Museu virtual traz 70 anos de história da TV

Memorial da Televisão Aberta Brasileira reúne acervo recuperado junto a emissoras e colecionadores

Publicado há 2 meses
Por Edianez Parente
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Neste ano em que a TV brasileira completou 70 anos, comemorados em setembro, a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) decidiu deixar um legado para os fãs da telinha, ao lançar o Memorial da TV Brasileira, que pode ser acessado aqui.

Trata-se de uma exposição virtual, interativa, que reproduz um pouco das sete décadas de produção da TV no Brasil com um acervo histórico. São mais de mil itens, 700 fotos e 28 vídeos dispostos num cenário rotativo, que recria virtualmente o universo dos estúdios da programação das principais redes ao longo das sete décadas.

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De acordo com o presidente da entidade, Flavio Lara Resende, a intenção inicial era fazer algo no mundo físico, que pudesse ter público. Mas diante da impossibilidade por conta da pandemia, a solução encontrada acabou por complementar uma sequência de atividades programadas pela data dos 70 anos.

Dentro das comemorações, a Abert lançou vídeos que foram veiculados na TV aberta e internet, um livro sobre a TV Tupi, o site Memória Abert e uma série de materiais para as redes sociais, além de um podcast.

É muito importante preservar a memória da TV aberta no Brasil, a única TV gratuita que alcança todo brasileiro“, afirma Resende. “Como todo o museu, vai estar sempre aberto para que a gente possa trazer novos itens, o que é sempre importante, ele complementa”.

O curador do Memorial da TV Brasileira, Elmo Francfort, conta que desenvolveu o projeto com muitas pessoas envolvidas e teve grande contribuição das emissoras.

Segundo ele, o museu é um ponto de partida, com possibilidades para que se expanda cada vez mais, começando pelas redes, as pioneiras, mas com possibilidades de valorizar também as emissoras regionais.

O memorial traz a história da TV desde antes de sua estreia. A própria barra de cores (color bar), usada para fazer ajuste de tons nos monitores, serviu como base da abertura do Museu, com cada cor correspondendo a uma década de televisão.

Cada década da televisão corresponde a uma seção diferente no museu, com abertura e as referências e registros de atrações nos seus vários gêneros — humor, séries, infantis, telenovela, tudo ilustrado com vídeos e galerias de fotos.

Embora a Record não faça parte da Abert (que inclui as redes Globo, SBT e Bandeirantes entre as 3 mil emissoras associadas), a rede tem um pouco de sua programação registrada no museu, em especial com os seus festivais de música dos anos 1960. “Não deixamos ninguém de fora“, diz Francfort.

Entidades como a Pro TV, o MIS (Museu da Imagem e do Som) e Masp (Museu de Arte de São Paulo) contribuíram com material para o projeto. Os objetos de cena foram recriados em 3D; assim, a visita ao museu ganha ares de experiência.

Houve uma preocupação em ser muito fiel a cada detalhe das diferentes épocas – como, por exemplo, mostrar os modelos das câmeras que evoluíram ao longo das décadas.

Os desafios não foram poucos, pois ao longo do tempo muita coisa do acervo das redes se perdeu pelo caminho – a TV Bandeirantes, por exemplo, sofreu um incêndio no final dos anos 1960, ainda recém-inaugurada. Desta forma, muito material foi buscado junto a colecionadores.

A novela Os Miseráveis, da Band, foi uma das que desapareceu, sem deixar nenhuma fita em pé — os pesquisadores conseguiram encontrar uma imagem de Leonardo Villar na obra.

Nesse resgate todo, cada emissora colocou seus profissionais dedicados ao projeto. “Foi um trabalho hercúleo por parte das emissoras“, conta Francfort, ele próprio vindo de uma família que trabalhou em televisão desde os anos 1950.

Outro desafio foi encontrar fotos de corpo inteiro de todos os artistas para as composições completas dos cenários, visto que a imagem na TV na maioria das vezes fica o tempo todo mais restrita a meio corpo e aos closes.

Cristiano Flores, diretor geral da Abert, espera que o memorial ganhe escala no futuro e consiga aumentar o seu acervo. É um projeto perene, afirma.

Na exposição, passeia-se pelos primórdios da TV, desde o pioneiro Assis Chateaubriand na inauguração da TV Tupi, os primeiros telejornais e novelas, os festivais musicais, aos cenários atuais. Até a nave do Xou da Xuxa está lá – e voando!

A exposição tem a curadoria do pesquisador Elmo Francfort em conjunto com o Conselho Curatorial das TVs associadas, confecção artística da Caselúdico, empresa responsável por exposições com grande sucesso de público (como as do RáTimBum, da TV Cultura, entre outras), e da After Hour Multimídia, que reuniu numa playlist a trilha da história da TV. O site está em três idiomas: português, inglês e espanhol.

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