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O balanço da cores

Mais que o próprio Pantanal, Globo também quer imprimir imagem dos interiores do Brasil

Cores da natureza estarão estampadas em cada personagem

Publicado em 24/03/2022
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Enquanto cenário e produção de arte enchem os olhos de quem gosta de reparar nos detalhes, o figurino não tem como se esconder, é o primeiro a ser visto e comentado. Na Globo desde 1995 – atuando como figurinista desde 2004 -, Marie Salles já assinou o figurino de grandes obras, como Amor de Mãe, Avenida Brasil, Cordel Encantado, Novo Mundo, entre outras novelas.

Agora, na nova versão de Pantanal, a figurinista conta como ficou encantada com a explosão de cores que encontrou ao chegar por lá, em sua primeira viagem, e como procurou imprimir isso no trabalho.

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Foi uma das minhas primeiras impressões. Enxerguei essa natureza, seu ciclo, o nascer do sol, o caminho percorrido ao longo do dia e as tantas cores dessa natureza local, até o momento que a lua surge em seu lugar. É algo diferenciado.

As árvores, flores, os ipês, fui pegando essas cores e colocando dentro dos personagens. No Joventino (Irandhir Santos), por exemplo, quis usar o pôr do sol, com tons alaranjados; a Juma (Alanis Guillen) também tem esse sol, mas em sua exibição momentos antes, tem um pouco do céu, dos rosas; já Filó (Letícia Salles/ Dira Paes) tem as cores das araras, dos ipês”, comenta Marie, animada com o resultado.

Cenas de Pantanal, na Globo

Seu trabalho, contudo, começou antes mesmo da primeira viagem, com uma ampla pesquisa, revisitando a primeira versão da novela e como os costumes e comportamentos mudaram de lá para cá.

A novela original era nossa diretriz. Assisti todos os capítulos para absorver aquelas escolhas da época. Na década de 1990, tínhamos bem marcado o conceito rural, mas hoje em dia vimos ao chegarmos ao Pantanal que ele está bem diferente.

Entre assistir à novela e chegar ao Pantanal, comecei a construir minhas ideias com base em documentários, fotos, uma pesquisa profunda. E encontrei essa questão das cores ali também”, explica a figurinista.

Embora não esteja no imaginário de todos os brasileiros, há hoje, no Pantanal, e em diversos outros locais do interior do Brasil, muito estampado, jeans.

Irandhir Santos e Renato Góes estão na novela Pantanal (Divulgação/Globo)

Imagino que, assim como eu pensei, as pessoas pensem que o bege é uma cor que se destaca naquele cenário. Até era, antes. Não mais. Lá se usa cor, muita cor, azul, vermelho, verde, e fui inserindo isso principalmente na segunda fase”, complementa.

O desafio de vestir Juma Marruá

Uma das personagens que mais atrai a curiosidade do público, a Juma, interpretada por Alanis Guillen, foi um desafio para Marie. “A Juma é uma pessoa que nunca viu nada. Ela não conhece nada, troca suas roupas na chalana, não tem dinheiro, não sabe o que é isso, o que é banco, televisão… Ela é bruta e tem uma energia bruta.

Por isso, suas roupas são transparentes e são meio pôr do sol, meio rosa, meio nude. A sensação que vai dar é que ela está livre”, adianta Marie sobre a personagem.

Além das cores, outro destaque que o figurino merece é na indumentária específica dos peões pantaneiros. Para o manejo com o gado, eles usam calça jeans, bota curta, faixa pantaneira, que não é só um acessório estético, mas tem a função de ajudar a manter saudável a coluna dos peões.

Em geral, são feitas por mulheres pantaneiras e são bastante coloridas, é algo fácil de encontrar na região. Os peões usam ainda um cinturão de couro, onde colocam o canivete e o celular, que estará presente na segunda fase. Ele funciona como uma pochete, mas é um cinto.

A calça de couro por cima da calça jeans é bastante usada também, a fim de proteger as pernas de quem anda a cavalo. Protege de galho e cobra, por exemplo. E tem o chapéu, usado por todos, porque é um local quase sempre muito quente”, explica.

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