Carla Affonso, a executiva que liderou os primeiros anos do Big Brother Brasil

Diretora esteve à frente da Endemol Globo, empresa criada para administrar os formatos e que também produziu a primeira A Fazenda aqui

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O ano era 2002, o acesso à internet ainda era discado e o Brasil já tinha conhecido um reality show de confinamento de sucesso retumbante, a Casa dos Artistas, no SBT – um programa copiado do Big Brother, mas com participantes famosos.

Já tendo exibido um reality show de sucesso, No Limite (2000) e, vendo os resultados do Big Brother na Europa, a TV Globo decidiu não apenas adquirir o programa, mas também montar uma empresa de formatos tendo a holandesa Endemol como sócia.

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O objetivo era administrar aqui tanto a maior propriedade da Endemol, o Big Brother Brasil, como também todos os demais formatos que a empresa, uma fábrica de grandes ideias de show para televisão, detinha.

Na Globo, a dirigente era a todo-poderosa Marluce Dias da Silva, que idealizou a formação da Endemol Globo, uma joint venture entre as duas empresas. Para tocar essa nova unidade, a escolhida foi outra mulher, Carla Affonso, então com 35 anos e que já tinha na sua bagagem profissional experiência com multinacionais do conteúdo e da internet, em cargos de direção em empresas como HBO Brasil e AOL.

Carla Affonso conta que o processo seletivo até a chegada ao posto – no qual ela ficou até 2009 – custou-lhe nada menos do que 26 entrevistas, inclusive uma feita ao vivo com o criador do Big Brother, o genial John de Mol.

Eu já produzia eventos antes de entrar na HBO, como Rock In Rio 2, por exemplo; sempre gostei de ver um projeto tomando forma até se concretizar e divertir tanta gente. Entrei na HBO no começo da TV por assinatura no Brasil, tínhamos que ser muito criativos sem um orçamento grande, então lá produzi meu primeiro reality – Fashion Emergency – no E!”, conta ela.

Carla foi convidada para ir para a América Online (AOL) para cuidar da área de entretenimento, e ali foi produtora executiva do Rock In Rio 3. A AOL entrou como patrocinadora da Casa dos Artistas, do SBT, e daí chegamos ao começo dessa história, pois foi quando Carla teve pela primeira vez contato com um reality show de confinamento.

A executiva lembra que os novos sócios da Globo na empreitada estavam apreensivos com a entrada no Brasil; afinal, já tinham tomado um susto com o que tinha acontecido com a Casa dos Artistas. Mas o mercado brasileiro era tão gigantesco e atraente, que não queriam ficar de fora.

A realidade provou que não estavam errados, pois desde o início o programa foi sucesso de audiência e vendas de publicidade, ampliando sua participação e interesse, ano após ano. O primeiro prêmio do BBB foi de R$ 500 mil ao vencedor – hoje, 19 anos depois, este valor triplicou e a emissora já vendeu no BBB 21 mil vezes esse valor em cotas de patrocínios.

O início

Em 2002, coube a Carla começar a Endemol Globo do zero, desde encontrar um local para instalar a empresa até contratar equipe, conhecer o portfólio e aprender como se negociava e produzia um formato aqui. “No começo, nossa função era principalmente atender a TV Globo e depois fomos expandindo para outros clientes, tanto internamente como fora do Brasil”, ela conta.

Toda a produção do BBB cabia desde o início à Globo – e o diretor Boninho conduziu os trabalhos desde a primeira edição. No Brasil, o grande desafio foi mesmo de produção, com a parte técnica e a edição. Eram 40 câmeras gravando simultaneamente, todos os dias, personagens anônimos, histórias que tinham que ser construídas no seu percurso. “Tudo numa época em que não havia tantas ferramentas disponíveis para interatividade”, lembra Carla.

A imprevisibilidade sempre foi o maior desafio do programa: “Não se controla o que vai acontecer, principalmente porque pode acontecer ao vivo”, diz Carla. Mas ela também vê nisso o maior lado positivo do programa; afinal, a entrega pode ser muito melhor que o esperado.

A executiva não consegue destacar apenas uma temporada do programa ao longo dos seus anos na Endemol Globo: “Cada edição tem sua peculiaridade, mas sem dúvida o ponto principal é o casting. O Big Brother é um formato muito estruturado, com diversas possibilidades e já realizado em vários lugares onde testaram muito. Ter um bom elenco que sustente as ideias criativas da equipe é o principal. Cada edição é muito diferente da outra”.

A empresa conduzida por Carla gerenciava também a chegada de novos formatos da Endemol internacional, que eram necessariamente oferecidos em primeira mão para a TV Globo.

Caso a emissora não manifestasse interesse no produto, as atrações poderiam ser oferecidas a emissoras concorrentes. A joint-venture funcionava como apoio à produção e trouxe programas como Dança dos Famosos (Strictly Dancing), Hipertensão (Fear Factor), Amor a Bordo (Love Boat), Fama (Operacion Triunfo), entre outros.

A Fazenda by Endemol Globo

E aqui uma grande curiosidade: em 2005, a Endemol Globo fez sua primeira produção fora da Globo no Brasil. E foi justamente A Fazenda (La Fattoria), feita para a produtora Mediaset para ser exibido na Itália. Na ocasião, o formato do reality, numa intrincada série de negociações internacionais, foi licenciado pela Endemol da França, que passou para a parceira no Brasil como produtora local.

Era um sinal ao vivo, gerado direto de uma fazenda no estado do Rio de Janeiro, que foi transmitido durante três meses. No ano seguinte, também foi feita pela produtora o I´m A Celebrity Get Me Out Of Here para o canal TF1, da França.

Foi maravilhoso porque foram duas produções muito grandes e fizemos com muito sucesso, provando para nossos acionistas nossa capacidade de produção. A partir daí, fizemos várias produções para o exterior e para canais brasileiros, como o Na Pressão (Band) e o Topa ou Não Topa (SBT)” — ambos definidos por Carla como experiências fantásticas e de muito aprendizado.

A Endemol Globo acabou em 2017, e a emissora de TV continua até hoje a licenciar o formato do BBB diretamente com a Endemol Shine Brasil.

Novos desafios

Logo após sua saída da Endemol Globo, Carla Affonso partiu para a condução no mercado de novos formatos e programas, com diversas produtoras e emissoras. Com a produtora Mixer, ela fez programas como Experimente (Multishow), Happy Hour (GNT), Descolados (MTV) entre outros.

Em 2011, a Zodiak decidiu abrir uma filial no Brasil e Carla foi a dirigente local, tendo feito o quadro Faça e Disfarça (Deal With It), na Record, dentro do programa de Rodrigo Faro; fez também o The Amazing Race, na TV paga, entre outros.

A Zodiak decidiu sair do Brasil e Carla assumiu a empresa, que rebatizou como Cygnus, e com ela fez diversas produções, como o Bake Off (duas temporadas), formato adquirido da BBC e que foi feito pelo SBT, além de trazer A Fazenda e o Power Couple para a Record, entre muitos outros títulos de entretenimento e ficção.

Felipe Camargo e Luiz Carlos Vasconcellos em Gael, seu Motorista está à Caminho, nova produção da CWA

Carla vendeu a operação em agosto de 2018 e começou a produzir pela CWA, sua atual empresa, cujo novo projeto é uma série nacional de suspense, Gael, Seu Motorista Está a Caminho. A obra está em produção e é estrelada pelos atores Felipe Camargo e Luiz Carlos Vasconcellos, com direção de Roney Giah.

Antes da pandemia, estávamos com várias produções em andamento, gravamos parte de uma novela no Rio de Janeiro para o canal norte-americano Telemundo com a produtora Argos, do México. Fizemos também a produção de um documentário sobre a Polícia Ambiental, várias publicidades e web séries”, diz a executiva.

BBB atual

Sobre o BBB 21, Carla Affonso afirma: “Tenho acompanhado esporadicamente. Achei uma ideia ótima misturar famosos com anônimos, dá uma dinâmica diferente. A divisão da casa em duas partes, a Xepa e a VIP, também é ótima”. Segundo Carla, todas as polêmicas atuais vêm de uma boa escolha do casting, que, em sua opinião, está ótimo nesta edição.

Não tenho palpite de quem ganha, tem acontecido várias reviravoltas, o que é muito bom para o programa, fica mais divertido. O Boninho deve ser um dos maiores realizadores de Big Brother atualmente e ele tem mostrado que se inova a cada ano. Só tenho que parabenizar; manter um formato 21 anos no ar não é fácil, e ele faz muito bem”, finaliza Carla, a primeira executiva a administrar o BBB.

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