O Canto Livre de Nara Leão tem boa música e enche os olhos

Série documental sobre a artista é registro histórico da MPB e sua presença na TV sem cheiro de mofo

Publicado em 12/01/2022 20:59
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A série documental O Canto Livre de Nara Leão, que acaba de estrear no Globoplay, é um bem vindo resgate histórico não apenas de uma das principais artistas da música popular brasileira, mas também da sua passagem pela televisão.

São cinco episódios da mais pura Bossa Nova, que caem como um sopro de poesia cantada em ritmo tranquilo para tempos tão turbulentos.

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A recuperação de imagens e som de acervos antigos garante uma produção de qualidade.

Ao intercalar registros de época com filmagens recentes de entrevistas, a produção ganha um ar de atualidade.

Tem nostalgia sim, mas sem cheiro de mofo.

A artista foi uma figura importante e revolucionária da música brasileira no período que vai dos anos 60 aos 80.

Esta busca em acervo das redes de TVs nestas décadas resultou num panorama diverso da participação da artista na programação das emissoras através dos anos.

Das imagens em preto e branco, ao visual colorido dos anos 80, e possível acompanhar as nuances de visual, do comportamento e fases musicais da artista.

Ela foi da bossa nova ao samba, passou pela Tropicália, tendo também gravado um álbum inteiro só de músicas de Roberto e Erasmo Carlos.  

Nara Leão em dois momentos, no começo da carreira e na adolescência na praia. Fotos: Divulgação

Há ainda filmagens inéditas do apartamento de frente para o mar em Copacabana, no Rio de Janeiro/RJ, onde Nara viveu.

O documentário também recuperou parte do especial Por Toda A Minha Vida (2007), da TV Globo.

Sem preocupação com a ordem cronológica, vemos ao longo dos episódios diversos momentos de Nara em programas de TV, ora dando entrevista para Nelson Motta, Marilia Gabriela (no extinto TV Mulher), Leda Nagle; ora se apresentando em festivais como os da Record.

Festivais

Shows, programas e festivais de canção, como bem lembra Chico Buarque num dos depoimentos atuais, tinham direção de ninguém menos que Manoel Carlos.

Ele viria a partir dos anos 70 a ser um dos principais autores de novelas para a Globo, situando sua dramaturgia no bairro do Leblon ao som de trilha sonora sempre baseada nos artistas da bossa nova.

Vemos artistas como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Maria Bethânia, Edu Lobo em dois tempos: em imagens e apresentações resgatadas de arquivos, e em depoimentos atuais explicando acontecimentos da época à luz dos dias de hoje.

Clássicos da Bossa Nova, como João Gilberto, Roberto Menescal, e sambistas-raiz como Cartola e Nelson Cavaquinho, até o sanfoneiro Dominguinhos, estão todos ali.

O cenário era um Rio de Janeiro então inspirador; vistas hoje, as imagens nos remetem a um passado de sonho.

A amiga Marieta Severo é uma das quem mais contam sobre a vida da jovem Nara; Cacá Diegues, que foi casado com a cantora, também dá detalhes da vida em comum do casal, dos problemas durante a ditadura militar, e do exílio do casal na França.  

Nestes depoimentos estão as preciosidades da série documental, como detalhes sobre a artista e seu relacionamento com os amigos e com a indústria musical.

A direção é de Renato Terra, com produção do Conversa.doc, núcleo de documentários do apresentador do programa Conversa com Bial.

Tudo passou pelas melhores mãos possíveis.

Renato Terra já tinha dirigido ao lado de Ricardo Calil o fantástico longa-metragem Uma Noite em 67 (2010), um documento precioso sobre a fatídica noite da final do Festival da Canção da Record daquele ano, que reuniu apresentações históricas de Chico, Caetano Veloso, Gil e Mutantes, Roberto Carlos, Edu Lobo, Sérgio Ricardo.

E Pedro Bial, o titular do Conversa.doc, foi casado com Isabel Diegues, filha de Nara Leão, com quem tem o filho José Bial Neto.

Isabel Diegues deu consultoria para a série e José Bial Neto, aos 19 anos, também participa da ficha técnica, como produtor de conteúdo.

Além do mais, mãe e filho surgem no encerramento do documentário em participação carregada de emoção.

Nara Leão morreu aos 47 anos, em 1989, vítima de um tumor cerebral.

Seu canto livre, doce e sua atitude artística bem merecem essa homenagem no ano em que ela completaria 80 anos de idade.

** Informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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