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Análise: Com Avisa Lá Que Eu Vou, Paulo Vieira se torna o melhor contador de histórias da TV atual

Com maestria, comediante faz "trabalho de base" e reconecta os brasileiros à televisão em programa do GNT

Publicado em 03/05/2022
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Que saudade de uma história bem contada na TV brasileira… não aquelas das novelas e das séries, mas as reais, vividas por gente de verdade nos lugares mais curiosos do país. Este formato, tão castigado nos últimos anos, encontrou resistência no programa Avisa Lá Que eu Vou, comandado por Paulo Vieira no canal pago GNT.

O primeiro episódio, exibido na noite desta terça-feira (3), está disponível gratuitamente na plataforma de streaming Globoplay. A coluna assistiu e teve um duplo sentimento: satisfação pela qualidade do produto e reflexão pela falta de programas desse tipo. Por que viajar atrás de boas histórias deixou de ser um investimento na televisão?

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Paulo Vieira já reverenciou Regina Casé e Maurício Kubrusly como contadores de histórias reais e curiosas na TV. De fato, Avisa Lá Que Eu Vou lembra o auge do Brasil Legal, comandado pela atriz nos anos 90, e Me Leva Brasil, sucesso no Fantástico durante quase duas décadas. Coincidentemente, a atração do GNT terá versão enxuta na revista eletrônica dominical da Globo.

Desbravar o interior do Brasil atrás de histórias absurdas era febre há 30 anos na nossa TV, e não só na Globo. Gugu Liberato e Ratinho já exploraram o formato e também ajudaram a desgastá-lo com muito sensacionalismo e apelo à miséria. Geraldo Luís, que se orgulha de ser um “contador de histórias”, explorou a pobreza durante quatro exaustivas horas do Domingo Show, na Record, enterrando de vez uma das atrações mais bem-sucedidas da televisão.

E por que faz sucesso a ponto de ser “espremido” até a última gota? Ora, brasileiro adora se identificar vendo o outro pela tela. Em um país com maioria vinda de classes baixas e com pés no interior do país, viajar até cidadezinhas inóspitas traz um sentimento nostálgico e de pertencimento. O público, acolhido, se vê inserido naquele material que mistura entretenimento, jornalismo e humor.

Na atualidade, não há ninguém na TV melhor do que Paulo Vieira na arte de valorizar suas origens. Nascido no Tocantins, o comediante transformou a família e sua infância em piada sem ofender ninguém nos quadros Emergente como a Gente (Record) e Isso É Muito Minha Vida (Globo), título que gera identificação com o público citada no parágrafo anterior.

Paulo Vieira sabe para quem quer falar, qual é o seu público, e por isso fez o que o PT não fez desde 2018, mesmo com a bronca de Mano Brown no palanque do partido às vésperas da vitória de Jair Bolsonaro: voltou para a base. Em sua estreia, o programa no GNT desembarca em Natividade, cidade tocantinense conhecida do comediante. Ali, houve encontros com gente nova, como o hilário Phrancyell (que sabe as datas de nascimento de quase todos os famosos, incluindo Gloria Maria, mas o trecho foi respeitosamente cortado no Fantástico), e reencontros com lendas da região, como a mística Tia Romana, inspiração para a personagem de Fernanda Montenegro na novela O Outro Lado do Paraíso. A conversa com Felisberta, dançarina de súcia (tradição regional), é uma das mais incríveis. Depois que ela contou como se livrou do marido racista e voltou a casar, mas se separou oito meses atrás, Vieira ensinou a entrevistada a usar o Tinder (app para encontros sexuais) e tirar “nudes”.

Mais do que falar, dá gosto ver Paulo Vieira ouvindo. Talvez seja reflexo de uma carência da sociedade atual, cada vez mais egocêntrica e pouco sociável. Hoje, as histórias são contadas pelos próprios personagens nas redes sociais (isso quando não são falsas e inventadas só para atrair likes). Na contramão, Paulo Vieira contou “causos” de seu pai, Luisão, com o melhor amigo dele, Pablo. Nascia uma das duplas mais populares do Twitter, que vai virar série do Globoplay.

Foi Luisão que praticamente “exigiu” do filho um programa popular, com histórias da vida, com “gente como a gente” (quase veio o nome do quadro da Record). Paulo Vieira tem orgulho de onde veio e de quem caminhou ao seu lado. Não à toa iniciou sua viagem pelos rincões do Brasil no seu estado e com sua família. O papo com a mãe, Conceição, provoca risos e lágrimas. É como se a mãe de todo brasileiro estivesse sendo retratada na série.

O comediante reconectou o Brasil e os brasileiros à TV, onde falta representatividade. Falta ao topo da pirâmide social promover a diversidade sem pensar em lucro ou marketing. Faltam pessoas acima dos números. Sobra em Paulo Vieira autenticidade para trazer as histórias que a televisão deixou de contar.

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As informações e opiniões expressas nesta crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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