Carta aos Jovens Jornalistas

Com o tempo, você percebe que o trabalho tem que ser parte da sua vida e não a vida uma parte do trabalho

Publicado em 24/8/2021
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Olá, amigos da Coluna Por Trás da Tela! Na década de 1990, eu tinha terminado a faculdade e aceito para ser repórter em um importante veículo de comunicação. Fui escolhido para entrar no grupo responsável pelas notícias esportivas, mas, é claro, me aproveitaram para outras matérias – inclusive comportamentais e até para substituir âncoras consagrados que entravam em férias.

Eu não tinha dia, noite, horário, ganhava pouco e constantemente meu celular tocava nos horários mais improváveis. A regra era: “Faça tudo e você será recompensado“. E realmente eu fui reconhecido várias vezes, por chefes e público.

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Em uma dessas vezes, ganhei um prêmio como repórter revelação da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (Aceesp). Mas, com o tempo, você percebe que o trabalho tem que ser parte da sua vida e não a vida uma parte do trabalho. Isso é outra história.

Quem olha a foto no dia da premiação me enxerga fazendo pose, com cara de homem forte, mas não adivinha que eu estava febril e com as pernas cansadas. Trabalhei horas antes de receber a honraria. Na empresa me cumprimentaram, me deram tapa nas costas, mas o salário continuou o mesmo e não fui promovido.

Os jornalistas Débora Meneses e Christiano Blota na entrega do Prêmio Aceesp de 1998 (Reprodução/Revista Aceesp/Acervo pessoal/Christiano Blota)

A realidade de um jornalista é menos “glamorosa” do que as pessoas imaginam – nem por isso menos feliz. Eu sempre digo aos jovens estudantes: Tenham certeza do que vocês querem. Se for para ser reconhecido na rua, frequentar festas, ter plano de carreira e dar autógrafo, esse não será o caminho de vocês, com raras exceções”.

“Vocês irão a festas, ambientes bonitos, somente diante da necessidade de divulgar a notícia (política, econômica e social). Só acompanharão clássicos de futebol ou Fórmula 1 se for para ficar em pé horas antes e horas depois dos eventos.”

Serão os primeiros a chegar e os últimos a sair, sem tempo para comer decentemente, tampouco de sentar – a não ser que o trabalho seja em estúdio e, mesmo assim, vocês se sentirão constantemente invadidos pela tensão, diante da importância do veículo que representam.”

Infelizmente, muitos confundem o ofício de jornalista com glamour, prestígio, dinheiro e merecimento. É uma vida inconstante e, por isso, sempre recorri a outros trabalhos (freelancer), que não ferissem a ética no trabalho, para me sustentar e constituir uma família, como era meu desejo. Até me tornei empresário… Ou quase isso.

Se você quer ser jornalista, pare, pense, reflita, converse com amigos sinceros da área, visite redações, acompanhe reportagens. Se depois desse processo de maturação, mesmo assim, você quiser seguir em frente, há chance de ser feliz na profissão – sentirá que tem não somente o talento, mas principalmente a vocação para enfrentar os desafios. Mais do isso: desenvolverá paciência e coragem para suportar os despreparados e mentalmente instáveis que certamente surgirão no seu caminho.

Boa sorte a vocês. Antes de tudo, sejam felizes!

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