Mesmo na crise, Argentina mantém penetração da TV por assinatura

Preços das mensalidades, assim como de outros serviços de telecomunicações, foram congelados no país pelo governo

Publicado há 20 dias
Por Edianez Parente
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A penetração da TV por assinatura na nossa vizinha Argentina se mantém em níveis estáveis, apesar da crise econômica do país, que já existia e foi agravada neste ano de pandemia. Os índices permanecem na ordem de 70% de penetração, mais do que o triplo do percentual de domicílios assinantes no Brasil.

O tema foi debatido nesta semana, quando aconteceu o maior encontro do setor de TV por assinatura e telecomunicações na Argentina, que pela primeira vez em 30 anos aconteceu de forma virtual.

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Jornadas Internacionales 2020 reuniu entre 10 e 12 de novembro profissionais e executivos das empresas de TV e operadoras em um evento de negócios, lançamento de programação e seminários técnicos e de negócios.

A configuração do mercado de TV por assinatura na Argentina é semelhante à do Brasil, com predominância de serviços de cabo e satélite. Canais internacionais como os da Warner Media (canais TNT, HBO, Cartoon entre outros), Viacom (MTV, Comedy Central etc.), Discovery, AMC, Disney e Smithsonian, só para citar alguns, também estão presentes naquele mercado.

As programadoras dos canais da TV por assinatura participaram da feira, em exposição com estandes virtuais. Alguns canais de programadoras internacionais não existem no Brasil, como é o caso do TNT Sports, da Warner Media, que tem na sua grade jogos de competições locais de futebol com times como Boca Juniors e River Plate, entre outros.

O mercado argentino é mais maduro do que o brasileiro neste segmento. Historicamente, a TV por assinatura na Argentina sempre muito forte e já existe há mais de 50 anos – diferentemente do Brasil, onde o sistema chegou só no começo dos anos 1990.

A penetração da TV paga na Argentina já chegou a 85%, mas o índice atual de 70% é considerado um bom sinal para o setor, dada a crise. Em virtude da pandemia, o país está com milhões de desempregados, cerca de 2,7 milhões de empresas fecharam.

Segmentos como o turismo, por exemplo, estão parados. O mercado de TV por assinatura e telecomunicações representa 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) argentino. A Argentina tem uma população próxima a 45 milhões de habitantes e conta com aproximadamente oito milhões de assinantes de TV.

A explicação por tamanha força da TV paga entre os nossos vizinhos tem alumas explicações, entre elas o fato de a Argentina não contar com uma TV aberta de ampla cobertura, como é a brasileira, por exemplo. Há poucos canais e as atrações mais populares estão nas emissoras por assinatura (o chamado cable).

Jornalista, consultor e especialista local em mídia, o argentino Miguel Smirnoff diz que a TV por assinatura linear local também não está perdendo clientes para as plataformas de streaming. O motivo: Netflix e Amazon Prime Video são oferecidos pelas programadoras de TV paga como canais premium.

A título de comparação, o Brasil, com 212 milhões de habitantes, registra 15,1 milhões de assinantes de TV paga (penetração de cerca de 21,4%, segundo dados de agosto da Anatel). Por aqui, o setor encolheu significativamente nos últimos anos. No final de 2014, por exemplo, havia no Brasil quase 20 milhões de assinantes de TV.

Diferentemente do que ocorre anualmente na Argentina com a Jornadas, a indústria brasileira de TV por assinatura não realiza mais evento anual com feira e seminários. A última Feira e Congresso da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) aconteceu em 2016.

Em toda a América Latina, de acordo com estudo da BB Market, a penetração da TV por assinatura nos domicílios é de 37% — são ao todo 69 milhões de assinantes do sistema.

Segundo previsão da BB Market, em 2024 os serviços de streaming vão superar os sistemas de TV paga na região, com 91 milhões de pagantes, atingindo uma penetração de 49,5%.

Em agosto deste ano, o presidente da Argentina, Alberto Fernández (eleito em 2019), decretou congelamento do valor das mensalidades de TV por assinatura, bem como de outros serviços de telecomunicações, como internet, telefonia etc. A medida foi anunciada com validade até dezembro de 2020.

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