Análise: Sem “filé”, Globo dá show em título do Palmeiras visando tomar Libertadores do SBT

Emissora muda postura e cobre torneio para fisgar público e estancar perda de audiência

Publicado em 28/11/2021 15:58
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A Copa Libertadores da América passou no SBT, mas quem deu show de cobertura foi a Globo. Sem os direitos de transmissão, a emissora mobilizou toda a sua equipe esportiva e deu amplo destaque ao título do Palmeiras, com repórteres ao vivo no estádio alviverde e no aeroporto, além de helicóptero e flashes nos intervalos comerciais com o narrador Gustavo Villani e o comentarista Paulo Nunes.

O leitor pode indagar: “Se a Libertadores é do SBT, por que a coluna fala sobre a Globo?”. Em primeiro lugar, porque a rede de Silvio Santos não fez mais do que sua obrigação ao investir do zero em esporte após a compra dos direitos da competição sul-americana. A transmissão da final entre Palmeiras e Flamengo, aliás, entrou para a história da emissora não só pela audiência histórica, mas pela equipe que viajou a Montevidéu empenhada em levar o melhor conteúdo aos telespectadores.

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Em contrapartida, a concorrente mudou sua mentalidade e não deixou a Libertadores “invisível”. Esta postura já foi adotada no passado, por exemplo no Mundial de Clubes de 2000, exclusivo da Band e vencido pelo Corinthians, mas com pouco espaço nos programas esportivos da Globo. Desta vez, a rede líder de audiência precisou mudar sua mentalidade e aceitar que uma competição esportiva como a Libertadores, principalmente com um campeão brasileiro, merece destaque apesar de pertencer a outro canal.

Assim que o árbitro argentino Néstor Pitana apitou o final da partida, o SP2 informou sobre o título e chamou o repórter André Hernan para mostrar a festa da torcida em frente ao estádio do Palmeiras, na zona oeste de São Paulo. Filipe Cury o substituiu nas outras entradas ao vivo, enquanto Caio Maciel foi deslocado para o aeroporto de Guarulhos, onde a delegação alviverde desembarcou com a taça da Libertadores.

A equipe de repórteres foi preparada para cobrir uma “guerra”. Dispensou a canopla com a identificação da emissora para evitar ataques. Mesmo assim, Filipe Cury ouviu xingamentos de palmeirenses: “Ei, Globo, vai tomar no c…”, gritaram alguns imbecis durante o link. É o efeito do ódio à imprensa estimulado pelo presidente Jair Bolsonaro, que se diz palmeirense mas torceu pelo Flamengo na final do torneio continental.

O Jornal Nacional desengavetou uma reportagem de Guilherme Pereira sobre o tricampeonato do Palmeiras, com declarações dos ídolos Ademir da Guia e César Sampaio (sem dúvida, havia material semelhante para o Flamengo se o título fosse do clube carioca).

No domingo, o Esporte Espetacular foi quase inteiramente dedicado ao Palmeiras. Os comentaristas Paulo Nunes e Roque Jr., campeões pelo clube na Libertadores de 1999, e ídolos como Oséas e Cléber destacaram a campanha do atual elenco, vencedor de duas edições consecutivas do campeonato organizado pela Conmebol. Em frente ao CT do clube, o repórter Marco Aurélio Souza mostrava o movimento de torcedores horas após a conquista.

A coluna não é tola e sabe por que a Globo decidiu abrir espaço à Libertadores. Após uma derrota humilhante (e previsível) na tarde de sábado, a emissora apostou todas as fichas no público que trocou de canal após assistir à final no SBT. Rapidamente, retomou a liderança na audiência.

Com todas estas atrações, só ficou faltando o “filé mignon”, a transmissão. E aí vem outro motivo pelo qual a Globo destacou a competição da concorrente. Ela tem prazo para sair do SBT. A rede de Silvio Santos tem contrato com a Conmebol até a Libertadores de 2022. A emissora carioca quer tomar da rival os direitos de transmissão e, para isso, já começou a fazer os torcedores se acostumarem.

Prova desse desejo está na reconciliação entre Globo e Conmebol, anunciada há um mês, que permite à principal emissora de TV do Brasil entrar na rodada de negociações pelos direitos de 2023 a 2026. Se depender da alta cúpula global, a Libertadores terá casa nova em breve. Ou melhor, voltará para o lugar de onde nunca deveria ter saído, na opinião de boa parte do público.

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