TBT da TV

Quando o horário eleitoral proporcionava novas oportunidades para ver grandes sucessos na TV

Atrasos na grade de programação favoreciam reprises de minisséries

Publicado em 08/09/2022

Nos últimos anos, com a oferta de canais pagos como o Viva e a opção do Globoplay como repositório de obras da teledramaturgia para os aficionados verem e reverem quando quiserem, a prática acabou caindo em desuso.

Mas houve um tempo em que, durante épocas de alterações na grade motivadas pela exibição da propaganda eleitoral obrigatória, novelas e minisséries eram reprisadas pela TV Globo. O TBT da TV do Observatório da TV relembra algumas dessas ocasiões.

Em 1982, a TV Globo exibiu uma reprise de Dancin’ Days, novela de Gilberto Braga originalmente em 1978, às 20h. O repeteco foi ao ar na faixa das 22h a partir de 11 de outubro, em meio a uma grade alterada pelas inserções do horário eleitoral.

Dancin' Days: novela de 1978 dá dor de cabeça para a Globo na Justiça em 2019 (Divulgação/Globo)
Paulette e Sônia Braga em cena de Dancin’ Days (Divulgação/Globo)

Em 1998, foram reprisadas algumas minisséries, também pelo atraso da programação que tornaria a exibição da segunda linha de shows inédita um “desperdício”, digamos assim.

Desejo (1990), de Glória Perez, As Noivas de Copacabana (1992), de Dias Gomes, e Memorial de Maria Moura (1994), de Jorge Furtado e Carlos Gerbase, da obra de Rachel de Queiroz, foram resgatadas. A saber, as duas primeiras já haviam sido reapresentadas, em 1995, na mesma faixa das 22h.

Exibida em 2001, Presença de Anita, minissérie de Manoel Carlos baseada na obra de Mário Donato, ganhou uma precoce reprise apenas um ano depois, também aproveitando as mudanças que o horário eleitoral provoca na programação. Marcada pela personagem-título, a atriz Mel Lisboa integrou uma cena de Cara e Coragem na qual se fez referência a Anita, junto com Martha (Cláudia Di Moura).

Presença de Anita
Anita (Mel Lisboa) e Fernando (José Mayer) em Presença de Anita (Divulgação/ TV Globo)

Levada ao ar pela primeira vez em 2003, A Casa das Sete Mulheres (2003), minissérie de Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão, da obra de Letícia Wierzchowski, foi a última produção resgatada do acervo da TV Globo devido a um esquema especial de programação durante a exibição do horário eleitoral.

A emissora reprisou a produção de grande sucesso em 2006, ano de eleições gerais, como 2022. Posteriormente, em 2008, outra minissérie de Maria Adelaide Amaral, JK (2006), foi reprisada pela TV Globo, mas apenas para o Distrito Federal. Como Brasília não elege prefeito e aquele era um ano de pleito municipal, a estratégia vista em anos anteriores foi revisitada.

A novela Escrava Isaura (1976/77), de Gilberto Braga, da obra de Bernardo Guimarães, e a “supernovela em 35 capítulos” O Fim do Mundo (1996), de Dias Gomes, também ganharam repetecos apenas no Distrito Federal, respectivamente em 1985 e 2000, igualmente anos de eleições municipais. Enquanto o resto do País via a propaganda política, os brasilienses reviam obras da teledramaturgia.

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