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Memória

Censura, crítica a obra do governo e polêmica de bastidores: há 45 anos terminava a novela Duas Vidas

História incomodou o governo devido à abordagem das obras do metrô no Rio de Janeiro

Publicado em 13/06/2022
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Em 13 de junho de 1977, a TV Globo exibiu em seu horário nobre o último capítulo de mais uma novela de Janete Clair, que prometia ser sucesso a exemplo de várias anteriores (e foi): Duas Vidas, que o Observatório da TV relembra. A autora aqui seguiu a linha de modernização de sua obra, com a tragédia urbana iniciada em Pecado Capital (1975/76), sem deixar de lado os grandes romances.

A personagem central é Leda Maria (Betty Faria), que fica viúva no começo da novela após o marido Tomás (Cecil Thiré) ser atropelado.

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Ela reencontra o namorado da juventude, Dino César (Mário Gomes), e no decorrer da história se divide entre ele e o médico Victor Amadeu (Francisco Cuoco), amigo de seu falecido pai, que se sente responsável pela moça.

Dino César é um cantor que não hesita em usar de expedientes pouco éticos para fazer sua carreira acontecer. Isso inclui desiludir Leda Maria uma vez mais e envolver-se com outra viúva, Cláudia (Susana Vieira), diretora da gravadora de discos Danúbio.

A dona da empresa é Leonor (Laura Soveral), mulher que não aceita a perda de seu filho Rômulo e por isso sufoca a nora cobrando dela fidelidade e respeito à memória do marido morto.

Problemas de Duas Vidas com a Censura

Duas Vidas fez grande sucesso, um dos maiores da carreira da autora e das novelas da emissora, mas enfrentou dificuldades com a Censura Federal.

Uma das razões foi a crítica expressa de Janete Clair às obras do metrô no Rio de Janeiro, que eram tocadas pelo Governo Federal. A saber, o título provisório da história foi O Metrô, inclusive.

Não se enxergava como razoável, e menos ainda na novela das 20h, que Janete colocasse os personagens para apontar defeitos e problemas provocados pelas obras – além da separação de antigos vizinhos do bairro do Catete, região central da capital fluminense, que gerava as duas vidas do título, a poeira, o barulho e tudo o mais advindo da construção do modal de transporte.

Outro motivo de celeuma com os censores foi o envolvimento amoroso surgido entre Sônia (Isabel Ribeiro), irmã de Tomás, com o técnico de som Maurício (Stepan Nercessian), alguns anos mais moço do que ela. A autora teve que casar os personagens antes do tempo, contra seus planos iniciais, para acalmar os ânimos.

Envolvimento de atores na vida real e polêmica de bastidores

Na época de Duas Vidas, a atriz Betty Faria e o diretor da produção, Daniel Filho, eram casados. Eles têm um filho, João. No dia a dia de gravações, Betty e o colega Mário Gomes acabaram se envolvendo “na vida real”, para além da trama de Janete Clair. O casamento acabou e Daniel deixou a direção da novela, assumida por Gonzaga Blota.

Com o decorrer desses 45 anos, muita gente pode ter se esquecido de que novela originou a situação, mas Mário Gomes ficou marcado por uma fake news séria. Ele teria supostamente dado entrada num hospital com uma cenoura inserida numa região bastante pudenda de seu corpo, digamos assim.

Não era verdade, e não chegou exatamente a prejudicar a carreira de Mário. Nos anos seguintes ele faria diversos outros trabalhos, inclusive os que para muitos são seus melhores: o Nando da versão original de Guerra dos Sexos (1983) e o Luca em Vereda Tropical (1984/85).

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