Contratado pelo SBT na retomada dos esportes na emissora, Téo José é o convidado da coluna

De volta à emissora de Silvio Santos, narrador comenta a nova etapa e o movimento do mercado de esporte na TV

Publicado há 10 dias
Por Christiano Blota
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Hoje o convidado da coluna Por Trás da Tela é o narrador Téo José. O profissional experiente e versátil retorna ao SBT para narrar jogos da Copa Libertadores da América, que será exibida pelo canal, a partir desta quarta-feira (16). O jogo será entre Bolívar e Palmeiras. Téo traz novidades aos apaixonados por esporte.

Qual é a sensação de voltar ao SBT depois de tantos anos?

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O SBT eu costumo dizer que é a minha casa. Eu passei mais tempo em outra emissora, mas o SBT me deu projeção, foi lá que eu aprendi muito como profissional, em TV aberta no Brasil, e entendi a responsabilidade de trabalhar em uma das maiores emissoras do Mundo. Eu encaro a volta como um presente de Deus, estou muito feliz, tenho amigos na emissora e a sensação de voltar para a Libertadores me deixa ainda mais contente. Adoro desafio. Só trabalho bem se eu estiver motivado.

Imaginou um dia voltar ao SBT?

Eu sempre quis voltar, eu mentalizei muito isso. Eu pensava: “Eu quero trabalhar no SBT de novo, eu quero trabalhar no SBT de novo”. Principalmente depois que eu narrei o Fla-Flu, na final do Campeonato Carioca (O SBT foi liberado pela Disney, dona do FOX Sports, para a transmissão). Eu acredito no pensamento positivo. Eu sempre me vi no canal novamente.

A emissora fez excelentes coberturas esportivas: Copa do Mundo, Olimpíada, Brasileirão, mas desistiu dos projetos. Tem receio que aconteça novamente?

Não tenho receio. A gente sabe que o contrato da Libertadores tem validade, mas pela motivação das pessoas que estão lá em todos os setores (comercial, programação, jornalístico, artístico, digital), eu acredito no projeto.

Apesar de vivermos pandemia, problema na economia e em todos os setores, se tivermos sucesso de audiência, sucesso comercial e editorial não vejo por que o esporte não tenha continuidade no SBT. Eu vejo as pessoas falarem na emissora que podem ter mais eventos esportivos e eu acho isso positivo.

Você é muito conhecido pelos famosos bordões: “Não é assim” (quando o jogador perde um gol); “Não perde mais” (quando um corredor da Indy vence). De onde vem a criatividade?

Isso vem da conversa com as pessoas na rua, vem de muita música, vem de novela (gosto muito de novela). Por exemplo, o “Não, não é assim”. Eu estava torcendo para o meu time (Goiás), um cara errou um gol feito, e eu disse “Não, não é assim” e incorporei nas narrações.

O “Não perde mais” veio de uma prova de cavalo no hipódromo de Goiânia, na época eu era repórter e estava cobrindo a corrida, e eu ouvi o narrador falar: “Cruza o disco final, fulano de tal, não perde mais”. Ficou na minha cabeça.

Como eu torcia muito para o (Ayrton) Senna, ele correu em Mônaco e estava 50 segundos à frente e acabou batendo, aquele negócio ficou na minha cabeça e incorporado depois nas narrações. Tanto que no começo das minhas transmissões em automobilismo você não escuta o “Não perde mais”.

Esse é um dos bordões mais famosos, apesar de um publicitário famoso da época me chamar em um canto, em uma corrida de Fórmula Indy, nos Estados Unidos, e dizer para mim que “Não perde mais” não era uma boa ideia. Era muita negação junta. Eu disse “Obrigado pela dica”, e continuei.

Téo, o que você pensa a respeito da Globo não transmitir mais a Libertadores? E o fato de outros meios de comunicação, como o streaming, ganharem mais espaço no esporte? Como você analisa isso?

Eu acho que, se todas as mídias trabalharem juntas, o resultado é maior, tive a oportunidade de ver isso dentro da Fox e através dos números do SBT, com relação à transmissão dos programas em outras mídias. Eu não tenho medo das outras mídias sociais, eu acho que tudo isso vai fortalecer a televisão aberta, que ainda é indiscutivelmente a maior força da comunicação – se ela chega por cabo ou computador é uma outra história.

Sobre a distribuição de direitos esportivos seja nas televisões (como você citou a nossa maior concorrente), seja nas mídias sociais, eu acho que a gente tem que ter mais sucesso através da qualidade e não através do poder econômico. Eu queria que todas as TVs abertas ou fechadas pudessem transmitir esportes. Eu sou a favor de tudo que é democrático.

E a questão da renovação de narradores? Não sinto novos talentos surgindo, vejo mais as pessoas que estão consolidadas. Como você sente o mercado?

Como os eventos esportivos se espalharam nas TVs a cabo, nas mídias, acho que tivemos mais profissionais aparecendo. Eu vejo muita gente boa, muito jovem com potencial, vejo uma renovação clara. Mas acho que a renovação precisa acontecer de acordo com os resultados e não com as “modinhas”.

Tem muita gente boa aparecendo, vai ser destaque em pouco espaço de tempo, mas espero que a análise feita dos profissionais (narradores, comentaristas, repórteres, apresentadores) seja técnica e de resultados, não apenas uma questão de audiência.

Hoje eu vejo muita gente querendo seguir uma linha mais engraçada, mas se esquece da informação, alegria e emoção de forma responsável. Na televisão aberta ou fechada a gente não fala para nicho, mas para o público em geral.

E a questão das mulheres narradoras, ou mulheres nas transmissões esportivas? O que você pensa?

Eu acho muito legal, o espaço está se abrindo para as mulheres. Eu vejo a Renata Silveira (narradora) com um potencial incrível, dedicada ao esporte, uma profissional excelente. Eu vejo a Nadine Bastos (comentarista de arbitragem) com conhecimento das regras de futebol tão bom que eu ficava mais tranquilo nas transmissões, tinha muita confiança nela.

Tem a repórter Nadja Mauad, com informações bacanas e com competência. Eu não vejo diferenciação de homem ou mulher, eu vejo quem tem qualidade e merece o espaço.

Depois que o Téo José narrar o jogo da Libertadores no SBT, o que ele vai fazer?

Eu vou chegar em casa, vou chegar tarde, e vou abrir um bom vinho português, que é o meu preferido. Eu vou comemorar sozinho, pensando nos amigos. Tem mais de uma semana que eu estou me preparando para narrar o jogo e não coloco uma gota de álcool na boca…

Como a nossa coluna se chama Por Trás da Tela, eu gostaria de saber o que você faz para equilibrar trabalho e vida pessoal, vida social…

Muito difícil. Na Fox eu morava no Rio e não era fácil. Quando você trabalha em TV a cabo há mais eventos para fazer, tem os programas de esporte, você fica muito tempo ao vivo. Então, há maior exigência de todos os profissionais.

Eu procuro equilibrar trabalho e vida pessoal com as minhas paixões. Eu moro em Goiânia, onde eu vejo minha mulher, tenho a oportunidade de brincar com meus cachorros.

Quando estava no Rio era mais complicado ir para casa. Então, na Cidade Maravilhosa eu encontrava os amigos para tomar um bom vinho, eu tinha um grupo bom lá. E a outra grande paixão é música. Então no Rio eu frequentava shows, como o dos Paralamas do Sucesso, que eu sou apaixonado.

Em Goiânia eu gosto de encontrar os amigos, são muitos, mas essa parte estava difícil. Acho que no SBT, com o espaçamento maior na agenda, com o tempo, eu acho que vou curtir mais. Mas não estava sendo fácil. Eu engordei, parei de fazer exercício por causa da falta de tempo, e agora entrei em uma rotina boa. No período de pandemia eu perdi sete quilos, tenho que perder mais.

Boa sorte, Téo José!

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