais facilmente. Fiz só 15 dias do terceiro ano, depois só a distância. Foi um pouco confuso para pegar o ritmo. Penso que esse realmente é o futuro. EAD (Ensino a Distância) vai se prolongar mesmo depois da pandemia e vai ser mais corriqueiro. Para o cinema, seria a parte mais teórica, porque na prática não tem como mexer na câmera sem ser presencial. Estou pensando seriamente nisso a partir deste mês.

PP: A pandemia adiou algum projeto ou desejo? O que você pensava fazer em 2020 e 2021 mas não pôde executar?

JPC: Muitas coisas, na parte pessoal e na profissional. No terceiro ano do Ensino Médio, não pude aproveitar o tempo com os meus amigos. Tinha alguns projetos de cinema vindo, mas acabou se prolongando, primeiro para junho, depois setembro. Estou dando atenção às minhas redes sociais. Talvez se eu não tivesse esse tempo comigo, não conseguiria focar tanto. Meus vídeos de moda sou eu que edito. Talvez sem esse tempo sem fazer nada não teria aprendido. Alguns projetos adiaram e outros vieram para frente.

PP: Como surgiu seu interesse por moda? Muitas pessoas elogiaram o seu novo visual.

JPC: Não mudei o cabelo desde Carrossel até a pandemia chegar. Foi exatamente esse o impulso que fez muita gente mudar. Houve quem raspou o cabelo e houve quem o deixou crescer, e eu fui um deles. Meu cabelo estava crescendo muito e já tinha vontade de mudar porque acompanho muitos artistas de fora, como Travis Scott e ASAP Rocky, que são rappers. Curto bastante o estilo deles e decidi tentar. Mudei um pouco o corte e o estilo e fiz as tranças. Foi um pouco complicado convencer a minha mãe, avisei há um tempo: ‘Vou cortar o cabelo, já faz 10 anos’. Foi uma surpresa muito grande para todo mundo, porque realmente mudou. Demorou mais para mudar e crescer porque era um dos mais novos de Carrossel. Os colegas envelheciam e eu falava: ‘Putz, eu sou o Cirilo na vida ainda!’ (risos). Quando mudei o cabelo, o pessoal ficou chocado, mas curtiu bastante o estilo. Recebi muitas mensagens. Algumas pessoas não curtiram, mas é normal. Posso falar tranquilamente que 98% gostaram muito, e eu fico feliz com isso.

PP: Recentemente, o elenco de Carrossel fez uma “formatura virtual”. Como foi rever os colegas?

JPC: O Nicholas [Torres] reativou o grupo, já não falávamos ali havia um tempo. Ele escreveu que estava com saudade e começamos a conversar. A Maisa chegou e falou: ‘Vamos ter que fazer uma formatura nossa pelo Zoom’. No dia seguinte, fizemos a chamada e quase todo mundo foi. Só tinha visto o Nicholas e o Thomaz [Costa], porque fazemos o Canta Comigo. A Victória costumava vir bastante para minha casa, mas parou por causa da pandemia. Foi muito bom, conversamos sobre muitas coisas. Não colocamos na internet nem foi para a TV porque era um encontro nosso. Já fazia muito tempo que não tínhamos algo assim. Nos víamos nas festas, mas era uma coisa mais pública. Há muitos anos não nos reuníamos sem câmeras nem celulares. Colocamos o papo em dia!

PP: Você adora ser reconhecido pelo Cirilo, principalmente nos memes. O clipe Peraí virou hit mundial [apenas um vídeo tem mais de 67 milhões de visualizações no Twitter]!

JPC: É um romântico clichê que todo mundo gosta (risos)!

PP: Além dele, há outros memes, como o que o Cirilo perde a paciência com a Maria Joaquina. Como você reage a essa zoeira?

JPC: Estou direto na internet, e é até engraçado quando estou passando pelos memes e aparece o meu rosto do nada! Curto demais, sempre racho o bico com os memes, conheço quase todos! Quando me mandam um novo, dou muita risada! No TikTok, faço muito esses conteúdos. Minha biografia lá é ‘o garoto tchubiraum daum daum’ [refrão da música Peraí]. Não acho que estão me zoando, consumo bastante e por isso entendo. Até refiz a cena do ‘Eu odeio você’ com a Larissa [Manoela]. Curto muito, ainda mais quando sou eu!

@jeanpaulo_campos

Eaiii @ @larissamanoela será que Cirilo e Maria Joaquina cresceram? 😝💖

♬ som original – Larissa Manoela

PP: Você é famoso desde criança. Gostaria de ser um pouco invisível ou anônimo e ter mais privacidade? Já se incomodou com a exposição?

JPC: Claro que em alguns momentos a exposição é um pouco complicada. Uma vez, fiquei doente, tive que ir ao hospital, precisei tomar soro na veia e a enfermeira tirou foto comigo! Mas entendo, porque sou fã de diversas pessoas. Se eu visse o Neymar no shopping, obviamente iria pedir uma foto para ele, berraria, por isso entendo como as pessoas se sentem. Também sou tiete. É muito tranquilo para mim. Há muito mais pontos bons do que chatos.

PP: Você guarda na memória algum momento na sua infância que você nem podia andar na rua por ser muito famoso?

JPC: Uma vez, estava no shopping com outros atores de Carrossel, a Victória Diniz e a Fernanda Concon, e encontramos o Thomaz Costa. Imagine a cena, estávamos em três e apareceu mais um. Tiveram que chamar os bombeiros para apaziguar e nos mandar embora, porque estávamos tumultuando! Esse dia realmente foi muito chocante. Fomos até lá para comprar um presente de aniversário para a Lívia Andrade e travamos o shopping! Nos shows de Carrossel pelo Brasil, não lembro onde era, nós estávamos na van e tinha muita gente. Eles mexeram tanto na van que parecia que iria tombar e cair com a gente dentro! Esses dois dias, com certeza, foram muito marcantes.

PP: Você conseguiu ter uma vida de criança e adolescente comum ou, por causa do trabalho, não pôde fazer coisas que seus colegas de escola, por exemplo, faziam?

JPC: Minha infância foi muito boa! Cheguei a Carrossel mais ou menos com oito anos. Conhecia o Matheus Ueta antes da novela, jogando bola em um clube! Durante a novela, eu saía da escola, ia para o SBT e lá continuava uma escola, porque aproveitávamos da mesma forma, só havia as obrigações de decorar o texto e prestar atenção ao diretor para gravar a cena direitinho. Vivi uma escola quase 24 horas por dia. Era muito bom, estávamos todos juntos. Minha adolescência começou em Carinha de Anjo. Não pude sair muito como meus colegas faziam, mas aproveitei muito. Era um pouco diferente, porque sempre tirava fotos com o pessoal, mas era tranquilo. Aproveitei bastante minha infância e minha adolescência. Não perdi nada, pelo contrário, só ganhei.

PP: A história de Cirilo é claramente um caso de racismo. De alguma forma esse papel te ensinou alguma coisa sobre um assunto do qual não conhecia? Como você analisa essa história, parecida com a de outros meninos e até com a sua?

JPC: Foi uma responsabilidade grande viver o Cirilo, porque tínhamos uma mensagem muito importante para passar. Era pequeno, não passei por tudo que o Cirilo sofria. Aprendi muito com o próprio personagem, com certeza. Ele sofria racismo da Maria Joaquina, do Jorge, de outros personagens. Foi chocante mais para os personagens que cometiam racismo, porque as cenas eram muito pesadas. A Larissa ficava muito chateada por fazer essas cenas. Sempre levei pelo lado profissional. Eu, pequenininho, falava para ela: ‘Fique tranquila, estou bem’. A primeira cena que gravamos juntos foi a que ela amassava o buquê na festa. Já começamos com essa paulada!

PP: Você agora está mais consciente da sua representatividade e de que inspira muitas crianças. Você se envolve com a causa racial e com a luta antirracista que ganhou mais visibilidade no ano passado?

JPC: Tenho a consciência de que as pessoas pretas se espelham muito em mim, seja pelo visual, seja pela profissão, seja pelo lado pessoal. Não costumo postar muito sobre causas raciais porque acho que minhas ações afetam muito mais todos os públicos, entende? A pessoa que faz os atos racistas não vai querer ler um texto meu, mas vai acabar me vendo na TV fazendo alguma coisa muito importante que realmente vai rebater nela. Essas ações acabam pesando muito mais do que minhas palavras. minha responsabilidade é muito grande.

Sobre o cabelo, recebi diversas mensagens de que ajudei a aceitarem o próprio cabelo, de querer mudar o visual, de se cuidar. A gente escuta tanta coisa desde pequeno, que o nosso cabelo é ruim, tudo mais, que a gente fica com a autoestima bem baixa. Sei exatamente o que é, porque já passei por isso, ainda mais sendo homem, que já não tem costume de querer se arrumar. Estamos mudando a nossa mentalidade. É outra responsabilidade que acabo puxando, de se cuidar.

Já faz algum tempo que pinto as unhas, mas nem tanto para inspirar as pessoas. É mais pela questão delas aceitarem que não tem nada a ver com orientação sexual o que você usa de acessório ou de roupa. É completamente retrógrado pensar que isso influencia na orientação sexual. É muito importante que nós, influenciadores, que estamos na TV, façamos coisas assim, porque as pessoas se familiarizam mais, tanto que a questão do esmalte está mais tranquila. Um tempo atrás, você seria muito julgado por usar um esmalte, ainda mais o público negro. Falariam o dobro, com certeza. O ASAP Rocky faz desenhos nas unhas, fui inspirado pelo pessoal de fora e por um pessoal do Brasil, e me sinto na responsabilidade de trazer essas coisas para o pessoal se familiarizar. A tendência é toda a moda se fundir totalmente. Desde 2015, o Jaden [Smith] usa saia, e isso chocou bastante na época, lembro disso. Está ficando mais tranquilo agora. Fico muito feliz com essas coisas, porque acaba tornando a sociedade melhor de se viver.

Sempre me perguntam nos comentários qual a minha orientação sexual. Não vou ficar respondendo que sou hétero, porque é uma coisa que não vai influenciar. Você está lá pelo meu conteúdo ou porque sou hétero? É uma coisa que nem respondo porque não agrega ao meu conteúdo nem ao que eu quero passar para os seguidores.

PP: Você continua jurado do Canta Comigo? As gravações foram suspensas por causa da pandemia.

JPC: Sim, estavam gravando a versão adulta, mas parou por causa da pandemia. Estávamos combinando de gravar, mas não deu certo. Estava muito ansioso, mas realmente não tinha condições. A coisa está realmente muito feia. Preferiram pausar e voltar quando estiver mais tranquilo.

PP: Você se preocupa quando precisa sair para trabalhar e, de repente, contrair o vírus e levar para casa?

JPC: Totalmente. Costumo falar que estou muito em choque com isso, e com razão, porque realmente temos que nos cuidar, todo cuidado é pouco. Sou o cara do álcool, toda hora passo quando toco em alguma coisa, também uso máscaras. Fico mais tranquilo quando faço os testes antes das gravações, porque não saio de casa nem peço delivery. A chance de dar positivo antes da gravação é muito baixa, mas ao voltar da gravação fico preocupado, confesso, porque meus pais têm mais idade, é complicado você sair. Claro, é meu trabalho, mas fico preocupado, com certeza. Quando eles forem vacinados, vai sair um peso enorme.

PP: Em 2014, você chegou a assinar com a Record, mas o Silvio Santos cobriu a oferta. Você se lembra desse episódio?

JPC: Lembro muito bem, porque estava gravando Patrulha Salvadora e todo mundo estava preparado para minha saída. Eles já zoavam: ‘Esse aí é o menino da Record!’. Esta tudo esquematizado, como um jogador de futebol que sai do São Paulo para o Corinthians. Quando fui receber o Troféu Imprensa, o Silvio Santos falou ao vivo. Todo mundo já grudou em mim perguntando o que aconteceu e eu, criança, ‘cotoquinho’ daquele jeito, foi uma bagunça toda. Quando vi, estava no SBT de novo.

Em abril de 2014, durante a gravação do Troféu Imprensa, Silvio Santos recontratou Jean Paulo Campos (Reprodução/SBT)

PP: Você já mostrou seu talento musical em Carrossel e Carinha de Anjo. Você voltaria a cantar ou prefere ficar como apresentador, repórter e jurado na Record?

JPC: Eu sou movido a música, curto demais todos os estilos, desde os que os meus pais gostam até os atuais. Curto demais trap, quem sabe não apareça em breve eu fazendo alguma coisa na música. Não tenho nada muito concreto, mas é algo de que gosto bastante. Voltaria sim.

PP: Quais sonhos você já realizou após a fama? Qual seu maior desejo atualmente?

JPC: Creio que todas as pessoas sonham poder ter condições de ajudar a família, morar em um lugar confortável. Este sonho eu já consegui. Tinha sonhos bem altos. Falo que quem não sonha alto só alcança baixo. Sonhava ganhar o Oscar por exemplo. Sempre tive esse sonho, seja na atuação, seja na direção, seja na música. Todo ator, no fundo, tem esse sonho. Quem sabe um dia, talvez nem ganhar o Oscar, mas representar o Brasil. É um dos meus sonhos. Nem é pela conquista pessoal. É uma questão mais de as pessoas olharem e se espelharem para as vidas delas. ‘Caramba, posso alcançar um sonho que sempre tive! Só eu ir firme que com certeza vou conseguir!’. É mais pela inspiração.

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