De volta à Band, Ticiana Villas Boas remodelou o formato Duelo de Mães: “Uma grande mudança”

Aposta para os sábados, programa ganhou ares de superprodução

Publicado em 17/8/2021
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Formato originalmente criado por Ticiana Villas Boas, o Duelo de Mães está de volta! Agendado para estrear no próximo sábado, dia 21, às 20h25, na grade da Band, “nova velha” casa da apresentadora, a competição gastronômica com duas temporadas exibidas pelo SBT entre 2016 e 2017, foi remodelado e ganhou ares de superprodução.

Villas Boas, que assumiu a produção executiva do programa, dentre outras funções, contou em entrevista à coluna que o programa retornará ao ar com com três provas, os famosos cozinhando, e uma grande mudança que acaba interferindo também no formato e na produção dos realities do gênero, que é o fato de ele entrar na grade e se transformar em um programa fixo da programação.

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A gente não grava por temporada, como todos os outros. Um programa de temporada a gente faz um batidão diário pra gravar em um mês, como foi essa primeira parte da minha gravação, e deixa gravado pra três meses. Então, ele fica pronto muito antes de ir ao ar“, explicou ela, que seguiu gravando em estúdio até a 37ª semana de gestação.

A principio, o Duelo de Mães estava programado para estrear na grade de 2022, mas Ticiana optou não se acomodar diante do cenário da pandemia da Covid-19 e sugeriu o pronto início dos trabalhos. Para tal, foram gerados vagas de emprego e uma movimentação de mais de 70 profissionais envolvidos diretamente na produção.

Participei da contratação de cada pessoa, sei quem é cada um e participo de todas as fases do programa. É um filho que crio com todo amor e carinho“, disse a baiana de 40 anos.

Ticiana Villas Boas integrou o elenco da Band em 2005. Em 2008 passou a dividir a bancada do Jornal da Band com Ricardo Boechat e Joelmir Beting, e por lá ficou por sete anos. Migrou para o SBT em 2015 e por lá se aventurou no entretenimento, apresentando o Bake Off BrasilBBQ Brasil: Churrasco na Brasa, além do Duelo de Mães.

A transição do jornalismo para o entretenimento, o mercado de trabalho para criadores de formatos e sua saída do SBT também foram assuntos abordados na entrevista. Confira!

Ticiana Villas Boas comanda nova temporada do Duelo de Mães na Band (Divulgação: Band)

CS – Sua transição do jornalismo para o entretenimento (que teve troca de emissora no meio) foi um pouco inesperada para nós, espectadores, mas você fez escolhas bem assertivas. Ao longo dos anos apresentou programas que se encaixaram muito bem com o seu perfil, mas ainda assim eram formatos. Você se sente realizada com todos estes trabalhos ou existiu alguma desilusão dentro do entretenimento?

TVB – “Nenhuma desilusão. Pelo contrário! Foi um jeito de fazer televisão novo que eu conheci, aprendi e me encantei. Me encantei tanto que tive vontade de pesquisar, de ir a fundo na produção. Então, fui pesquisar e estudar sobre formatos, sobre o jeito de produzir, sobre diversão e me encantou tanto que eu fui pesquisar e acabei querendo fazer meu próprio formato.

Então, não foi por desilusão que eu tive essa ideia de criar o formato. Foi por encanamento e, claro, a vontade de fazer sempre melhor. Alguns formatos que eu já participei com eles prontos, eu fui percebendo o que poderia melhorar, que tipo de ajuste se adequaria pra nós, brasileiros, porque todos esses formatos de realities são gringos.

E eu acho que tinha um jeito de fazer melhor funcionar adaptando do nosso jeito. Fui percebendo o que podia melhorar, o que podia manter igual, o que a gente podia aprender… E eu aprendi muito com esses formatos e fazendo essas adaptações. Estou muito realizada como produtora e diretora do programa Duelo de Mães e como criadora desse formato junto com toda a minha equipe.”

CS – Você está de volta à Band, emissora que tem o jornalismo em seu DNA e que você construiu sua carreira e se projetou nacionalmente. Por um bom projeto, uma boa proposta, você toparia fazer o caminho inverso e retornar para o jornalismo ou este é um ciclo definitivamente encerrado pra você? A profissão te deixou marcas? O que ainda existe da jornalista e repórter Ticiana Villas Boas?

TVB – “Não. Pro jornalismo diário, pra redação hard news, não tenho vontade de voltar e não me vejo voltando, porque não se encaixa com a minha vida atual.

Foi por isso que eu saí, pois além de achar que eu já tinha um ciclo bem completo como repórter e âncora do Jornal da Band, onde fiquei por 9 anos, sendo 2 como repórter e 7 como âncora ao lado do Boechat apresentando, eu acho que foi um ciclo que se fechou com muito sucesso. Estou muito feliz e realizada.

Mas saí quando meu primeiro filho nasceu, há 6 anos e, hoje, como mãe de duas crianças pequenas e ainda grávida prestes a ter um recém-nascido no colo, não dá pra trabalhar na rotina do dia a dia do hard news. Nessa rotina do hard news você trabalha boa parte do dia até 21h, tem plantão aos finais de semana… Então não consigo mais encaixar isso na minha vida.

É um ciclo que se fechou, que estou bem realizada com ele, mas fui em busca de outros aprendizados no entretenimento, onde me realizei como criadora de formatos, diretora e produtora. E aí eu consigo adequar a vida da família, pois consigo organizar melhor minha agenda.

E ainda tem minha loja de móveis de design brasileiro, que também me toma muito tempo. Então preferi não trabalhar menos, pelo contrário, acho que estou até trabalhando mais, mas consigo equilibrar, organizar e ser dona do meu tempo.

Então, quando eu vou gravar o programa, eu gravo um mês seguido, num trabalho árduo, mas para no mês seguinte ser mais tranquilo e eu poder focar mais nos filhos, na família, na loja… Ser dona do meu tempo é organizar melhor. Então é só distribuir o trabalho, mas de acordo com a minha vida.

Acabei acumulado mais trabalho, mas consigo equilibrar mais o tempo. E pro jornalismo diário essa minha vida não se encaixa mais. De formação e de alma eu sou jornalista, então eu sou uma jornalista trabalhando como apresentadora, como diretora e produtora. Sou uma jornalista trabalhando na loja.

É algo que está em mim. Eu sou isso. Como apresentadora, quem me olhar com um olhar mais atento, vai enxergar uma jornalista ali, mesmo no entretenimento. Vai enxergar como eu entrevisto as pessoas e o contar histórias.

Continuo trabalhando contando histórias e me aproximando das pessoas, procurando sempre mostrar vários lados de um acontecimento, mesmo no entretenimento. Então a jornalista sempre estará em mim.”

CS – Durante muitos anos a televisão brasileira ficou refém de formatos importados e até hoje pouca coisa mudou neste sentido. Consequentemente, existiu uma desvalorização muito grande dos criadores brasileiros. O Duelo de Mães é uma das raras e boas exceções do mercado. Qual foi o start para sua criação e quais objetivos você tinha para ele: TV fechada, TV aberta, internet? As duas temporadas produzidas foram fiéis a sua ideia?

TVB – O start foi o fato de eu já ter participado de formatos prontos, porque eu já tinha feito o ‘Bake Off’, o ‘BBQ’ e acompanhava outros programas como o ‘MasterChef’, que também era um sucesso. Vi que eram todos formatos que vieram de fora e participando eu percebi o que tinha de bom, o que funcionava e o que não funcionava.

Sempre adaptando pra nossa realidade de produção pra fazer a coisa acontecer e também para a realidade dos telespectadores. Tem algumas diferenças de expectativas, do que gosta de assistir, do que funciona, então eu vi que não tinha nenhum formato brasileiro e falei: por que não?

Também temos condições, bons equipamentos, estrutura tecnológica e de pessoas muito boas. Eu acho que a televisão no Brasil está entre as melhores do mundo no quesito equipes, profissionalismo e experiência. Então, temos excelentes profissionais pra fazer igual ou melhor e, na minha opinião, melhor, mas dentro da nossa realidade.

CS – Há uma expectativa com a versão do Duelo de Mãe para a Band. O formato se manterá o mesmo? O que você pode adiantar desta nova temporada? Ticiana Villas Boas na Band, ela veio pra ficar?

TVB –Pra Band, além da gente mudar um pouco o formato, que ficou bem melhor agora com três provas, com os famosos cozinhando também, tem uma grande mudança que acaba interferindo também no formato e na produção dos realities de gastronomia, que é o fato de ele entrar na grade e se transformar em um programa fixo da programação.

O que isso significa na prática? A gente não grava por temporada, como todos os outros. Um programa de temporada a gente faz um batidão diário pra gravar em um mês, como foi essa primeira parte da minha gravação, e deixa gravado pra três meses. Então, ele fica pronto muito antes de ir ao ar.

Esse, como é da grade, o tempo que a gente vai ter entre gravar e ir ao ar vai ser muito mais curto. Os outros programas são em média três meses, o da gente será cerca de uma semana. Então isso dá a possibilidade de o programa estar sempre fresco, de o internauta e o telespectador participarem e opinarem.

A gente quer colocar as participações deles sugerindo convidados, fazendo críticas, sugestões, participando mesmo do programa. Então é um programa que nunca vai ficar velho. Vamos gravar em uma semana e na outra já estará no ar. Ele vai ser vivo, ágil e inúmeras possibilidades se abrem com esse formato.

O desafio é manter a qualidade de um programa de realities culinários, que por tradição já têm um primor na execução, na edição, porque não é um programa Broadcast que está na grade e você faz diário.

A gente quer pegar essa velocidade de produção, execução e exibição, a velocidade do broadcast, mas com a qualidade dos programas de realities desses formatos internacionais.

O programa passa por um processo de sonorização, de colorização, de tratamento da imagem, de refinamento da edição, passa pela pós-produção, coisa que outros programas não têm. Esse será nosso desafio: manter a qualidade no resultado final, mas sendo um programa ágil.

CS – Você é uma profissional que passa bem longe do comodismo. Além de apresentar, que exige não somente uma grande dedicação e é um trabalho exaustivo, em especial com o Duelo de Mães, você está envolvida de todas as formas, até na produção e direção executiva. Você sempre foi assim na vida ou é um apego e amor pelo projeto?

TVB –Sou assim na vida. Sou inquieta desde pequena. Sou inquieta quando sinto que estou entrando na zona de conforto, que já não me dá mais frio na barriga… Me sinto desafiada com tudo. Eu dou uma chacoalhada e mudo. Gosto de desafios, gosto de mudar e gosto de risco.

Acho que sou uma pessoa que gosta do risco. Claro que tenho um carinho imenso pelo “Duelo de Mães”, tanto que sei de cada passo dele. Participei da contratação de cada pessoa, sei quem é cada um e participo de todas as fases do programa. É um filho que crio com todo amor e carinho.

CS – Você se desafiou a colocar um projeto no ar em um momento bem delicado que estamos passando, que é a pandemia da Covid-19, que paralisou setores e impactou por completo a indústria audiovisual. Além de tudo, você está no finalzinho da sua gestação, o que consequentemente impôs cuidados muito maiores. O que motivou você a tomar essa decisão?

TVB –Quando fechei com a Band, eles me deram a opção de começar a gravar depois do nascimento da bebê, mas nossa área audiovisual foi muito afetada pela pandemia e vi uma oportunidade de gerar empregos e resolvi, com todos os cuidados, seguir de bate pronto com a produção do programa.

Tive muito cuidado comigo, mas principalmente com minha equipe e convidados. Tinha um departamento só de Covid-19, com exames diários, tanto na produtora quanto fora, e posso te dizer que fomos bem, pois não tivemos nenhum caso positivo na equipe.

CS – Você fez história no SBT nos últimos anos e é impossível não falar de sua passagem por lá. Muito se falou que você teria saído um pouco chateada. Afinal de contas, como ficou a sua relação com a direção da casa e qual balanço você faz do período em que esteve lá?

TVB –Eu fui muito feliz no SBT. Foram eles que acreditaram em mim para o entretenimento e sou muito grata por isso. Minha saída foi muito tranquila, apesar de tudo. Não era para ser e hoje vejo com muita clareza isso. O formato que tenho na Band é o que mais se adapta à minha vida nesse momento. Estou radiante com o Duelo de Mães.

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