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Hayley Mills

“Poliana” da Disney, atriz virou acumuladora, perdeu estatueta do Oscar e convive com maldição da personagem: “Meu golpe de sorte foi um erro”

Atriz desenvolveu bulimia após começar a vomitar a cada refeição para se sentir pequena e infantil

Publicado em 13/03/2022
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Não é raro nos depararmos com casos trágicos de crianças prodígios da TV que cresceram traumatizadas e hoje querem distância dos holofotes ou que simplesmente não conseguem seguir a carreira sem serem associadas ao papel que as projetaram no meio artístico.

Daniel Radcliffe (Harry Potter), Macaulay Culkin (Esqueceram de Mim), Lindsay Lohan e as gêmeas Olsen são alguns desses exemplos. Mas se revisitarmos alguns anos mais distantes que os 90 e 2000, encontraremos muitas outras personalidades que sofreram e ainda sofrem perseguição da mídia e do público por causa de um determinado trabalho. Hayley Mills que o diga!

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A “Poliana” da Disney, que em 1960 ganhou um Oscar pelo papel marcante da menina do jogo do contente, foge até hoje de ser associada à personagem. Em recente entrevista ao Los Angeles Times, Mills, revelou que o estigma de “garota prodígio” e a pressão por causa sucesso a fez enfrentar doenças a partir de então.

Heyley Mills, a Pollyanna da Disney hoje tem 75 anos (Foto: Christopher L. Proctor/The Times)

Essas e outras histórias chocantes do estrelato infantil ela relata em “Forever Young”, sua autobriografia publicada em 2021.

Para se ter uma ideia da gravidade, a atriz desenvolveu sonambulismo durante o auge do sucesso, se tornou acumuladora, perdeu a estatueta do Oscar e também todo o dinheiro conquistado com o sucesso, tudo isso além da bulimia enfrentada na transição da infância para a adolescência.

Além de tudo, Mills ainda afirma conviver com uma “maldição” da personagem: a positividade. “Ela enfrentou muitos desafios enquanto mantinha essa imagem pública jovem na qual os adultos ao seu redor investiam”, disse Gretchen Young, vice-presidente da Grand Central Publishing e responsável pela edição do livro.

Hayley foi descoberta por um cineasta que ficou tão impressionado com o carisma da garota na companhia de seu pai que decidiu escalá-la como protagonista em seu próximo projeto, Tiger Bay.

Ao assistir o desempenho da menina neste projeto, um produtor da Disney achou que ela poderia dar certo como protagonista do clássico infantil de 1920.

Heyley Mills, a Pollyanna da Disney em 1960 (Foto: Disney – Christopher L. Proctor/The Times)

Poliana, como sabemos, é a história de uma órfã, interpretada pela primeira vez por Mary Pickford, que é acolhida por sua tia rica e fria.

Apesar de suas circunstâncias, a menina mantém uma atitude otimista – otimismo que é testado quando sofre um acidente e fica paralítica.

“Walt [Disney] a descreveu para mim como ‘o melhor talento que entrou na indústria cinematográfica nos últimos 25 anos’”, escreveu a colunista de fofocas Hedda Hopper em uma coluna do Times de 1960. “Mesmo assim, eu não estava preparada para ser a garotinha incrível”, desabafa ela em palavras escritas.

A Disney prometeu ao pai de Mills um papel importante em The Swiss Family Robinson se ela aceitasse os termos de seu contrato: 10.000 libras para Pollyanna, que são cerca de US 235.000 em 2022 – com um aumento de 10.000 libras a cada ano, sem resíduos.

Heyley Mills (Foto: Disnye – Christopher L. Proctor/For The Times)

Eu sabia que papai estava orgulhoso de mim, mas ele nunca falou disso”, escreveu Mills no livro. “Ao encobrir coisas que eram reais e importantes, como ganhar um Oscar, eles estavam involuntariamente negando marcos na minha vida. Fiquei com a convicção esmagadora de que, de alguma forma, meu golpe de sorte foi um erro – e comecei a me sentir culpada pelo meu sucesso.”

Para agravar a situação, Mills perdeu a estátueta do Oscar – que tinha metade do tamanho de um Oscar adulto – décadas depois. Depois de trabalhar em um emprego de três meses nos Estados Unidos, ela voltou para casa e descobriu que havia sido extraviado ou roubado.

Quando ela pediu a academia para um substituto, ela foi rejeitada. “Depois da minha estatueta, eles pararam de confeccionar”, explica ela. “Eles quebraram o molde do [meu] Oscar.

Hayley Mills no papel de Pollyanna (Divulgação)

Hayley Mills fala com gratidão e leve frustração sobre Poliana. “Pareceu que queriam retardar meu desenvolvimento para ser adulta”, relembra ela. “Os atores são muito mais corajosos hoje. Você olha para Daniel Radcliffe de ‘Harry Potter’, como ele tem sido corajoso com sua carreira. Ele realmente se arriscou, e eu admiro muito isso.

Mas a aclamada atriz disse que ela estava mais preocupada em agradar os adultos ao seu redor com medo de decepcionar todos os que não queriam que ela crescesse. Então ela começou a vomitar após cada refeição, desenvolvendo bulimia em uma tentativa de permanecer pequena e infantil.

Em 1964, Hopper, o mesmo colunista do Times que escreveu sobre “Pollyanna”, observou a figura encolhida de Mills: “Hayley Mills, mais magra e parecendo que o milhão foi escondido dela”, dizia a manchete.

Hayley Mills no papel de Pollyanna (Reprodução: Disney/YouTube)

Sete quilos a menos do que quando a vi pela última vez, seus 112 quilos estão distribuídos nos lugares corretos”, escreveu Hopper. “‘Estou tentando encolher meu estômago para o tamanho de um amendoim’, disse [Mills].

A atriz tinha pavor de seguir os passos de colegas como Judy Garland, que tentou o suicídio após O Mágico de Oz. “Eu poderia me relacionar com esses mesmos sentimentos de impotência, e a pressão e expectativa intangíveis que uma criança sente”, escreveu ela no livro.

Judy foi um conto preventivo e comecei a me preocupar que, a menos que eu saísse da minha própria camisa de força, eu poderia acabar em um lugar semelhante.

A solução foi fugir da Disney. Quando Hayley completou 20 anos, seu contrato expirou e ela optou por não renová-lo. No ano seguinte, ela se apaixonou por Roy Boulting, um de seus diretores em The Family Way de 1966 – um filme que também contou com sua primeira cena de nudez.

O cineasta tinha 53 anos, e a diferença de idade do casal perturbou tanto os fãs leais quanto seus pais, mas isso não a impediu de se casar com Boulting em 1971.

Quando ela completou 21 anos, Mills finalmente teve acesso a um fundo que havia sido criado para guardar seu salário da infância. Mas quase não sobrou nada na conta. Suas economias haviam sido sujeitas a uma taxa de imposto de 91% estabelecida pela Receita Federal para reconstruir a Inglaterra depois da guerra.

“A maneira como ela descreve a experiência de ter todo esse dinheiro tirado é muito inocente – tipo, como você pode se sentir triste por algo que nunca teve”, diz Crispian [filho]. “E acho que agora as pessoas vão perceber que há um elemento de Pollyanna nela que é muito real. Essa era a verdade aparecendo na tela.

Apesar dos pesares, Mills afirma que ainda existe um pouco de Poliana nela. “Eu tendo a ver o lado bom da vida“.

Hoje a atriz fica pacificamente cercada pelos fantasmas de seu passado – troféus de atuação, fotografias emolduradas, bilhetes escrito à mão fixados na parede, um gigantesco acervo de coisas que ela não desfaz e que a motivou escrever o livro antes que ela esquecesse seu próprio nome, como bem avisou seu filho Crispian.

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