Borgen é exemplo de ‘soft power’ do audiovisual

Série de três temporadas na Netflix, com nova season prometida para 2022, é prato cheio para quem gosta de tramas sobre política e imprensa

Publicado há uma hora
Por Edianez Parente
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A série Borgen (2010-2013), com três temporadas atualmente no catálogo da Netflix, é um bom exemplo da força que o audiovisual desempenha na imagem de um país.

No caso, a pequena e pouco divulgada Dinamarca acaba por nos despertar uma enorme curiosidade e simpatia pela sua organização, qualidade de vida de seus cidadãos e aparente transparência dos atos dos seus governantes.

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É uma atração imperdível para o admirador de tramas políticas, e mais ainda para quem se interessa pelos intrincados meandros do sistema de governo parlamentarista.

Nisso, difere na essência de séries estadunidenses de cunho político, como House of Cards, Veep, The West Wing, já que todas giram em torno da esfera governamental no sistema presidencialista daquele país.

Na Dinamarca, vigora a monarquia constitucional, com um regime democrático parlamentar, onde os deputados eleitos pela população escolhem o primeiro-ministro, e este nomeia o seu gabinete executivo

Em Borgen, as relações entre os partidos, deputados, primeiro-ministro, a rainha, bem como a relação entre todos esses agentes do poder com a imprensa, e como esta atua no mundo político, formam um caldo borbulhante. Tudo costurado por um roteiro envolvente, com tramas paralelas de romance e dramas pessoais.

Tal enredo desperta mais interesse ainda por um país como a Dinamarca, onde deputados vão ao trabalho de bicicleta e gente importante não tem empregados domésticos em casa.

Ao final da terceira temporada, você já está familiarizado com as principais ruas e pontos turísticos da capital, Copenhagen, já admirando a arquitetura e a moda locais.

Quantos pacotes turísticos não devem ter incluído o parlamento dinamarquês (o Borgen do título) no itinerário das excursões após o seriado? Sabe-se que em Madri os turistas buscam alucinadamente pelo edifício de La Casa de Papel – embora quem visite a metrópole espanhola fique decepcionado por não se tratar da mesma suntuosa construção.

Soft Power

Isso tudo diz respeito ao soft power. Cunhado pelo cientista político norte-americano Joseph S. Nye Jr., o termo significa algo como a habilidade que um país possui de persuadir outro sem o uso da força, sem a guerra formal. O termo é bastante utilizado em questões de relações internacionais.

Numa produção audiovisual, esse soft power funciona como um impacto positivo que um filme, série ou novela consegue transmitir sobre um país no imaginário do espectador estrangeiro.

Contribui em muito para que uma nação ou povo tenham uma boa aceitação no exterior. E quem conquista corações consegue mais facilmente conquistar turistas, clientes para seus produtos etc.

Esse poder é tão percebido no cenário mundial que muitos países tratam esta indústria como prioritária para além de seu valor econômico, com políticas de Estado que incentivam a produção – governos da França, do Canadá e da Coreia do Sul são alguns que sabem da força que o seu cinema pode exercer e estimulam investimentos.

Daí a importância que uma indústria como a do audiovisual (televisão, cinema, séries de streaming etc.). No Brasil, em 2018, ela movimentou um valor adicionado — valor que a atividade acrescenta aos bens e serviços consumidos no seu processo produtivo — de R$ 26,7 bilhões, segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine).

A título de comparação, trata-se de um movimento maior que o de outras indústrias relevantes, como a farmacêutica, têxtil e de equipamentos eletrônicos.

A série

Mas voltemos ao seriado da pequena Dinamarca – país do tamanho do Estado do Espírito Santo, com uma população de 5,8 milhões de habitantes e com um dos mais altos índices de qualidade de vida do mundo. Artisticamente, é um feliz cruzamento de talentos, do roteiro às interpretações.

A criação da série é de Adam Price, autor local que foi premiado com o Bafta (British Academy Film Awards) de série internacional pelo trabalho. As atrizes Sidse Babett Knudsen e Birgitte Hjort brilham do começo ao fim em praticamente todos os episódios.

A primeira, como a grande personagem política, muito competente, correta e que se desdobra entre sua vida no parlamento e a família, formada pelo marido charmoso (o ator Mikael Birkkjær) e dois filhos – uma criança e uma adolescente.

Já Birgitte Hjort incorpora uma repórter famosa, com as variantes dos seus possíveis locais de trabalho, ora atuando numa rede de TV como âncora de telejornal e programa de entrevistas – imagine um país com apenas duas redes de TV importantes e concorrentes no horário nobre! -, ora na imprensa escrita, ou ainda atuando como assessora de imprensa na política.

Esta última função, aliás, transformada em spin doctor (quando se trata de trabalhar como estrategista junto a um político), é um dos papéis-chave da história toda e tem com o ator Pilou Asbæk (o Euron Greyjoy de Game of Thrones, da HBO) outro ponto alto da trama toda.

Tantos anos depois de sua estreia, Borgen fez tanto sucesso mundialmente no portfólio da Netflix que já foi confirmada uma quarta temporada com novas disputas politicas, programada para 2022. Aguardaremos ansiosamente por mais este ano de eleições!

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