O uso da pandemia como arma do jornalismo na luta política

Emissoras de TV estão mais preocupadas com política do que com saúde

Publicado há um mês
Por Christiano Blota
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Realmente vivemos em uma época sem precedentes na História contemporânea. A experiência de viver em um mundo com covid-19 é algo surreal. Como conviver com um inimigo invisível? Como proceder e alterar o modo em que estávamos acostumados a viver? Como encarar algo que nem os médicos sabem ao certo o que é?

Esse é ponto ao qual eu quero chegar. Algo está me incomodando muito nas redações de jornalismo Brasil afora: a maneira como estão tratando a doença. Eu me pergunto: a covid-19 é questão de saúde pública ou questão política?

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Os telejornais estão preocupados com os doentes, ou estão preocupados em derrubar o governo? Antes que resolvam falar desse colunista, já aviso que não sou filiado a nenhum partido, estou longe de política, e apenas quero analisar esse “ruído” que percebo em chefias jornalísticas. Vamos pensar juntos?

Eu tenho muito tempo de rádio e TV e consigo sentir o cheiro de podre nas redações de jornal, mesmo à distância. É difícil explicar. Com a prática, você acompanha um jornal em qualquer TV e sabe o recado que os chefes de redação querem passar. Exatamente nesse ponto está o erro.

Chefe de redação precisa noticiar o que está acontecendo e não tentar doutrinar o espectador. E o que dirá o chefe de redação que obedece ao dono da emissora de televisão, que certamente tem interesses econômicos?

Não precisa fazer muita conta para perceber que o repórter e o âncora obedecem à política do canal, que é a mesma do dono da emissora, que depende de ajuda de governo. Então, como atacar um governo quando a emissora não é atendida? Com o que há de pior para a sociedade. Nesse momento o pior para a sociedade se chama covid-19.

A velocidade das notícias sobre mortes de pessoas que contraíram o novo coronavírus é assustadora. Que base de dados eles estão usando para falar que alguém morreu da doença? Como ter tanta certeza de que a pessoa morreu de covid-19, ou se ela foi a consequência de uma doença fatal? Será que morreu de covid-19?

Como cidadão, eu acho que os médicos deram o recado. Devemos usar máscara, lavar as mãos com água e sabão, passar álcool em gel, respeitar a distância permitida entre pessoas. Se os jornais fizessem um informativo diário, com competência, sem alarde, sem ocupar tanto tempo, poderiam até falar de outras questões importantes para o País.

Mas descobriram a conta perfeita, ou acham que descobriram. Falar em aumento do número de infectados e mortos pelo novo coronavírus prejudica o governo e sobe a audiência da TV. Sim. Óbvio. Todas as pessoas que acompanham jornalismo, estudantes, simpatizantes, sabem que desgraça aumenta a audiência, infelizmente.

Então, vamos ameaçar o governo falando da doença e a nossa audiência sobe. O governo fica com medo e nos ajuda financeiramente. O cálculo parecia simples, mas se tornou extremamente complexo – sempre surge o imponderável.

O governo não recuou, algumas emissoras de TV tinham declarado guerra e não poderiam pedir trégua. A guerra começou, vai se estender até as próximas eleições presidenciais e o futuro é incerto. A única lição que tiramos de todas as guerras que estudamos na vida é a de que ninguém vence. Ao contrário, outra potência surge em meio ao caos.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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