Operação Kryptos: “corretor das celebridades” enfrenta a Policia Federal

Michael Magno está sendo acusado de envolvimento em esquema fraudulento de pirâmide

Publicado em 28/09/2021 16:52
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Em mais um desdobramento da Operação Kryptos deflagrada no dia 25 de agosto, veio à tona detalhes de como agentes federais e auditores da Receita Federal enfrentaram a fúria de Michael de Souza Magno, o empresário conhecido como “corretor das celebridades” e de sua esposa, sem nome divulgado.

Michael está sendo acusado de envolvimento em um esquema bilionário disfarçado de investimentos em moedas virtuais, a famosa criptomoeda. De acordo com o relatório da PF, ao qual O GLOBO teve acesso em primeira mão, depois que os agentes entraram na mansão onde o casal mora, num condomínio de luxo em Alphaville, bairro nobre de São Paulo, segundo os investigadores, houve resistência na entrega de celulares, com direito a gritaria e empurrões.

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No primeiro ato de resistência, a jovem “começou a dizer, aos gritos, que não iria entregar nada, pegando o celular das mãos do alvo e segurando-o com as duas mãos, e para atrás do corpo”. Os investigadores também disseram que Michael se posicionou entre a mulher e o agente federal para dificultar a apreensão.

O esquema fraudulento de pirâmide em que Michael estaria envolvido foi sediado em Cabo Frio e movimentou cerca de R$ 38 bilhões. Ele é apontado como operador da organização, que teve como chefe o ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, preso durante essa primeira etapa da Operação.

Nos blogs e sites sobre famosos, Michael aparece em fotos ao lado de artistas como Bruno Gagliasso e Nívea Stelmann, para os quais já teria vendido imóveis.

Segundo o jornal Extra, do Rio de Janeiro, o relatório da Operação Kryptos, coloca o corretor como um importante operador da G.A.S Consultoria Bitcoin, companhia do ex-garçom que prometia rendimentos exorbitantes mediante investimento em criptomoedas.

A resistência

Os delegados Guilhermo de Paula Machado Catramby e Carlos Eduardo de Resende Chamberlini, que assinam o relatório, descreveram ainda que foi preciso um segundo policial para segurar Michael. Só assim o aparelho foi retirado das mãos dela: “algo que só conseguiu, literalmente, puxando o celular das mãos dela com ambas as mãos”, informa o documento.

Após comunicar a decisão a Michael, os policiais relataram que depois “se iniciou um verdadeiro caos”. De acordo com os agentes, Michel teria dito que “ninguém” iria apreender o segundo celular. Ela gritou: “esse não, esse não”, afirmando ser a dona do telefone. Foi então que o agente precisou sacar a arma. Mesmo assim, a esposa de Michael saiu correndo até a piscina com o aparelho.

O policial a alcançou e arrancou o telefone das mãos dela. Um dos agentes ainda se queixou de ter sido agredido pelo corretor de imóveis durante a operação. O corretor, cuja prisão foi decretada na segunda fase da Operação Kryptos, se encontra foragido.

Michael declarou, em 2021, bens e rendimentos tributáveis de R$ 32.700

Embora o documento pontue que não há vínculo formal entre o corretor e Glaidson, Michael era, segundo a PF, ligado ao casal Tunay Pereira Lima e Marcia Pinto dos Anjo, ambos presos no mesmo dia que o ex-garçom.

Michael declarou, em 2021, bens e rendimentos tributáveis de R$ 32.700, além de um patrimônio de pouco mais de R$ 293 mil.

“Apesar disso, desde 2017, seu patrimônio e seu padrão de vida aumentaram bastante, o que leva a RFB (Receita Federal do Brasil) a apontá-lo como provável sonegador contumaz”, afirma o texto obtido com exclusividade pelo Extra.

O documento aponta que, entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021, Michael movimentou mais de R$ 9,6 milhões em uma única conta-corrente, divididos em valores muito próximos de entrada e saída.

Os policiais descobriram ainda notas fiscais de compras feitas por Michael em que constam o email pessoal de Tunay. Além disso, ele também adquiriu duas mesas de jogos nas quais o endereço de entrega é o do próprio Glaidson.

Conversa sobre fuga

O site G1 informou que Michael Magno também aparece em um trecho do relatório que fala sobre a possibilidade de que Glaidson fugisse do Brasil. Uma escuta telefônica, realizada com autorização da Justiça, registrou uma conversa do corretor com um homem não identificado, na qual os dois, de acordo com os investigadores, tratariam da saída do empresário do país.

O telefonema aconteceu na tarde da última segunda-feira, dia 23 de agosto, às 14h30. “Porque ele já sabia que ele tinha que sair do país rápido“, afirma o interlocutor para Michael, referindo-se, segundo a PF, ao ex-garçom. Pouco depois, o próprio Michael diz: “Já era pra ter ido embora, cara, pra ‘tá’ bem longe daqui. Aí fica no Rio, fica indo em resenha, fica indo não sei aonde, vai pra festa“.

A Operação Kryptos

Glaidson foi preso em casa, num condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no dia 25. Na ocasião, agentes apreenderam na mansão R$ 15 milhões em espécie, além de 21 carros de luxo.

A força-tarefa afirma que o ex-garçom movimentou cifras bilionárias em um esquema de pirâmide disfarçado de investimentos em criptomoedas, como bitcoins.

Para atrair clientes, a empresa GAS, sediada em Cabo Frio, prometia retorno mensal de 10% sobre o valor investido. “Em um mercado volátil como o de bitcoin, uma promessa de rentabilidade fixa não é sustentável”, afirmou a Receita, em nota.

De acordo com investigadores, Glaidson também repassou pequenos valores para 182 endereços em paraísos fiscais. O fracionamento, afirma a força-tarefa, foi uma tentativa do ex-garçom de ocultar a origem do dinheiro

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