“Depois da curiosidade inicial, as pessoas foram ficando porque gostaram”, diz Joel Datena

O apresentador de dois jornalísticos das manhãs da Band fala sobre sua trajetória e diz que ser filho de José Luiz Datena não o atrapalhou

Publicado há um mês
Por Christiano Blota
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Desta vez o convidado da nossa coluna Por Trás da Tela é Joel Datena. Um rapaz competente e humilde, foi o que eu senti. Com certeza, essas são armas fundamentais para se perpetuar na profissão. Joel é aquele amigo que muita gente gostaria de ter, e isso talvez explique um pouco seu sucesso.

Joel comanda o Bora São Paulo e o Bora Brasil na Band. Eles somam três horas por dia nas manhãs – entre 6h e 9h. Além disso, o apresentador trabalha mais duas horas à tarde na Rádio Bandeirantes, das 13h às 15h, com Bora Brasil. Ele começa falando sobre como começou a carreira na TV.

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JOEL DATENAEu comecei na TV pela pesca esportiva, que é um negócio que eu sempre gostei e sempre entendi, por ter estudado muito o assunto. Desde criança, sempre fui apaixonado por este esporte. Uma vez me encontrei com um amigo, isso deve ter quase 20 anos, o Fernando Faria (que é um grande comunicador), e conversamos sobre pescaria e tal. Ele me disse que tinha vontade de fazer um programa com este tema.

Coincidentemente era um sonho que eu tinha desde criança. Se você perguntasse para mim, quando tinha meus 13, 14 anos, o que eu queria fazer, eu responderia que era um programa de televisão, de pesca esportiva. Eu falei: “Será que rola?”. Ele me respondeu: “Vamos fazer um piloto (programa onde se experimentam as ideias). Acho que fica legal. A gente gosta disso e temos uma certa facilidade”.

Eu fui meio que relutante, mas fizemos o piloto e ficou muito legal. A história começou. Nós pegamos um horário local, veiculamos o programa e ele existe até hoje. Chama-se Coração de Pescador. Não e mais apresentado por mim, mas é um programa de sucesso no segmento.

O programa de pesca me deu condição de eu falar com as câmeras e, aos poucos eu fui aprendendo. A partir deste programa as oportunidades foram surgindo, meu trabalho foi aparecendo, as pessoas que se simpatizam com o meu trabalho aos poucos foram vendo e fui crescendo.

Por exemplo, do Coração de Pescador uma vez pintou uma brecha em um programa de turismo chamado No Coração do Brasil, da própria Band. O apresentador que era o “Datenão” (José Luiz Datena, pai de Joel) saiu, não podia mais fazer, uma menina que fazia teve que sair e ficou uma lacuna.

Tiveram a ideia de me colocar para fazer um teste. Foi legal, fiz o programa por cinco anos, junto com o programa de pesca e as coisas foram acontecendo. Eu também recebi uma proposta para trabalhar no jornalismo em uma TV local em Goiânia, algo que era meio distante para mim. Pensei: “Trabalho com natureza. Minha pegada é diferente”.

Mas resolvi encarar o desafio, foi bacana, fiz durante uns seis anos o programa lá e alguém viu meu trabalho na Band. Um diretor resolveu me colocar no sábado, conversou com meu pai, o que ele achava, e as coisas foram acontecendo.

Eu fui chamado outras vezes, comecei a cobrir férias do Brasil Urgente, do Datenão, até surgir uma oportunidade mais concreta, de eu ter que vir a São Paulo. Pintou um projeto dominical para o meu pai e alguém tinha que assumir o Brasil Urgente. Felizmente a casa se lembrou de mim e me entregou aquela missão, de muita responsabilidade.

Eu apresentei o ano inteiro, logo depois o Datenão teve que retornar e, como eu fui muito bem, eles resolveram criar um projeto para mim, nas manhãs, que é o Bora São Paulo, e a consequência que é o Bora Brasil.

O Bora São Paulo foi um programa que deu certo porque começou a cuidar mais da Grande São Paulo, um programa que faltava aqui na casa e, como foi muito bem, a Band resolveu expandir com uma parte nacional. E as coisas foram acontecendo, como a Rádio Bandeirantes, consequência dos programas que eu apresento na TV.

Hoje eu estou na Rádio Bandeirantes, um microfone que dispensa apresentações, que tem know-how, que é a origem de todo o Grupo Bandeirantes de Comunicação. É mais ou menos isso. Só que este caminho todo, demorou muito tempo. Eu te resumi em alguns minutos, mas é uma história longa, de vários insucessos, de portas fechadas, de frustrações, de momentos em que você pensa em desistir, mas felizmente eu estou aqui, na Band, e muito feliz. Foi uma estrada muito bem asfaltada até eu chegar aqui, não foi do nada, nem da noite para o dia.

CHRISTIANO BLOTA – Quando te chamaram para substituir seu pai, o que você pensou? Você pensou: “E agora? Vamos encarar?”. Dormiu bem? Não dormiu? Ficou ansioso? Ou foi um processo natural?

JD Foi um processo naturalíssimo, porque eu gosto de desafios. É o que me move, né? Quanto maior o desafio, mais estimulado eu fico e mais eu rendo. Então, ali eu tive a certeza que seria a virada de chave na minha carreira. Eu sabia que as pessoas iriam ver realmente a condição que eu tenho, o profissionalismo que eu tenho, e foi exatamente o que aconteceu.

É uma responsabilidade muito grande, mas ela não seria imputada a mim se a casa não tivesse certeza que eu teria condição de sustentar o programa mais estratégico do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Quando eu recebi a responsabilidade, eu agarrei.

CB – Eu posso te fazer esta pergunta extremamente à vontade, porque eu passei isso sendo neto de um dos maiores comunicadores da história (Blota Jr.): ser filho do Datena atrapalha ou ajuda, no que diz respeito às cobranças de público?

JDNão me atrapalha de jeito nenhum. Muito pelo contrário. Primeiro, porque eu tenho o privilégio de ter honrado muitas características boas dele, relacionadas ao trabalho. Eu tenho uma gratidão eterna por isso. Segundo, porque não me vejo nem um segundo sendo comparado ou testado por conta disso. O que acontece é o seguinte: às vezes, as pessoas que me viram nas primeiras vezes, olharam para me avaliar. E eu sempre fui ciente disso. Ele (Datena) tem uma linha de trabalho e eu tenho outra.

Eu sempre mostrei o meu trabalho, independentemente de comparação, de qualquer coisa. Foi bom para que as pessoas me vissem através da curiosidade inicial, e depois elas foram ficando porque gostam do meu trabalho. Não me atrapalha de jeito nenhum, de forma alguma.

CB – Qual foi o momento mais complicado para você ao vivo, o que mais exigiu preparo emocional?

JDAcho que foi a cobertura da prisão do ex-presidente Lula. Nós ficamos muito tempo no ar quando ele foi para o Paraná (Lula foi condenado por 12 anos, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex no Guarujá). Como a audiência foi muito grande, nós estávamos colados na primeira colocada, a responsabilidade era grande.

Primeiro porque foi um dia diferente para o Brasil com cobertura de muita responsabilidade, algo que eu jamais gostaria de participar porque não é saudável para ninguém, para país nenhum, ter um ex-presidente preso, mas ali foi uma responsabilidade que eu recebi, eu tive que dar seguimento e as coisas aconteceram da melhor forma possível. Por incrível que pareça, nos momentos de complicação, exigência, momentos em que muitas pessoas acabam se atrapalhando, eu procuro colocar o pé no chão, raciocinar, de uma forma mais paulatina, tranquila, sabe?

Então, é por isso que eu me destaco nestas coberturas ao vivo. É um negócio que me traz uma certa tranquilidade. O ao vivo me traz tranquilidade, principalmente quando é algo que está acontecendo naquele instante mesmo, para desenrolarmos e desenvolvermos o fato ao longo do programa. Eu tenho essa facilidade. Felizmente eu tenho a facilidade de lidar bem com isso.

CB – Qual foi seu melhor momento como apresentador, uma satisfação pessoal? E o pior momento, se é que você teve?

JDÉ difícil, porque a gente tem tantos momentos especiais…

CB – Eu sei. Não é fácil mesmo.

JDEu não conseguiria te falar, sem brincadeira. Eu acho que o momento difícil foi a morte do Luciano do Valle, porque eu estava no ar, quando entraram no meu ponto e falaram: “Luciano do Valle acabou de falecer”. Por tudo que ele representa para o Grupo Bandeirantes de Comunicação, aquilo foi difícil, saber lidar com isso. Houve outros casos, que não preciso pontuar, ou deixar de forma clara, que são casos tristes e que mexem com a gente.

Agora, momentos de felicidade,,. Acho que o mais especial para mim, nos últimos tempos, foi quando a gente fez o primeiro dia de Bora Brasil, na Band. Nós começamos com o Bora São Paulo, foi quase um ano, e na sequencia surgiu o Bora Brasil.

Quando eu pude voltar a falar com todo o Brasil, ali eu fiquei com os olhos marejados, bateu uma emoção muito forte. Agradecimento foi o que me veio à cabeça. Não só para o público, mas para as pessoas que estavam me proporcionando aquilo, como o Rodolfo Schneider, Fernando Mitre, e toda a direção da Band. Ali foi diferente, viu, Christiano?

CB – Você imagina o que estará fazendo daqui a 10 anos? Você faz planos, ou vive o dia a dia?

JDOs dois. Eu também gosto de me programar. Eu me vejo daqui a 10 anos fazendo exatamente o que eu faço hoje. Eu acredito que terei uma carreira longeva e daqui a 10 anos estarei fazendo o que faço hoje, me comunicando com as pessoas. Não sei se nos mesmos projetos, porque a vida é feita de etapas.

Se lá na frente aparecer outro projeto, eu estarei dentro, mas sempre me comunicando com o público, que é o que me faz vivo. O que mexe comigo, que me instiga, me faz acordar animado todos os dias. Você acorda de madrugada, olha no relógio, pensa: “Puxa vida, será que vale a pena”? E você pensa novamente: “Vale”. Tem muita coisa boa acontecendo, muita gente que gosta do meu trabalho, então, é uma responsabilidade enorme. Exatamente isso. Eu me imagino fazendo o que faço hoje: comunicar.

E da maneira mais simples possível, eu sempre acreditei na comunicação simples. Não gosto de coisas quadradas, programadas, quanto mais elas fugirem do trivial, melhor – faz a diferença para mim.

CB – Joel, como é sua relação com o Datenão? Ainda não tomei um café com seu pai. Você pode me falar da relação pessoal e profissional?

JDProfissional é mínima. A gente fala muito pouco. A relação é pai e filho, filho e pai. Ele é muito preocupado com a gente. Quer saber como a gente está todo dia. Se está bem, com algum problema, se está precisando de algo. É o filho sem saber que o pai é um colega de trabalho e um pai sem saber que o filho é um colega de trabalho. Por isso é que é uma relação saudável.

CB – Vamos encerrar com a pergunta chave da coluna. O que o Joel Datena gosta de fazer quando não está na frente das câmeras? Quando está “Por Trás da Tela”?

JDIr para o mato. Com toda a certeza. Ir para algum lugar que tenha natureza e pouquíssimas pessoas, para eu ficar ali recluso, pescando, fazendo uma comida simples, vendo passarinho. Sair da cidade. Eu sempre me identifiquei muito com o mato e natureza, a vida inteira. É o que me faz tranquilo e o que me faz feliz. Eu me vejo futuramente mais presente com a natureza.

CB – E este amor pela natureza, de onde vem, Joel? Prometi fazer a última pergunta, mas já emendei outra.

JD – Nasce com a gente e a paixão vai sendo despertada aos poucos. Eu tenho muitas pessoas na minha família que têm esta afinidade. Meus avós eram pescadores, gostavam de natureza, sempre atuaram no meio rural, e isso acabou vindo deles. Eu desde criança fui sempre apaixonado por bicho, por animal, por natureza. É minha essência, está dentro de mim. É onde eu me reencontro e consigo alinhar meus pensamentos, que às vezes estão divergentes e atabalhoados. É onde eu consigo colocar tudo nos trilhos. Quanto mais eu conheço o homem, mais eu amo os bichos.

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