Roda Viva com Marcelo Adnet privilegia a política e deixa a arte de lado

Apesar da serenidade do comediante nas respostas e de algumas imitações feitas por ele, faltou alguma leveza à atração

Publicado há 2 meses
Por Edianez Parente
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Marcelo Adnet foi o entrevistado da última segunda-feira (17) no Roda Viva, da TV Cultura, mas o programa perdeu a chance de explorar o rico universo do artista ao centrar a entrevista nas questões políticas.

O humorista vem sendo um dos destaques de produção de entretenimento na TV aberta nesse período de pandemia e isolamento social, com suas produções caseiras diárias. São os esquetes Sinta-se em Casa, disponibilizados gratuitamente pelo Globoplay. Já foram mais de 150 episódios diferentes.

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Como ainda não é frequente assistir a um contratado da Globo falando em outra emissora, os entrevistadores da bancada aparentemente preferiram perguntas sobre relações de poder, usualmente destinadas mais aos políticos que o ator imita. Sobrou pergunta sobre posicionamentos e opiniões e faltou explorar curiosidades da carreira e do talento do comediante.

Exceto pelos pedidos de imitação e paródias, atendidos prontamente por um entrevistado solícito, a roda de entrevistadores pouco abordou sobre o seu talento, histórias e processos criativos. Dono de um senso de humor crítico muito presente nas suas caracterizações e textos, Adnet acabou sendo menos legitimado como ator e mais pelo seu ativismo político.

O comediante tem uma carreira no humor na TV que remonta a primeira década dos anos 2000, com uma trajetória de destaque ao lado de colegas como Tatá Werneck, Dani Calabresa (com quem foi casado), na extinta emissora aberta da MTV Brasil – que no texto inicial do programa foi definida erroneamente como canal de TV por assinatura da época.

O Roda Viva é um dos principais programas de entrevista da TV. A atração ganhou prêmio de melhor programa jornalístico em 2019 pela APCA. A variedade de entrevistadores na bancada, diferentes a cada semana, também é um ponto a favor, garantindo uma rotatividade de abordagens e profissionais na tela, sob o comando da jornalista Vera Magalhães, especializada na cobertura de política.

No entanto, com Adnet, a mão política pesou um tanto a mais, até mesmo com os artistas ali chamados para perguntar – a humorista Bruna Braga e  o humorista Hélio de La Peña, que foi da turma do extinto Casseta & Planeta.

Marcelo Tas, do quadro de apresentadores da TV Cultura, foi o representante da casa. Completaram o grupo a repórter especial da Folha de S. Paulo Anna Virginia Balloussier e o escritor Antonio Prata.

Além de ter sido confrontado por Marcelo Tas num embate que incluiu Cuba e China – Adnet se define como de esquerda e progressista e se disse pró-capitalismo -,  o humorista foi interpelado pela bancada sobre questões de identidade racial. Foi questionado sobre a ausência de humoristas negros na TV, e sobre ter composto enredo para escola de samba.  

Ao comediante, ainda, questionaram seguidamente sobre a recente saída do Diretor de Humor da Globo, Marcius Melhem. Ele teria internamente sido alvo de denúncias de assédio moral por atrizes da emissora.

Adnet respondeu que pessoalmente nunca presenciou situações de assédio, mas disse que se solidariza sempre se houver vítimas. A resposta não convenceu a âncora do programa, que insistiu se ele não estava dando uma “passada de pano” para o amigo.

Adnet falou em mais de um momento que ele próprio foi vítima de abuso sexual na infância e pré-adolescência, mas não houve continuidade ao tema.

Felizmente, em alguns momentos, o humorista deu alguns detalhes de como produz seus esquetes diários na própria residência. Contou que faz tudo sozinho, apenas com a mulher em casa, que é quem o filma com a câmera do telefone celular.

Ele também cuida de todo o seu figurino e o cenário só tem objetos da própria casa. Todos os dias, Adnet faz envio à emissora de material até as 17h. Edição e finalização são feitas nos estúdios da Globo.  

A íntegra do programa pode ser vista abaixo:

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