Globo dispensa Tarcísio e Glória e cospe no próprio chão

Globo mostra ingratidão ao demitir Tarcísio Meira e Glória Menezes

Publicado há 3 meses
Por Christiano Blota
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As pessoas comentam o fato de Tarcísio Meira e Glória Menezes não terem mais contrato fixo com a TV Globo. O assunto mexeu com muitos fãs que não se conformam com o fato. Alguns sentem que há um certo desrespeito com o casal, que passou 53 anos na emissora. 

Bom. Eu sinto informar, mas esse não é apenas um problema da Globo. As emissoras de TV não estão muito preocupadas com a pessoa, mas com o personagem. Os motivos de audiência, idade, saúde e cultura são os que importam. Respeitar os mais experientes? Só se for pai de gente nova que está no poder.

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Vamos falar da questão cultural. Idade. Nós acompanhamos a revolução das raças discriminadas, acompanhamos os protestos homofóbicos. Em política vimos as avenidas das cidades do Brasil paradas – eu me lembro dos caras-pintadas.

Mas eu não me recordo da “Revolução dos Idosos”. Em algumas culturas desse mundo, o velho é o arquétipo da sabedoria, da experiência, do respeito, do conforto – isso para resumir em poucas palavras. Na nossa sociedade e na TV, que deveria dar o exemplo, respeitar o idoso, aquele que semeou o campo para os jovens, parece algo muito distante.

Eles citam a terceira idade somente nas matérias de jornal, de vez em quando. Eu fiz uma reportagem sobre isso na Band, que já deve ter ido para o lixo, claro. Porque, além da matéria falar sobre a terceira idade, ela é velha. Que preguiça!!! 

Mas a emissora de TV, que ganhou muito mais do que gastou com Tarcísio e Glória, não vai pensar duas vezes em dispensar em nome dos pontos de audiência. A falta de respeito é tão grande que faz com que os funcionários trabalhem por lá sem vontade. Tomara que a Globo corrija o erro, ainda temos tempo.

O pensamento é: se Tarcísio e Glória não foram valorizados, quem será? Por uma questão de moralidade o casal deveria ser parte da Globo. Eles deveriam ter uma estátua no Projac, segundo o editor Fábio Costa, do nosso Observatório da TV. Não importa se eles receberam um bom dinheiro, tem algo que se chama “integridade”.

Mas, eu insisto em dizer, o problema é de todas as emissoras. Tem uma em São Paulo que guardava as fitas com grandes nomes do passado no banheiro. Sim. Foi graças à boa vontade de um grande profissional que as sonoras e gravações de pessoas que fazem parte da história da TV não foram literalmente para o ralo.

Ele mantém a “memória” de grandes comunicadores do passado, que têm muito a nos ensinar. São entrevistas com atores, atrizes, cantores, cantoras, apresentadores, comunicadores, jornalistas. São tesouros recuperados que valem muito para os ouvintes e menos do que carrapato de gado para outros.

Ainda bem que temos mais exemplos de pessoas que preservam a memória da TV e do rádio. Mas quantas imagens, entrevistas, apresentações musicais foram perdidas? Como as que foram queimadas nos incêndios da Record nos anos 1960 e 1970? Não quero saber se o incêndio foi proposital, se foi por negligência. O fato é: se dessem o devido valor aos documentos, isso não teria acontecido.

Enfim, por onde andarmos nas emissoras do nosso Brasil vamos ouvir a história de alguém que deu a vida a empresa e foi dispensado, morreu e o jornal não mencionou, ou de gravações largadas em porões. Vemos TVs compradas por outras organizações, que não se interessam pelo passado.

Por quê? Simples. Nossa cultura está longe da evolução. Aquela frase que diz que “velho é peça de museu” é a mais ridícula que eu já ouvi. Se é peça de museu, deveria ser valorizado como patrimônio histórico. Porque ser velho é lindo. O idoso é o espírito que ressuscita o passado para que tenhamos experiência e confiança no futuro.

Mas estamos tão longe disso que mesmo os velhos donos de emissora não conseguem enxergar. Eu só posso dizer que, quando fecho os olhos, agradeço os momentos que passei com Tarcísio e Glória em frente à TV. E seguramente, como eu, tantos outros.

*As informações e opiniões expressas nesse texto são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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