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Crítica

Vida de Maradona foi uma autêntica novela latina, mostra seriado

Nem é preciso gostar de futebol para apreciar este trabalho, meio biográfico, meio ficcional

Publicado em 30/11/2021
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Passado um ano desde a morte do ídolo argentino Diego Armando Maradona (1960-2020), a primeira temporada da série Maradona: Conquista de um Sonho cai bem como uma homenagem contada no melhor gênero telenovela: cheia de dramas, paixões, vitórias e traições.

A produção original do Amazon Prime Video, feita na Argentina e com locações por Itália, Espanha, México e Uruguai, é um programa interessante muito mais por conta da história pessoal rica e conturbada do jogador do que pela sua passagem pelos gramados.

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Campeão do mundo pela Seleção Argentina no México (1986), o atleta jogou em clubes como Boca Juniors, Barcelona e Nápoles e é dono de trajetória rica em episódios pitorescos, todos muito bem explorados pelo roteiro.

Infância pobre

Desde a infância no subúrbio pobre de Buenos Aires, quando nem tinha dinheiro para pegar ônibus para seu primeiro teste de futebol, até o bicampeonato do Mundial de Seleções conquistado no México,  a carreira do jogador então com 26 anos já era cheia de fatos inusitados.

Da relação curiosa com a mãe superprotetora e um tanto possessiva, à paixão da primeira namorada, noiva e esposa Claudia, os relacionamentos amorosos do atleta são um atrativo à parte.

Há ainda seu envolvimento com drogas, seus constantes problemas com lesões e relacionamentos cheios de paixão e fúria com amigos e empresários.

Nesta primeira temporada, o passado é contado em revezamento a flashes de um tempo futuro, quando Maradona enfrentou grave crise de saúde, chegando a ficar na UTI.

Foi o período em que ele se recuperou de um coma no início dos anos 2000, após um réveillon da pesada regado a drogas e bebidas no Uruguai.

Assim, vemos em ordem cronológica sua evolução da pobreza da infância e adolescência até o jovem craque que partiu para a Europa, onde conquistou fãs e mulheres, a despeito de ter uma noiva que continuava morando na Argentina.

A reconstrução de época é cuidadosa, e a caracterização dos personagens é melhor ainda, com muita preocupação com semelhança física, o que acrescenta muito de veracidade a uma história que é bastante romanceada.

Ao fim de cada um dos episódios – com duração de aproximadamente uma hora – densos e cheio de detalhes, são exibidas cenas e imagens originais de arquivo nas quais muitas das cenas se baseiam.

Se as reconstituições de partidas de futebol deixam a desejar—afinal, isso seria exigir muito mesmo –, passagens da vida são muito bem representadas.

Como tudo o que envolve a Argentina dos anos 70 aos final dos 80 tem o forte ingrediente de política e ditadura, os tempos de Maradona foram também marcados pela traumática Guerra das Malvinas, que deixou marcas em toda a população.

Cartaz da série original do Amazon Prime Video Maradona: Conquista de Um Sonho. Foto: Divulgação

Copas de 78 e 86

A conquista da Copa de 1978 – da qual Maradona não participou – não chega a ser questionada em nenhum momento.

Curiosamente, a frase mais enfática de suspeita diante do que ocorreu naquele Mundial vem da boca de um taxista brasileiro, numa rápida menção à “compra” do título pela ditadura na época.

Outro craque do futebol argentino, Daniel Passarella, em determinado momento menciona brevemente e com alguma ironia o episódio.

A saber: naquele Mundial, que foi sediado na Argentina, o Brasil ficou de fora quando a seleção da casa derrotou a seleção do Peru por 6×0.

Décadas depois, revelou-se que houve compensação financeira aos peruanos por parte dos Argentinos .

Porém, isso interessa pouco ao fã do ídolo e menos ainda ao seriado.

Ao menos nessa primeira temporada, Diego Armando Maradona tem sua trajetória, personalidade e comportamento muito mais reverenciados e idolatrados do que apresentados de uma forma mais crítica.

Cabe unicamente aos jornalistas retratados na série as perguntas mais ácidas questionando o comportamento do craque.

O décimo e último capítulo desta temporada um culmina com a conquista da Copa de 1986, no México.

Foi ali que o artilheiro fez o famoso gol de mão, na pequena área, quando ele ardilosamente respondeu que tinha sido “a mão de Deus” (la mano de Dios).

Resta ainda muito para ser contado da vida e carreira do craque, o que rende ao menos mais uma temporada com tantos mais episódios.

Até aqui, o seriado correu bem e muito mais como entretenimento do que como futebol.

E a exemplo do que acontece na maior parte das produções argentinas, a trilha sonora é ótima.

Maradona: Conquista de um Sonho é estrelada por Nazareno Casero (Historia de un Clan), Juan Palomino (Magnífica 70) e Nicolas Goldschmidt (Supermax).

A produção é da BTF Media, em coprodução com Dhana Media e Latin We.

O trailer da série pode ser visto a seguir:

** Informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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