Em Além da Ilusão, ex-Zorra vive mulher sofrida, porém forte: “É muito atual”

Atriz vive primeira personagem dramática na trama que estreia dia 7 de fevereiro

Publicado em 13/01/2022 21:26
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Em Além da Ilusão, novela escrita por Alessandra Poggi, Carla Cristina Cardoso interpreta Felicidade, mãe, esposa e operária na Tecelagem Tropical, um dos principais cenários da nova trama das seis.

A vida para Felicidade e o marido Onofre (Guilherme Silva) passou a ficar mais difícil após o nascimento da primeira filha, Letícia (Maria Luiza Galhano/Larissa Nunes). Eles também são pais de Madalena (Vivi Sabino).

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Marido e mulher são ex-funcionários do engenho de cana-de-açúcar da Família Camargo. Com a instalação da fábrica no lugar, o casal passou a trabalhar na tecelagem e a viver na vila operária recém-construída.

A moça, que trabalha como faxineira na fábrica, é uma mulher gentil, compreensiva e resiliente. Apesar da vida sofrida, Felicidade é o esteio emocional de sua casa e vê na família a grande razão para ser feliz. Ela vai fazer o possível para ajudar o marido a vencer o vício na bebida e torná-lo um homem mais equilibrado.

Em entrevista, a atriz Carla Cristina, que faz seu primeiro papel ‘dramático’ (ela esteve no elenco do Zorra, por exemplo), dá detalhes sobre a personagem, que promete representar muitas mulheres brasileiras.

Como você define a Felicidade?

Felicidade é uma mulher de 1944, mas é muito atual. Acredito que a família, pra ela, está acima de tudo, como existem ainda hoje várias mulheres que são compassíveis, fortes, mas que resistem a determinadas situações por conta da família.

No caso dela, só existe um homem que também a ama e não teve oportunidades. Com essa forma bruta dele de amar, essa mulher ocupa um lugar de equilíbrio na vida dessa família. Ela não é triste, não é fraca. Acima de qualquer palavra, de qualquer gesto negativo, ela é muito feliz porque tem uma família.

Em quem se inspirou para fazê-la?

A inspiração da Felicidade é minha falecida mãe, dona Iracema, que foi uma Felicidade na minha vida. Até os oito anos meu pai não convivia com ela porque tinha problema com álcool também, mas ela fazia de tudo pra viver, independente do vício dele. Foi depois dos meus oito anos que minha mãe conheceu o pai da minha irmã, meu padrasto, que foi meu verdadeiro pai, quem me criou com muito amor, um paizão.

Passamos por muitas dificuldades e minha mãe, por várias vezes, passou por cima de várias situações para poder nos dar as coisas, para poder casar a minha irmã, por exemplo, como a Felicidade faz com a Letícia… Ela fez várias coisas até o momento que, para eles, foi melhor serem grandes amigos. Foi o que deu certo pra vida. Mas muitas coisas a minha mãe passou por cima pra poder ter as filhas felizes e para poder dar um pai pra filha… Então a inspiração é dona Iracema Ana da Conceição, minha mãe.

Carla Cristina Cardoso e Guilherme Silva em Além da Ilusão

Comente sobre a relação entre Onofre e Felicidade

A relação deles é de amor. Ele pode ser esse homem infeliz pela vida, frustrado por não concluir um sonho, mas ele ama essa mulher, ama as filhas, só foi um pouco castigado pela vida. Trabalhou quando criança e muitas coisas que são o mínimo para um garoto foram retiradas dele. Então ele ama do jeito dele e o álcool sempre vem para diminuir alguma dor. Ele encontrou no álcool uma fuga, como acontece com várias pessoas.

O Onofre sabe que, às vezes, passa do ponto, mas também sabe que aquela é a única mulher que suporta o psicológico doloroso. O marido também não foi de muitos amores na criação dele, mas sabe que tem uma pessoa que o ama e que lhe deu dois filhos. E a relação deles de compassividade é muito feliz, independente das coisas que ele às vezes fala. O jeito dele de se desculpar é amando essa mulher, eu acho.

Qual a sua expectativa para este trabalho?

A minha expectativa é a melhor, é maravilhosa. É a primeira vez que eu vou fazer uma personagem que não é do mundo da comédia. Não estou falando que ela seja uma pessoa totalmente triste. Já fiz uma personagem um pouco nessa vibe, em um curta que tem muito tempo, mas a maioria das minhas personagens é de humor e, geralmente, sou chamada para fazer humor, que amo fazer e não tenho dificuldade nenhuma.

Nesse lugar em que estou, de uma personagem mais firme e muito maravilhosa, estou adorando, sigo muito feliz por ter sido escolhida pelo Luiz Henrique (diretor artístico) e pela Alessandra (autora), por terem confiado em colocar a Felicidade nas minhas mãos.

É um lugar que não é confortável para mim, mas ela me encantou tanto que se tornou confortável. Estou muito firme, com muita fé de que muitas mulheres brasileiras e do mundo vão se identificar com a Felicidade porque estou dando tudo de mim e ela vai nascer com muita força, muita luz.

Além da Ilusão, novela das seis que estreia no dia 7 de fevereiro conta a história de amor de Davi, papel de Rafael Vitti, e Isadora, vivida pelas atrizes Sofia Budke e Larissa Manoela.

Leia outros textos da colunista AQUI.

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