Análise: SBT celebra 40 anos em vinheta sem negros e com falsa imagem “moderna”

Emissora lançou chamada especial de aniversário, comemorado em 19 de agosto

Publicado em 1/8/2021
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O SBT lançou neste domingo (1º) a vinheta institucional de seus 40 anos, comemorados em 19 de agosto. No material, uma bailarina passeia por cenários de programas e interage com apresentadores. Bem feita para os padrões da rede de Silvio Santos, a chamada deixa escapar alguns defeitos da emissora que precisam ser revistos.

Na vinheta, uma faxineira se transforma em bailarina e dança pelos corredores do SBT. No final, acorda no cenário do The Noite e percebe que estava sonhando. Além da qualidade e do bom gosto para a trilha sonora (Tempos Modernos, de Lulu Santos), a emissora exalta suas principais estrelas, destaca o esporte e ignora profissionais de pouco apelo comercial.

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Em uma análise inicial, a vinheta parece ter sido produzida mais para o mercado publicitário do que para a audiência. Enquanto imagens da TV ZYN (canal da emissora na internet para crianças e adolescentes) e do SBT Games tentam forçar a imagem de uma emissora avançada, que se comunica com as novas gerações, Dudu Camargo e Marcão do Povo, queridinhos do patrão, e o programa Notícias Impressionantes, encomendado por Silvio durante a pandemia de coronavírus, não aparecem.

O programa de Dony de Nuccio também foi “esquecido” no vídeo especial (será que o SBT sabe que exibe aos sábados o programa Te Devo Essa! Brasil?). Este defeito, contudo, é menos grave do que a figuração de Carlos Alberto de Nóbrega, Celso Portiolli, Ratinho e Raul Gil. Como estes apresentadores têm menos espaço na chamada do que o controverso Vem Pra Cá, comandado pela filha do patrão?

A falha mais visível da chamada, entretanto, é também de toda a programação do SBT. Onde estão os negros desta emissora, que já teve Jorge Lafond (1952-2003), Canarinho (1927-2014), Norton Nascimento (1962-2007), Gésio Amadeu (1947-2020), João Acaiabe (1944-2021), Eduardo Silva, Maria Gal, Aretha Oliveira, Taiguara Nazareth, Pathy Dejesus, Zezeh Barbosa e Jean Paulo Campos? O intérprete de Cirilo em Carrossel (2012), aliás, estrelou o clipe de aniversário da rede de Silvio Santos, em 2014.

Do atual elenco do SBT, destacam-se poucos negros. Um exemplo raro é Juliana Oliveira, assistente de produção do The Noite. Buiú, integrante de A Praça É Nossa desde criança, nunca foi protagonista. Outros artistas negros compõem o júri dos programas de Eliana, Ratinho, Raul Gil e Silvio Santos. E só.

Na vinheta, onde está Luiz Alano, único apresentador negro do SBT? Desde julho, o narrador esportivo comanda o programa SBT Sports. Já o viu? Se não, talvez seja porque ele só aparece aos domingos, na faixa das 7 da manhã. Escanteado na programação, não surpreende ter sido ignorado também pela vinheta de 40 anos.

Os “tempos modernos”, SBT, são de exaltação da representatividade, do respeito às diferenças, do combate aos preconceitos e do empoderamento de setores marginalizados da sociedade. Para o público e para os anunciantes, é rico ver uma emissora com negros, brancos e amarelos; homens e mulheres cis e transgênero; não-binários; portadores de deficiência; autistas; católicos, judeus e candomblecistas.

Alinhado ao atual governo federal (com direito a um Ministério das Comunicações para a família), o Sistema Brasileiro de Televisão chega aos 40 anos sem ter a cara do Brasil, mas de Brasília. Tempos retrógrados.

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