Paulo César de Oliveira será vítima de racismo em vão?

A história se repete, e como sempre não faremos nada para ajudar

Publicado há um mês
Por Christiano Blota
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O árbitro e comentarista esportivo Paulo César de Oliveira foi mais uma vez vítima de atos racistas. Sim. Ele foi ofendido nas redes sociais por mais uma “alma atrasada” na face da Terra.

As pessoas estão descontentes com a própria existência por vários motivos: “A vida não está acontecendo como eu quero”; “Fui humilhado (a)”; briga de casal; pai e filho que não se dão bem; falta de dinheiro; inveja.

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Enfim a lista de queixas é interminável. Então o que a pessoa descontente vai fazer? Ela vai rebaixar o próximo. Incrível, né? Não somos capazes de resolver nossos problemas internos e descontamos nossas frustrações em um símbolo. E o racismo se torna um dos mais ridículos e covardes.

Quando julgamos alguém pela cor da pele, deveríamos nos envergonhar do nosso passado. O Brasil foi uma colônia de exploração das mais sangrentas e severas. Nós falamos dos “tiranos” de hoje e nos esquecemos com facilidade das atrocidades cometidas em um tempo não muito distante.

Sim. Nossos antepassados também têm as mãos sujas de sangue, mesmo os que viam o sistema falho e ignoravam. Alguém já ouviu falar em escravidão? Negros capturados na África, trazidos para essa Terra, castigados, humilhados, sem chance de defesa?

Pior do que ver um negro agredido é olhar e não fazer nada. É reclamar da situação, justificar o ato e no dia seguinte se esquecer da causa. E combater o racismo é algo que precisa começar nas escolas, na nossa cultura, na nossa consciência, precisamos nos unir.

Sim. Mesmo o texto desse colunista é muito fraco frente ao problema do racismo. Eu tenho que me policiar para não me esquecer da causa, porque o comodismo é uma característica muito forte no ser humano.

O problema do racismo, assim como de outros movimentos no nosso País, é que muita gente se aproveita do tema em benefício próprio. As pessoas falam do tema, mas querem ser vistas, no fundo querem dinheiro.

Por isso, alguns movimentos falham. Eles surgem e morrem rapidamente. O ato não é idôneo. É um ato próximo ao vitimismo e culmina em mais exploração alheia. Enquanto isso, a questão cultural permanece muito forte.

Eu vejo meus colegas de profissão revoltados com o que aconteceu com o Paulo César. Eles têm razão, mas me diga uma coisa: onde estão os negros na reportagem? Na chefia de reportagem de um jornal? Nas novelas? Nas transmissões esportivas? Nos programas de entretenimento?

Não adianta pensar em um ou dois nomes, para se esquivar do mundo desigual – o próprio Paulo César é minoria. Vamos pensar de uma maneira ampla, tendo a novela como exemplo.

Até pouco tempo o ator negro tinha sempre o papel secundário. Sim. Não importava a competência, mas os produtores não viam o negro como igual. Como o personagem retratado poderia ser destaque, se a novela é o espelho da sociedade?

Isso mudou nos dias de hoje, ou estamos nos enganando novamente? Mais triste. O negro não era estimulado nas escolas, famílias e governo para saber que ele deve se orgulhar das origens. Bastou um filme da Marvel, Pantera Negra, para a audiência pelo menos visualizar a beleza da raça.

Quem tem um mínimo de cultura percebe as maravilhas do negro, vindas de países fantásticos, que hoje deveriam se somar às outras culturas no Brasil, sem eu precisar escrever um texto. Ora, isso parece óbvio, mas na prática não se mostra eficaz.

Depois de muito tempo, alguns órgãos de comunicação acordaram e promoveram pessoas negras. Para mim, parece mais uma justificativa do que uma ação para mudar essa ridícula realidade na qual vivemos.

Acabar com o racismo, se é que é possível, engloba um comportamento integro, responsável, duradouro – não um comportamento político demagogo.

Uma crença que venha de sólidas bases de conhecimento, de educação. Se quisermos acabar com isso precisamos começar agora, plantar a árvore e não esquecer de regar.

E esperar muitos anos para ver alguma mudança, algum fruto. “Por Trás da Tela” eu não vejo nenhuma mudança, vejo o ser humano vítima da própria hipocrisia.

Eu tenho quase certeza que o assunto “Paulo César” vai repercutir por um tempo e acabar. As pessoas vão comentar, vão espernear, vão protestar, apoiá-lo nas redes sociais, vão cobrar um posicionamento dele, da imprensa, do governo.

Depois de algumas semanas a noticia vai esfriar, vamos dormir… E acordar assustados com mais um ato racista. Ou fingir que estamos assustados!

Aqui neste mesmo Observatório da TV, Fábio Costa falou de Milton Gonçalves e da importância da representatividade negra na dramaturgia, que colabora para que outros “Casos Paulo César” não ocorram. Confira o vídeo:

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