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Única novela ‘flopada’ de Walcyr Carrasco na Globo estreou três meses após O Cravo e a Rosa

Trama foi escrita em tempo recorde e enfrentou problemas

Publicado em 05/09/2022

Três meses após o sucesso de O Cravo e a Rosa, Walcyr Carrasco voltava ao ar na Globo. Em nova parceria com Mário Teixeira, o autor era o titular de A Padroeira.

Dirigida por Walter Avancini, a trama foi baseada no romance As Minas de Prata, de José de Alencar, e entrou no ar em tempo recorde, logo após os mínimos 80 capítulos de Estrela Guia.

O autor não teve tempo de descansar e logo foi escalado para mais um trabalho. Com uma premissa interessante, a obra contava a história da padroeira do Brasil. Todavia, acabou passando por uma série de problemas.

Não é à toa que A Padroeira é considerada um ponto fora da curva na carreira do novelista, pelo menos na Globo. Hoje em dia ele é o autor mais aclamado da emissora, colecionando sucessos. Entretanto, a trama religiosa é pouco lembrada e dificilmente será reprisada.

Protagonistas de A Padroeira (Reprodução/Globo)

Problemas em A Padroeira

O primeiro problema da novela foi o tom soturno adotado nos primeiros capítulos, assim como a abertura com instrumental fúnebre. Mesmo apostando na dupla recém saída de Laços de Família – Deborah Secco e Luigi Baricelli – como protagonistas, a história desinteressante afastou o público.

Os episódios iniciais focaram no romance proibido entre os dois, além do encontro da santa no rio. Entretanto, a trama misteriosa e lenta demais não engrenou. Faltavam mais atrativos para a história.

Não demorou para A Padroeira derrubar os índices de audiência da faixa das 18h. Além disso, Walter Avancini foi afastado da trama devido a problemas de saúde. Em meio à novela, uma tragédia: o diretor acabou falecendo.

Laura Cardoso em A Padroeira (Reprodução/Globo)
Laura Cardoso em A Padroeira (Reprodução/Globo)

Mudanças e novo diretor

A trama mais “flopada” de Walcyr na Globo começou a voltar aos trilhos após Roberto Talma assumir a direção. Com isso, a história foi reformulada, com destaque para a entrada de Rodrigo Faro, Giulia Gam e Susana Vieira.

Acostumada a perder para Malhação, A Padroeira aumentou seus números. Na reta final, até foi esticada devido ao cancelamento da sucessora, uma obra de Maria Adelaide Amaral. No fim, Coração de Estudante entrou no lugar.

Ganhando e perdendo personagens, a novela também ficou mais “solar”. Mesmo assim, terminou com média de 26 pontos. Para se ter ideia, quatro pontos a menos que a meta de 30 pontos estipulada para o horário.

Como resultado, A Padroeira se tornou uma novela de Walcyr esquecida pela Globo. O autor, colecionador de sucessos, nunca viu essa trama ser reprisada na emissora ou no Canal Viva.

Por isso, a novela vai na contramão de histórias como Chocolate com Pimenta e O Cravo e a Rosa, reapresentadas exaustivamente. Hoje em dia, é claramente o folhetim menos badalado do dramaturgo.

Elizabeth Savalla e Mariana Ximenes em A Padroeira (Reprodução/Globo)
Elizabeth Savalla e Mariana Ximenes em A Padroeira (Reprodução/Globo)

Reprise na TV Aparecida

Por outro lado, um fato curioso é atrelado à novela. Embora descartada para reprise na Globo, acabou voltando em outra emissora.

Em 2017, a Globo cedeu a produção para a TV Aparecida, que reapresentou a história em dois horários: 19h e 22h30, de segunda a sábado.

O inusitado acordo aconteceu para comemorar os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida no Rio Paraíba. Para se ter ideia, o canal religioso arcou apenas com custos de direitos autorais para o elenco e os músicos da trilha sonora.

A Padroeira (Divulgação/TV Aparecida)

Curiosidades sobre A Padroeira

A trama marcou o início da grande parceria entre Walcyr e Elizabeth Savalla. Na trama, ela viveu a amargurada Imaculada, que tinha pavor dos homens e era muito ligada à religião. Elizabeth faria uma participação em O Cravo e a Rosa, mas acabou trocada por Lúcia Alves.

Stênio Garcia deixou o elenco para interpretar Tio Ali em O Clone. Do mesmo modo, Yoná Magalhães deixou o papel da bruxa Úrsula para entrar na novela As Filhas da Mãe.

A novela contou com alguns atores de O Cravo e a Rosa, como Murilo Rosa, Luís Melo e Luiz Antônio do Nascimento. Depois, Rodrigo Faro entrou na produção.

A Igreja Católica teve ressalvas quanto à abordagem da história da padroeira, mas gostou do resultado final e elogiou a trama. O tema de abertura dos primeiros capítulos era morno e soturno, mas mudou com a inserção da música A Padroeira, interpretada pela cantora Joanna.

Após adquirir os direitos de A Padroeira, TV Aparecida inicia divulgação
Cecília (Deborah Secco) e Valentim (Luigi Baricelli) em A Padroeira (Divulgação/ TV Globo)

Após o flop, a Globo deu um descanso para Walcyr, mas ele ficou pouco tempo fora do ar. O autor voltou no ano seguinte, dessa vez com Chocolate com Pimenta, um grande sucesso. Depois, engatou novelas bem sucedidas, como Alma Gêmea, Caras e Bocas e Êta Mundo Bom!.

Pouco lembrada, A Padroeira pode chegar no máximo ao Globoplay, mas não como prioridade no canal de streaming. Portanto, os fãs da novela devem esperar para acompanhá-la na íntegra.

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