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Gay caricato

Críticas à atuação de Paulo Betti em Império foram exageradas? Entenda

Na exibição original da trama, o desempenho do ator como Téo Pereira foi detonado por jornalistas

Publicado em 01/11/2021
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Ao longo da exibição original de Império, entre 2014 e 2015, o ator Paulo Betti, intérprete do personagem Téo Pereira, foi crucificado pela crítica especializada por seu desempenho na pele do personagem. É importante ressaltar alguns pontos no que se refere à realização de uma novela.

A primeira delas é que nunca um ator constrói um personagem sozinho, ele segue as orientações do autor da trama, no caso Aguinaldo Silva, dos diretores da novela, e acima de tudo dos instrutores de dramaturgia. E Império tem dois deles, Eduardo Milewicz e Cristina Bethencourt.

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O trabalho de um instrutor de dramaturgia começa durante a concepção dos personagens e busca junto com o ator capturar a essência do personagem, dando-lhe forma, desde o jeito de falar, até os movimentos corporais.

Entenda melhor a composição de Paulo Betti

O instrutor está presente da primeira cena do personagem até a última, e se engana quem pensa que esses profissionais só estão aptos a atender atores em início de carreira.

Novela é uma obra aberta e conjunta, afinal o trabalho de um profissional está direta ou indiretamente ligado a pelo menos 100 outros profissionais para fazer o que vemos diariamente na telinha acontecer.

Mas não, Paulo Betti não interpretou um homossexual de forma desastrosa, ele usou a caricatura que possivelmente o texto de Aguinaldo Silva pedia, e referências que o próprio já disse ter se baseado, como Clodovil.

Téo Pereira é um homossexual afetado, e mesmo que parte do público brade ou que os homossexuais não se sintam devidamente representados pelo blogueiro da ficção, é bastante pobre o argumento de que difundindo personagens gays com afetações, as pessoas passem a julgar todos os gays desta forma.

Existem gays como Téo Pereira? Existem!

Quando se fala em diversidade, se fala em diversificação, em características diferentes e pessoais que não podem e não devem servir como método de exclusão dentro de um determinado grupo.

A novela busca fazer uma reconstrução da realidade, pois existem gays como Téo, assim como existem os que se parecem com Claudio, com Leonardo, e até os que se assemelham à Robertão ou Xana cuja única característica em comum é sentir atração sexual por homens, dessa forma o autor já se redime por antecipação de quem o acuse de estereotipagem.

A atuação de Paulo Betti não deve ser desmerecida, e sim aplaudida, afinal é um personagem difícil e uma novidade na longa carreira do ator.

Curiosidade: Em todas as novelas urbanas de Aguinaldo Silva existiu pelo menos um personagem homossexual que trouxe à tona essa discussão – Suave Veneno: Uálber (Diogo Vilela), Senhora do Destino: Ubiracy (Luiz Henrique Nogueira), Duas Caras: Bernardinho (Thiago Mendonça) e Fina Estampa: Crô (Marcelo Serrado).

***Análise com a colaboração do jornalista João Paulo Reis

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