Vai deixar saudades?

Reta final emocionante não esconde os problemas da novela Amor Perfeito

Novela das seis cumpriu seu papel, mas também irritou o público

Publicado em 22/09/2023

A novela Amor Perfeito chega ao fim deixando o público muito emocionado. De fato, os últimos capítulos foram de arrepiar, pautados por uma série de acontecimentos: a volta de Leonel (Paulo Gorgulho), o julgamento de Marê (Camila Queiroz), a derrocada de Gilda (Mariana Ximenes) e a realização do maior sonho de Marcelino (Levi Asaf).

Ao contrário de Vai na Fé, que ficou marcada por um fim monótono, a trama das seis contou com diversos momentos impecáveis, que garantiram um desfecho impressionante. A cena em que Leonel se lembra do crime de Gilda e a descoberta de Marcelino sobre seus verdadeiros pais foram cenas que serão lembradas.

A reta final foi semelhante aos primeiros capítulos da produção de Duca Rachid e Júlio Fischer, em que tudo aconteceu, desde a suposta morte de Leonel até a prisão de Marê. Entretanto, foram dois extremos: começo e fim fulminantes. Já o meio, monótono e chato.

Essas qualidades não escondem os grandes problemas de Amor Perfeito, uma novela que poucas vezes cumpriu o seu título. As sequências de maldade passaram do ponto, com inúmeras vitórias para a vilã Gilda e muita choradeira para a mocinha Marê. Não é à toa que o público chamou a produção de Ódio Perfeito.

Marê (Camila Queiroz) e Leonel (Paulo Gorgulho) em Amor Perfeito
Marê (Camila Queiroz) e Leonel (Paulo Gorgulho) em Amor Perfeito

Assim, a trama ficou permeada apenas pelas armações e vitórias da antagonista, um time intragável de personagens masculinos e poucos momentos interessantes. Nesse meio tempo, além da megera defendida perfeitamente por Mariana Ximenes, o pequeno Marcelino também foi o ponto alto da novela, coroando o talento de Levi Asaf.

Além disso, o foco na trama central deixou muitas tramas paralelas de lado. Diversos personagens com potencial ficaram esquecidos ou foram lembrados tarde demais, como Lívia (Lucy Ramos), Wanda (Juliana Alves), Justino (João Fernandes) e Aparecida (Isabel Fillardis).

Isso sem contar o anacronismo da história. Foi proposital, claro. Mas um tanto quanto surreal. Infelizmente, na década de 1930 o preconceito ainda era forte. Ficou inexistente na trama, até mesmo em algumas situações em que serviriam para uma reflexão do público.

Entre glórias e problemas, Amor Perfeito é uma novela que cumpriu seu papel. Teve momentos interessantes, bons personagens e atores bem empenhados. A audiência ficou com 19,5 pontos de média na Grande São Paulo, alguns décimos a mais que as antecessoras Mar do Sertão e Além da Ilusão. Uma trama problemática, mas que pode ser candidata a reprise em um futuro próximo.

As informações e opiniões expressas nesta crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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